Sentado em um canto de cabeça baixa, não tinha muito o que fazer
Já que dentro desse nada, coisa alguma existia.
Então você ergueu a cabeça, levantou e veio até mim, abraçou suas mãos às minhas e disse, olhando em meus olhos: “Ei. Venha cá. Não tenha medo do nada. Parece ruim, mas juro: não é. Você me viu ali de cabeça baixa, mas não por tristeza. Por ti eu esperava.”
Eu o sigo. Deixei que guiasse, e mostrasse a mim como lidar com o nada. Dias e dias se vão, e em cada um deles eu percebia mais que o nada, na realidade, é repleto de mistérios a serem investigados.
Cada parede que ali inexiste, esconde segredos, os quais era dever meu descobrir. Aquele citado acima mostrou-me um mundo completamente diferente; uma forma de ver o tudo em meio ao nada.
A vida é assim: precisamos ir até o fundo, onde tudo inexiste; onde até mesmo a luz não chega, apenas assim vamos aprender a ver tudo de forma diferente. Tudo tem sua razão e seu mistério. Nem mesmo o nada é completamente vazio, apenas precisamos saber enxergar.
E no fim, nada se torna tudo, pois aprendi a conviver, aprendi a desvendar
Os segredos de suas paredes inexistentes, que, por sinal, hoje existem,
Graças ao nada, aprendi que nada, na realidade, é tudo que não existe.

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