Enquanto
o sol subia no horizonte, Harry Potter já embarcava no navio Karla, que os levaria por mar até o
Precipício de Gamora. O navio era pequeno o bastante para que apenas três
pessoas apenas pudessem navegá-lo sem problemas. Apenas ele, Ted e um
marinheiro contratado estavam no navio. O Auror não queria ninguém mais indo
com eles.
O
mar não estava calmo, mas também não estava tempestuoso, como na última semana.
Corriam risco de uma tempestade acontecer a qualquer momento. Por esse motivo,
eles avançavam numa velocidade horrivelmente devagar, tanto que quando era meio
dia, ainda estavam na metade do caminho.
Durante
o período que ficaram no mar, Ted e Harry conversavam sobre os acontecimentos
daqueles meses, sobre o sequestro de Gina, sobre os sonhos de Alvo, sobre as
muitas coisas que passaram. Harry se perguntava do paradeiro de Hermione e
Rony, que fazia bastante tempo que não mandavam nem ao menos uma carta via
coruja para ele. Ted ficou subitamente tenso no mencionar nos nomes do casal
Weasley.
-
Você sabe de algo, não? - Harry perguntou inquisitivo.
-
Sim, mas não me pergunte mais padrinho. - Ele pediu. - Eu prometi a eles que
não diria.
-
Tudo bem. Respeito isso. - Ele respondeu, apesar de estar curioso e preocupado
com os amigos.
O
navio chegou em uma desembocadura de rio. Passaram a navegar rio acima entre
dois paredões de pedra. De acordo com o mapa de Slytherin, aquele era o
Precipício de Gamora, precisavam apenas a entrada para a caverna.
-
De acordo com Alvo, o local de onde Elisha pulou terminava em uma espécie de buraco
com uma tocha de fogo azul no fundo. - O Auror informou.
-
Provavelmente eles esconderam a entrada com magia. - Ted afirmou.
-
Faz muitos anos que eu aprendi que magia sempre deixa traços para trás. É
impossível esconder todos os traços de um feitiço conjurado. - Ele sacou uma
varinha do bolso e disse: - Incantatem
Revelio!
O
horizonte tremeu, como uma miragem. Havia no fim do vale onde estavam uma
cachoeira, da qual nascia o rio que navegavam. Logo ao lado dela, a direita e
perpendicular a ela, havia um trampolim de pedra; de onde estavam, Harry já era
capaz de ver a Floresta Proibida. Era o lugar que procuravam.
Pararam
logo abaixo do trampolim, entretanto, não havia tocha azul nenhuma e, de fato,
não havia entrada para caverna alguma. Ted e Harry desceram do barco para
margem do rio. Ele se concentrou, precisava usar o feitiço a seguir com toda
sua força, pois o que precisava quebrar era muito poderoso.
-
Finite Incantatem!
O
chão que pisavam desapareceu num segundo. Os dois caíram alguns metros, mas
ambos rapidamente apontaram suas varinhas para o chão e impediram sua queda com
um Aresto Momentum. Eles se
levantaram e limparam as roupas. Não havia tocha ali, entretanto encontraram um
suporte acima de suas cabeças.
-
Não estamos sozinhos. - Ted disse.
-
Não achei que estaríamos. - Harry disse. - Vamos.
Eles
andaram alguns minutos pela caverna, até chegarem a um local em que as paredes
alargavam-se. Havia desenhos rupestres nas paredes, notou que eram escritos no
que parecia ser Armênio, mas Harry não tinha certeza. Assim que avistaram luz a
frente, apagaram suas varinhas. Se aproximaram em silêncio para não chamar
atenção das pessoas que estavam ali.
Escondidos
atrás de uma rocha, observaram o que acontecia. Apenas um homem estava ali; ele
tinha duas varinhas, uma em cada mão. Eles viram a porta de ferro pela primeira
vez. Era imensa, com dois metros e um pouco mais de altura; havia onze varinhas
presa a ela, e um espaço vazio apenas.
-
Aquele é Omincron. - Ted sussurrou.
-
Pode vê-lo?
-
Sim. Ele está usando suas habilidades de Metamorfomagia.
Omincron
colocou uma das varinhas no espaço vazio, mas ela foi cuspida para fora; bateu
em uma pedra com força e partiu-se em duas. Fez o mesmo com a outra, mas esta
foi aceita. Um brilho verde saiu das varinhas, iluminando assustadoramente o
ambiente.
-
Finalmente! - Omincron gritou. - Conseguimos todas as varinhas! Abra-se porta
maldita!
Contudo,
para decepção do vilão, a porta permaneceu fechada. O brilho cessou e apenas
uma coisa mudara. No centro do círculo de varinhas, onde antes era liso, agora
surgira um símbolo na língua armênia:
ցավ
Eles
ainda precisavam do ingrediente final.
-
POR QUE VOCÊ NÃO ABRE!? - Ele gritou, com muita raiva.
Obviamente
ele também não sabia o que era o último ingrediente. Os dois trocaram olhares.
Era a hora de intervirem. Saíram do esconderijo com suas varinhas apontando
para Omincron, que virou-se subitamente, pois percebera instintivamente que os
dois estavam ali.
-
Harry Potter e Edward Lupin. - Ele disse, ainda com raiva. - Exatamente quem eu
queria ver. O chefe disse que não posso matá-lo ainda. - Ele virou sua varinha
para Ted. - Avada Kedavra!
Um
raio de luz verde veio na direção de seu afilhado. Harry saltou na frente,
gritando “Protego”. Um raio de luz
branca saiu de sua varinha, interceptando o raio verde da Maldição. Chocaram-se
no ar, o feitiço de Harry impedindo o avanço da Maldição de Omincron.
Ted
sabia o que fazer. Ele afastou-se de Harry e lançou um feitiço estuporante no
inimigo, mas ele tinha outra varinha em mãos, e se defendeu. De onde esse cara está tirando essas
varinhas, Ted pensou, irritadiço. Omincron lançou feitiços em Ted, que se
defendia e atacava ao mesmo tempo. Ele duelou com o Metamorfomago enquanto, ao
mesmo tempo, competia com o Auror Potter, que sem dúvida era um dos melhores
bruxos da atualidade.
Omincron
lançou algumas Maldições de Morte em Ted, que desviava com saltos ou
escondia-se atrás de rochas. Eram dois contra um, mas sem dúvida ele estava na
vantagem. Ted saiu mais uma vez de trás da pedra lançando feitiços, mas o
adversário bloqueava. Ted calculou um passo errado, pisou em uma pedra e torceu
o tornozelo. Estava caindo, mas, antes de sentir dor no pé, ele sentiu dor pelo
corpo todo. Omincron o acertara com a Maldição Cruciatus.
Ele
estava no chão, caído de dor, enquanto o inimigo dizia.
-
Se eu soubesse que iria te atingir, teria usado a Maldição de Morte. Sabe,
minha irmã tinha um interesse particular em você, Ted. Além de nós três, você
era o único Metamorfomago que conhecíamos. Queríamos trazer-te para nosso lado.
Então tudo mudou quando descobrimos que Lucius havia escapado de nós em
Azkaban. O chefe não permitiu que tentássemos fazer com que você mudasse de
lado. Bem, não importa, você está com muita dor. Apenas isso já é gratifican...
Ele
foi subitamente interrompido por duas vozes de duas crianças dizendo ao mesmo
tempo:
-
Estupefaça!
Uma
bola feita de ar um tanto esbranquiçada voou na direção de Omincron. Ela veio
das sombras. Ele foi jogado contra uma das paredes. Harry viu que por pouco sua
cabeça não bateu em uma pedra pontiaguda.
Alvo
e outro menino que Harry não conhecia surgiram. Eles tinham as varinhas em
mãos, ainda apontando para o inimigo, que estava desmaiado no chão. Harry
estava com sentimentos conflitantes: alivio por terem sido salvos, mas raiva,
por que seu filho de onze anos estava ali, se arriscando.
-
Alvo Severo Potter! - Ele escolher ficar irritado com o filho. - O que você
pensa que está fazendo aqui?
-
Salvando vocês, oras. - Ele retrucou; Alvo não era muito de retrucar, por isso
acrescentou imediatamente: - Desculpe.
-
Como chegaram aqui? - Ele foi ajudar Ted; usou um Episkey para curar seu tornozelo.
-
Há uma passagem de Hogwarts até aqui. É muito longe, quase meia hora de
caminhada. - O outro respondeu. - Você deve ser Harry Potter, e ele - o menino
apontou para Ted - deve ser Edward Lupin. Muito prazer, meu nome é Richard
Radkey.
-
Muito prazer. - Harry disse; Ted já havia levantado. - Rose está com você?
-
Sim, ela está logo atrás de... - Alvo se virou, e viu apenas escuridão. Nem
sinal de sua prima. - Rose?
Não
obteve resposta. Richard disse que voltaria e procuraria por ela. Alvo contou
sobre o fantasma de Coraline ter se revelado a Yanka; sobre a Chave do Reino, a
qual Harry conhecia a lenda, mas não sabia que ela havia desaparecido.
Aparentemente o governo não queria que o público soubesse que uma adolescente
havia invadido e roubado o Palácio de Buckingham, e ainda sair impune disso.
Ela morreu, é claro, mas não por causa do roubo.
-
E Minerva escondeu isso todos esses anos?
-
Aparentemente.
Foi
então que ouviram barulhos vindo do corredor. Feitiços sendo lançados, uma
criança lançando-os e depois silêncio. Harry e Ted correram para escuridão,
Alvo permaneceu onde estava. Os dois adultos voltaram recuando e com as mãos
para cima. Outro homem vinha com a varinha no pescoço de Rose, que estava
soluçando de tanto chorar.
-
Não tentem nada, ou ela morre. - Ele disse.
Ela
tinha estatura mediana, apenas um pouco maior que Harry. Usava uma túnica negra
que cobria-lhe os pés e ainda se arrastava alguns centímetros no chão. Alvo se
perguntou como ele não caía com ela. Ele usava uma máscara com o mesmo símbolo
que Alvo tivera na testa durante meses: um triângulo com um círculo no centro,
sendo ambos partidos ao meio por um risco vertical; das pontas do triângulo
nasciam rodamoinhos, um em cada. Triskelium.
-
Primeiro, desperte Omincron. - Ele disse, sua voz era grossa como o badalar do
Big Ben.
Harry
foi até o inimigo nocauteado. Despertou-o com um Enervate rápido. Omincron ficou confuso por um tempo, até que viu o
mascarado. Entendeu tudo.
-
Reporte, Omincron Hambrick.
-
Eu consegui encaixar todas as varinhas, mas algo ainda está faltando, pois a
porta não abre.
-
Pegue uma varinha e venha até aqui. - Assim ele o fez. - Tome essa criança de
refém, enquanto eu estudo a porta. Se qualquer um deles se mexer um centímetro
se quer na sua direção ou tentem pegar varinhas, mate-a. - Ele agarrou Rose com
um braço e colocou a ponta de sua varinha no pescoço dela. - E Harry, se tenta
acionar os dispositivos em seus braços, ela morre também.
O
mascarado olhou para Omincron, que confirmou uma vez com a cabeça. Ele foi até
a porta para estudá-la de perto. Ele fitou-a por um tempo, depois tocou-a,
tanto com a varinha quanto com seus próprios dedos. Mas ele não parecia ter
encontrado uma resposta satisfatória.
-
O que estamos procurando sem dúvida é um ingrediente muito peculiar e
específico. Acho que a resposta está nessa escrita, mas não conheço armênio o
bastante. Alguém ai sabe a resposta? - Ele fitou um a um nos olhos.
Harry
tentou pensar na resposta. Havia descoberto que sangue de jovem combinado com a
língua das cobras poderia abri-lo. Talvez o mesmo funcionasse com a porta.
-
Nós conseguimos abrir o mapa de Slytherin usando sangue de jovem e Ofidioglossia.
Talvez essa porta funcione da mesma forma.
-
Youngblood e Slytherin. - O mascarado disse. - Uma dedução brilhante, Harry
Potter. Agora vejo por que tanto Dumbledore quanto Voldemort escolheram você.
Claro, um como aliado e o outro como nêmeses. Traga a garota aqui, Omincron.
Enquanto
ele cumpria a ordem, o inimigo conjurou uma faca. Ele cortou a palma da mão de
Rose, que chorou ainda mais, agora pela dor. Sem piedade, o mascarado colocou a
mão dela na porta, e a manteve ali. Harry decidiu que matá-lo-ia na primeira
oportunidade.
-
Sua vez, Harry Potter. Fale.
-
Eu não sei mais como. - Ele respondeu.
-
E você me deixou cortar a mão dessa pobre garota à toa? - Ela era um bom ator,
pois realmente soou como se se importasse com a dor dela. - Devia ter dito
antes! Omincron, acabe com o sofrimento dela. - O jovem loiro pegou a faca e,
sem hesitar, colocou-a contra o pescoço da menina, cuja mão ainda estava na
porta.
-
Não é isso! - Richard Radkey interveio, vindo das sombras. - Não é isso que
está faltando.
-
Se você sabe mesmo, prove.
-
Գնալ դժոխք (Gnal dzhokhk’). - Ele disse em armênio,
o que surpreendeu a todos.
-
Você fala armênio. O que está escrito na porta?
-
Dor. - Respondeu simplesmente.
-
Está me dizendo que a porta exige dor
para abrir. A garota está com dor, e sua mão está na porta. Por que não
funciona?
-
Não é dor física, mas dor da alma; do coração. E não pode ser de qualquer
pessoa, tem que ser de um herói.
-
Então simplesmente posso matar, por exemplo, Alvo Potter, Harry ficaria com dor
no coração e, portanto, a porta abriria.
-
Sim, se você descobrir uma forma de transferir a dor dele para a porta. - Rick
retrucou, aproximando-se do mascarado.
-
Algo me diz que você sabe exatamente como fazer. Me conte! - Vociferou.
-
Eu vou contar, se me permitir curar a mão da garota.
-
Alvo, assuma o lugar dela. - Alvo assim o fez; no minuto seguinte, era o filho
de Harry que estava nas mãos da morte. - Agora me diga, garoto, ou matarei
todos vocês.
-
Episkey. - Ele disse, apontando sua
varinha para o corte de Rose, que começou a curar imediatamente. - A Maldição
de Dor, é claro. Conhece a história de sua criação? - Como não obteve resposta,
Richard contou, procurando ganhar um pouco de tempo. - Deon Youngblood criou-a
para livrar-se de sua própria dor, mas, ao invés dela desaparecer, era ela
lançada sobre outras coisas, como árvores ou animais. Salazar pediu a Deon que
usasse esse mesmo feitiço como a tranca final da porta diante de vocês.
-
Muito didático. - Ele olhou para Harry. - Sua vez, Harry Potter. Você é o herói
por aqui. Aproxi... - Ele se interrompeu. - Onde está o outro?
Com
toda a conversa e o drama, ninguém, nem mesmo Harry ou os inimigos, notaram que
Ted havia desaparecido.
-
Ele se transformou. - Omincron disse. - Bastardo esperto esse.
-
Edward Lupin. Apareça, ou mataremos todos os presentes aqui.
Ted
surgiu atrás de Omincron, agarrou sua mandíbula e, num único movimento, quebrou
o pescoço do inimigo. Harry teve a chance de sacar suas varinhas dos
dispositivos. Antes que os outros pudessem perceber, ele já estava duelando com
o mascarado.
-
Ted - Harry disse - tire as crianças daqui! - Ao perceber que o adversário era
muito habilidoso, ele acrescentou: - Depois volte, vou precisar de você!
Ted
guiou os três para saída que levava a Hogwarts, entretanto, apenas Rose e Richard
haviam passado quando uma quimera se entrepôs entre Ted e Alvo; o menino ficou
par dentro da caverna, e Ted na saída. Outra surgiu. Cada uma encarou um deles.
-
Alvo, corra! - Ted gritou; uma das quimeras encurralando-o, impedindo que ele
fosse para caverna ajudar Harry.
O
menino correu em direção ao pai, entretanto, uma terceira quimera estava diante
dele. Ele estava cercado. Estava com medo, muito medo.
-
PAI! - Foi tudo o que conseguiu gritar.
-
Pare de lutar, Harry Potter, ou seu filho virará merda de quimera. - Harry
cessou seu ataque. - Agora, largue uma delas e venha até mim. Sabe o que fazer,
não? E se tentar mirar em mim, já sabe também.
-
Crucio.
Nada
aconteceu. Nenhuma luz saiu da varinha de Harry, muito menos a porta abriu-se.
-
Por que não está funcionando? - Ele disse, incrédulo. - Por que não está
funcionando!? - Vociferou em direção as sombras. - Eu sei que está ai, moleque.
Diga, por que não está funcionando? - Entretanto, o bruxo das trevas não
recebeu resposta. - Mate Alvo.
-
Por que ele está pronunciando errado! - Rose gritou, do fundo da escuridão.
-
O que quer dizer? Ele pronunciou o feitiço corretamente!
-
O que ele pronunciou foi a Maldição para causar dor, que é a mesma, porém
modificada pela família Malfoy.
-
E QUAL É A MALDITA PRONÚNCIA?! - Ele gritou; apesar da voz estar abafada pela
máscara, foi assustadora do mesmo jeito.
-
Cruciatis. - Foi Alvo quem respondeu.
- Assim é a pronúncia.
-
Ouviu o garoto. - Olhou para Harry. - Faça o maldito feitiço.
Ele
apontou a varinha mais uma vez para porta e disse a palavra. Um raio de luz
verde saiu da ponta de sua varinha e, no momento que tocou o símbolo armênio na
porta, este também iluminou-se, assim como as doze varinhas que formavam o
círculo. Um brilho prateado dividiu a porta em dois. Um cheiro horrível de mofo
subiu ao nariz de todos os presentes.
O
mascarado entrou sem hesitar. Dentro do salão redondo havia apenas um altar de
pedra com uma caixa comprida de madeira, dentro da qual estava a varinha de
Slytherin. Agora, tudo que o bruxo das trevas precisava conseguir era a chave
de ouro, que a abriria. Ele ficou alguns minutos ali dentro, observando a caixa
com cautela.
Nesse
meio período, cinco professores de Hogwarts entraram na caverna. Neville os
liderava o time, Podmore e Flitwick logo atrás. O nome dos outros dois fugiram
da mente de Harry. Rapidamente, eles destruíram as quimeras, colocaram as
crianças em segurança e encurralam o mascarado dentro sala onde se encontrava.
-
Bem, já consegui o que vim buscar. - Antes que qualquer um pudesse fazer
qualquer coisa, ele aparatou, levando consigo a varinha de Slytherin.
-
Droga! - Harry vociferou; ele recolheu as varinhas das portas, incluindo a sua
própria de azevinho e pena de fênix.
-
Posso saber o que exatamente está acontecendo aqui? - Minerva surgiu da
escuridão, inquisidora como todo diretor de Hogwarts.
-
Vamos conversar mais tarde, senhora McGonagall. - Harry disse. - Mas antes preciso
entrar em contato com o Ministério imediatamente.
Ele
e Ted foram direto para sala de Minerva, que estava exatamente igual de quando
era de Dumbledore. Até mesmo a penseira estava ali. A única coisa que faltava
era Fawkes, a fênix que pertencera a ele.
Harry
narrou os acontecimentos até ali, deixando escondido informações secretas, como
a invasão de Azkaban ou a liberdade de Lucius. Contou tudo o que podia, até que
chegou a vez dele de perguntar: por que ela havia escondido sua amizade com
Coraline.
Ela
contou a mesma história que tinha contado a Rose e Alvo. Harry foi compreensivo
e aceitou o que ela dizia como verdade. Ela tirou um notebook da gaveta, com o
qual Harry conversou diretamente com o Ministro através do webcam.
Já
que estava em Hogwarts, afinal de contas, Harry matou a saudade. Andou por
todos os corredores, foi a torre da Gryffindor, viu seu antigo quarto e sua
antiga cama, que agora era, coincidentemente, ocupada por Tiago. Teve uma
refeição com eles naquele dia e, depois, foi visitar Hagrid. Bateu na porta com
força, ou caso contrário o gigante não ouviria. Hagrid escancarou a porta e cumprimentou-o
parecendo vermelho e excitado.
-
Está quase furando. - E o conduziu para dentro.
Havia
um ovo sobre a mesa. Tinha fundas rachaduras. Alguma coisa se mexia dentro
dele, fazia um barulhinho engraçado. Era uma sensação nostálgica para o bruxo,
que lembrava muito bem de já ter encontrado o guarda-caça naquela mesma
situação.
-
Estamos tendo um dragão-bebê de novo, Hagrid? - Ele não conseguia parar de
sorrir, apesar da derrota sofrida a algumas horas.
-
Mas é claro, Harry. - Hagrid abraçou o velho amigo, a quem vira crescer. - Você
me conhece.
Naquele momento, Harry se sentiu com onze anos
novo. Sentiu saudade de tudo e de todos. Talvez fosse pela derrota ou pela
nostalgia ou, até mesmo, uma consequência do feitiço Cruciatis feito a pouco tempo, tudo que ele sabia era que não
aguentava mais. Harry Potter, então, chorou nos ombros no seu amigo bruxo de
mais longa data.
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