Elena
abriu os olhos e não reconheceu o teto sob o qual estava. Não era o teto do
barco, ela saberia se fosse, pois não era feito de madeira podre. Estava
deitada num banco macio e gelado, feito de couro falso. Estava em movimento.
Mas de onde e para onde? Sentou. Estava dentro de uma carruagem puxada por
cavalos - uma daquelas antigas que vemos em filmes de época. Anúbis não estava
com ela.
A
cidade do lado parecia com o Cairo, no Egito, onde conhecera o Professor
Collor, que acabou possuído por Anúbis. Onde, também, começara sua aventura.
-
Você finalmente acordou! - Anúbis gritou do lado de fora.
Ela
olhou pela janela apenas para ver o deus conduzindo a carruagem puxada por dois
esqueletos de cavalos.
-
Eu não me dei bem com aquelas carruagens de metal sem cavalos, então resolvi ir
do mesmo modo como nos locomovíamos no meu tempo.
-
Onde estamos?
-
Na cidade principal dos hebreus: Jerusalém.
-
Há quanto tempo estou dormindo?
-
Quase três dias.
-
O que? - Ela quase gritou. - Três dias!
- Usar
magia egípcia requer uma quantidade acima da média de energia, pois apenas os
deuses são capazes de fazer os feitiços. Por isso, se um humano pode usar nossa
magia significa que, no mínimo, ele descende diretamente de nós, o que nunca
aconteceu, ou esta possuído por um de nós, como o Professor Collor aqui. -
Anúbis explicou. - Você não ter morrido é um verdadeiro milagre.
-
Pra onde estamos indo?
-
Para o principal templo de Jerusalém. O sacerdote deve saber tudo sobre os
dragões. - A carruagem parou de repente. - Chegamos.
Eles
entraram no templo onde não havia nenhuma cadeira. No altar havia algo que
parecia um baú de ouro. Na tampa do baú havia dois anjos ajoelhados e com as
asas esticadas um para o outro, como se protegendo o conteúdo do baú. Se ela
não estava enganada, aquela era uma réplica da Arca da Aliança - a original
estava perdida há muito tempo. Havia algumas pessoas ajoelhadas de testa no
chão, orando. Clamando com todas as forças ao Deus de Israel.
Elena,
incrédula como era, sentiu pena deles.
Anúbis
sussurrou uma frase que ela deduziu ser em hebraico, mas não sabia o que podia
significar. Ele repetiu a frase sete vezes.
Um
homem saiu de um dos corredores atrás do altar. Ele usava uma túnica longa e
colorida que arrastava até o chão. Tinha a barba longa e branca, como a neve, e
seus cabelos ondulados eram no mesmo tom. Rugas espalhavam-se por todo seu
rosto e mãos - as únicas porções de pele a mostra.
-
Quem chama o sacerdote do Senhor?
-
Eu. - Anúbis respondeu de prontidão. Ninguém levantou a cabeça de suas orações.
-
Siga-me. - Eles seguiram o velho pelo corredor lateral. - Como você conhece os
métodos antigos? - Ele disse quando estávamos sozinhos.
-
Por que eu sou antigo. Não se confunda por minha aparecia, pois sou mais velho
do que o senhor.
Eles
entraram em um escritório. Havia ali uma mesa de madeira nobre com uma cadeira
de cada lado. Atrás da cadeira havia uma janela imensa que tinha uma vista
linda da cidade. Encostadas nas paredes em volta da mesa havia estantes imensas
com incontáveis livros e pergaminhos de aparência antiga.
O
velho parou de frente a estante da direita e disse algo em hebraico. A estante
afundou na parede e deslocou-se para a direita, revelando uma passagem de pedra
escura. Elena estava com um mau pressentimento quanto aquilo. O sacerdote
entrou, Anúbis o seguiu e ela não teve outra escolha a não ser acompanhá-los.
Assim que pisaram dentro do túnel, dezenas de tochas iluminaram o caminho, que
descia vários metros para o subterrâneo.
Eles
chegaram a uma biblioteca ainda maior que a anterior. Porém nessa havia apenas
estantes com pergaminhos. Na extremidade de cada estante havia uma estátua de
homem feita de pedra. Cada uma tinha pelo menos dois metros de altura. Eles
lembravam o Coisa do Quarteto Fantástico da Marvel.
-
Aqui poderemos conversar com mais tranquilidade. - Disse o velho. - Então, o
que buscas, deus? - Anúbis notou o tom sarcástico na voz dele.
Como ele soube?, Elena pensou.
-
Nós buscamos os dragões.
-
Qual seu interesse nessas criaturas?
-
Conhecimento.
-
Como vês, estamos dentro do local que possui os conhecimentos mais antigos da
humanidade. Então, porque queres chegar aos dragões?
-
Precisamos de informações sobre a Sr̥ṣṭi.
-
Entendo. - O velho andou pelas estantes e pegou um pergaminho. - Aqui estás o
conhecimento que buscas, porém não posso dá-lo a uma criatura que não venha do
Senhor.
Ele
andou até uma das estátuas. Com um movimento de braço, o peito dela se abriu,
onde ele depositou o pergaminho, então a abertura fechou. Depois ele disse algo
que eles não entenderam. A estátua piscou duas vezes.
Ela
estava viva.
Olharam
em volta. Todas as estátuas estavam se movendo. Elas eram um total de doze.
-
Golens. - Anúbis disse antes que ela pudesse perguntar. - Foram criados para
proteger os Judeus nos tempos antigos. Nós, os deuses do Egito, lutamos com
vários deles quando os escravizamos.
-
Como nós os matamos?
Anúbis
não respondeu. Elena não achou isso bom.
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