Ted
bufou, bateu o pé, mas por fim aceitou a proposta do padrinho. Sentou-se na
cadeira de frente a ele e encarou seus olhos verdes. Como Harry ousou ter feito
isso com ele? Comprar o espelho mesmo sabendo que o rapaz o queria; que juntou
cada galeão que conseguiu para isso. Ted nunca sentiu tanta raiva de alguém.
-
Ted, - Harry começou -, muitos anos atrás eu encontrei o Espelho de Ojesed e,
assim como você, vi meus pais nele. Afinal, esse era... Acho que ainda é, o
maior desejo do meu coração. Talvez até do coração de todo órfão. Passei muito
tempo olhando-o; vendo meus pais nele.
O
rapaz viu nos olhos de Harry a mesma dor que Ted tinha em seus olhos. Não... Era
uma dor ainda pior. Era dor de alguém que cresceu sem conhecer o amor não
apenas de seus pais, mas de todos os outros. Alguém que fora desprezado, ou até
mesmo odiado, por aqueles que cuidavam dele. Os tios dele, os Dursley, nunca
lhe deram amor algum. Contudo, Ted, crescera com sua avó, que sempre o amou e
cuidou dele; ele cresceu com Harry, que também sempre o amou como um filho. Sem
dúvida a infância do padrinho fora muito mais sofrida e solitária que a sua.
Sem contar toda a responsabilidade que tivera em relação ao fato de ser aquele
escolhido para derrotar Voldemort. A raiva de Ted sumiu por completo; seu
cabelo voltou ao tom castanho-claro convencional.
-
O Espelho de Osejed é um objeto poderoso e repleto de magia das trevas. Um
velho muito sábio me disse algo sobre ele.
-
Dumbledore? - Ted arriscou.
-
Ele mesmo. Eu ainda sou capaz de me lembrar de suas palavras: “Esse espelho nos mostra nada
mais nem menos do que o desejo mais intimo, mais desesperado de nossos
corações. Você, que nunca conheceu sua família, a vê de pé a sua volta. Porém,
o espelho não nos dá nenhum conhecimento nem a verdade. Já houve homens que
definharam diante dele, fascinados pelo que viam, ou enlouqueceram sem saber se
o que o espelho mostrava era real ou sequer possível. Não faz bem viver sonhando
e se esquecer de viver”. -
Por quanto tempo essas palavras ecoaram
em seu coração, padrinho?, Ted se pegou pensando. - Teddy, me prometa que
nunca mais irá procurar esse espelho. Essa busca não fará bem nenhum a você!
-
Desculpe-me padrinho, mas eu preciso fazer isso.
Harry
levantou, foi até uma prateleira na direita e puxou um livro. A estante do meio
veio para frente e deslizou para o lado, revelando uma porta imensa de aço. Um
cofre feito pelos mesmos duendes que fabricaram os cofres de Gringotes guardava
os tesouros mais preciosos de Harry. Sacou sua varinha de azevinho, num
movimento vertical, ele abriu o cofre.
Dentro
encontravam-se dezenas de varinhas, incluindo aquela que é gêmea a sua e foi
empunhada pelo bruxo das trevas. Uma das regras do manual para Aurores era:
seja sempre o mestre de mais de uma varinha. Ele era mestre de várias. Cada
inimigo que ele derrotava perdia a posse de sua varinha para ele, com isso ele
construíra um arsenal incrível. Ali também havia um pequeno projeto mecânico.
Uma técnomagia simplória.
Seus
dois filhos, Tiago e Alvo, eram fãs de um jogo de vídeo game trouxa chamado Assassin’s Creed. A arma principal das
personagens principais era uma adaga que ficava escondida sob a manga da roupa
dele; a Hidden Blade. Tiago, então,
desenhou um projeto que surpreendeu a toda sua família. A ideia era a mesma da Hidden Blade, contudo, no lugar da
lâmina, colocariam as varinhas. Isso facilitaria muito o sacar da varinha num
duelo ou até mesmo carregá-la. No entanto, o Ministério não aprovou o projeto
por ser “de uma criança”. Assim, apenas dois protótipos estavam em uso - por
Harry - que ele e seu filho construíram.
Harry
pegou os dois protótipos e amarrou-os aos pulsos. Enquanto ajeitava as amarras,
ele falou:
-
Por que quer tanto assim esse espelho?
-
Quando eu era criança, fui até a loja Borgin & Burkes e vi meus pais no
Espelho. Mas não apenas, meu pai me disse algo! Eu passei anos estudando para
saber o que foi.
-
Você sabe que o Espelho não irá acrescentar conhecimento algum. - No aparelho
da mão direita ele colocou sua própria varinha, na da esquerda colocou a de
Voldemort, que, por ser gêmea da sua, os feitiços eram conjurados com mais
facilidade do que as outras que ele era mestre. - Acabei de lhe explicar isso.
- A roupa que ele usava permitia que ele colocasse às costas, presas ao cinto,
outras duas varinhas, em que ele colocou uma de freixo e outra de sabugueiro,
que ele não se lembrava a quem pertenciam. Então, pegou uma última varinha, que
pertenceu a Lucius Malfoy, e guardou em um dos bolsos do casaco.
-
Eu sei! Mas eu preciso disso, Harry! Você mais do que qualquer um deve entender
isso!
Harry
entendia. Sabia o quão forte era a necessidade de se saber o que os pais, mesmo
mortos, pensam de nós. Se repudiariam suas ações ou se sentiriam orgulho. Ele
mesmo já fizera isso, dezenove anos atrás quando estava prestes a morrer. Harry
usou a Pedra da Ressurreição para invocar Lupin, Sirius, Tiago e Lilian; ele
precisava encarar Voldemort sozinho, mas ao mesmo tempo, não podia ir sozinho.
Esses quatro foram com ele até o fim, mas nada do que foi dito até naquele dia
significou mais do que a singela, um tanto constrangida frase de seu pai: “Nós estamos... muito
orgulhosos de você”.
-
Ted... Eu... - Uma batida na porta interrompeu a triste conversa. A cabeça de
Luna surgiu no vão.
-
Harry. - Ela disse. - Lucius está lúcido. Podemos interrogá-lo.
-
Nós vamos conversar mais sobre isso depois, Ted. - Harry disse saindo pela
porta atrás de Luna.
_____________________________
Ted
fitou a mesa de Harry por longos minutos antes de decidir ir para sua casa, que
felizmente não era mais a de sua avó. Ele tinha um apartamento próximo ao
centro de Londres, de onde ele podia ver a torre do Big Ben, claro que ela não
era tão grande assim visto de lá, mas
dava para ver. É o que importa.
Apesar
de seus sentimentos estarem conflitantes, Ted ainda queria ver o Espelho de
Osejed. Não tinha estudado tantos anos para simplesmente desistir. Mas Harry...
Sabia que o magoaria se continuasse a empreitada. Não queria magoar o padrinho.
Ele
seguiu direto para a saída. Enquanto cruzava o hall principal, onde dezenas de
funcionários e visitantes iam de um lado para o outro; aparatavam, brotando do
ar repentinamente; e surgiam em lareiras que serviam de chaves de portal, um
dia comum na rotina do Ministério da Magia. Ted esbarrou em um bruxo que devia
ter quase dois metros e meio de altura. O bruxo desculpou-se, dando a Ted uma
boa chance de captar alguns detalhes físicos do bruxo, além da altura.
Suas
feições eram quadradas, seus braços eram do tamanho do tórax de Ted. Ele tinha
olhos verdes, umas sardas aqui e ali. Seu cabelo estava cortado rente ao couro
cabeludo, mas ainda deixava claro que ele era ruivo, também sua barba era um
indicio disso. Ele provavelmente era escocês. Contudo, apesar de sua aparência
impressionante, outra pessoa chamou sua atenção.
Havia
algo errado com um homem que andava um pouco na frente do grandalhão escocês.
Na visão de Ted, sua imagem trepidava, como se fosse uma TV com chuvisco. Em um
momento seu cabelo era castanho, seus ombros estreitos; em outro ele era um
idoso com cabelos grisalhos e costas encurvadas.
Os
dois fizeram um movimento parecido ao retirar de máscaras suas vestimentas.
Havia um estranho símbolo desenhado em cada uma delas. Ted já vira esse símbolo
antes, mas onde? Algo estava errado. Um terceiro homem do outro lado do salão
também vestia sua máscara. Ted sacou sua varinha, apontou para os estranhos,
agora mascarados e ordenou que parassem.
_____________________________
Harry
encontrou com Rony no corredor. Seguiram para sala de interrogatório, onde o
Ministro e Luna já estavam. Lucius estava jogado em uma cadeira com olheiras
tão grandes que mal se via os olhos. Como Sirius, ele estava magro e pálido, a
vida lhe escapando pela pele, mas ele parecia muito pior do que o padrinho de
Harry estava quando saiu da prisão. Hilda estava ao lado dele junto com uma
equipe de bruxos de jaleco branco. Todos tinham as varinhas em mãos e faziam um
movimento circular em volta de Lucius; as pontas emitiam um brilho avermelhado.
-
Ai está ele! - Lucius disse sua voz tão fraca quanto ele parecia estar. - O
herói que derrotou o Lorde das Trevas. É uma honra reencontrá-lo.
-
Faz muito tempo, não?
-
Você está velho.
-
Você também. - Harry retrucou com um sorriso; apesar de ele ter sido um inimigo
durante muito tempo, o Auror sentia pena dele. - Lucius, preciso que você me diga
o que aconteceu em Azkaban.
-
Não. - Ele disse de forma bruta. - Não enquanto eu não ver minha esposa e
filho.
Harry
trocou olhares com o Ministro, que disse:
-
Mande chamar Draco imediatamente. - Harry então se aproximou de Shacklebolt.
-
Senhor. - Sussurrou. - Devemos contar a ele?
-
Deixe que Draco conte. - Ele respondeu. - Sente-se. Vamos esperar.
Nenhum
deles falou uma palavra se quer enquanto esperavam o filho do prisioneiro
chegar. Harry, contudo, não sentou e ficou andando de um lado para o outro.
Finalmente teria uma pista clara de onde poderia estar sua família. O livro,
que estava ainda com o Ministro ainda era um total mistério. Depois de dez
minutos, Draco chegou.
Assim
que o homem de cabelos brancos entrou e viu o pai, correu para abraçá-lo. Com
lágrimas no rosto trocou palavras de afeto com o pai, que Harry não pôde ouvir.
O Auror achou estranha uma demonstração de carinho assim entre os Malfoy.
Talvez os anos tenham mesmo amolecido o coração de Draco e Lucius. Ele sorriu.
-
Onde está Narcisa? - Lucius perguntou.
-
Pai. - O rapaz respondeu com peso na voz. - Minha mãe... Ela morreu há alguns
anos em Azkaban.
Se
é que era possível, Lucius ficou ainda mais pálido. Seus olhos fundos ficaram
do tamanho de laranjas, pelo choque.
-
Eu... Entendo. - Gaguejou. - Eu mesmo aguentei por pouco aquele lugar. Sua mãe,
fraca como era, não duraria muito. Então, o que querem saber? - Tornou os olhos
para Harry.
-
O que aconteceu em Azkaban?
-
O Inferno, Potter, foi isso que aconteceu. Começou quando um novo prisioneiro...
A
súbita mudança na cor do ambiente cortou a fala do prisioneiro. A luz na sala
estava num tom alarmante de vermelho, que apenas podia significar uma coisa: o
Ministério estava sob ataque. Harry trocou olhares entendidos com os bruxos na
sala.
-
Leve Lucius para um lugar seguro. - O Ministro disse para Luna. - O resto de
vocês e eu vamos imediatamente ao hall.
-
Luna! - Harry disse. - Leve-o para... - Ele sussurrou um endereço em seu
ouvido.
Harry
era o fiel do segredo de uma das casas que ele mesmo comprara para ocasiões
assim. Apenas ele, Gina, Rony e Hermione sabiam como chegar naquela casa
conhecida apenas por “Cabana” entre eles.
-
Pra onde o mandou?
-
Para a Cabana.
O
Auror notou pelos olhos de Rony que ele não sabia do que ele falava. Estranhou,
mas deixou de lado. Havia algo mais importante para resolver. Luna agarrou
Lucius e, antes de aparatar, o moribundo vociferou:
-
Eu não vou sem meu filho!
-
Vá, pai. Eu faço parte do Ministério. Preciso protegê-lo. - Draco afirmou, com
uma cara triste.
Lágrimas
escorreram pelo rosto do velho bruxo, que fitou o filho incrédulo. Harry nunca
imaginou que um dia vê-lo-ia chorar; talvez fosse por emoção de ver Draco
adulto ou por ter que abandoná-lo, mas, fosse qual fosse a razão, aquilo era
algo inédito.
Draco
abraçou-o por um longo minuto antes de deixar Luna aparatar com ele.
Os
dois antigos inimigos trocaram olhares e, com o onipresente olhar superior dos
Malfoy, Draco disse:
-
Tome conta do meu pai. - E sorriu.
Ao
longo de tantos anos trabalhando juntos, Harry passara a respeitá-lo, e Draco,
a Harry. Eles eram obrigados a tolerar-se.
Alguns
dos bruxos que estavam no interrogatório correram por um corredor até o
elevador, contudo, Shacklebolt, Harry e Rony, foram pelas escadas. Era mais
rápido.
O
hall era uma bagunça indescritível. Paredes e pilastras destruídas, papel
rasgados e pó estavam para todos os lados. No entanto, a situação parecia sob
controle. Todos os bruxos que Harry conseguia ver, incluindo eu afilhado Ted,
apontavam suas varinhas para os três homens que estavam no meio de um círculo.
Dois
dos homens tinham varinhas em mãos, porém o terceiro não tinha.
O
terceiro homem estava posicionado de forma animalesca, fitando a todos com uma
selvageria que Harry não achava possível. Ele tinha o cabelo cumprido, com
vários fios indo de um lado ao outro aleatoriamente. Suas duas mãos queimavam
uma chama estranhamente roxa. Ele nunca tinha visto algo assim. “Aquela magia não era... Bruxa”, a voz
do guarda moribundo de Azkaban veio a sua mente. Será que era aquilo o que ele
queria dizer? Se aquele homem não era um bruxo, o que era? E como ele fazia
mágica sem uma varinha?
Os
três usavam máscaras. De onde estava, o herói conseguiu ver o símbolo da Triskelium nas máscaras perfeitamente.
Aqueles, deduziu, eram os homens que haviam levado sua família. Ele sentiu uma
súbita raiva incontrolável e, sem pensar, avançou de punho fechado em volta de
sua varinha.
No
entanto, uma varinha em seu pescoço o impediu.
Na
outra ponta dela estava Rony Weasley.
-
O que você está fazendo?! - Harry disse, incrédulo.
-
Você vai vir, ou não? - Um dos mascarados gritou.
Rony
arrancou a varinha de Harry de sua mão e as duas de seu cinto. Ele não tocou
naquelas que estavam presas no mecanismo em seu pulso. Harry ficou feliz por não
ter mostrado as invenções para ele.
-
Vamos andando, Potter.
-
O que você está fazendo?! - Vociferou. - Está louco? Por que está fazendo isso?
-
Eu tinha três objetivos: o livro, Lucius e você. - Rony contou, enquanto
andavam. - Mas as coisas ficaram fora de controle por causa do Wendigo e o
livro está com o Ministro e Lucius em algum lugar que só você sabe.
Aquilo
soou como um tiro... “só você sabe”.
-
Além disso, você possui as três Relíquias da Morte. Nós a queremos.
Assim
que se juntou aos outros três, Harry desapareceu com eles no instante seguinte.
_____________________________
Seu
padrinho ser raptado diante dos olhos de Ted, mesmo que ele tenha sido o
primeiro a detectar os intrusos, interceptá-los e mandar o ataque, trouxe uma
sensação de derrota a Ted. Seu tio foi levado mesmo os invasores estando em
menor número e cercados. Foi preciso uma traição para conseguir levá-lo; se
algo acontecesse com Harry, Rony iria pagar muito caro por isso.
Todos
os bruxos presentes se movimentaram. Uma nova crise e novos inimigos haviam
surgido para acabar com os dezenove anos de paz. Para piorar, eles haviam
começado da pior maneira possível: sequestrando o maior herói do mundo apenas
para abalar toda a comunidade bruxa. O Ministro dava ordens para todos os
presentes, fossem funcionários ou não, apesar de que Ted não ouvia nada. Estava
em choque.
Devagar,
como se seus membros não respondessem aos comandos de seu cérebro, ele pegou as
três varinhas retiradas de Harry. Nenhuma era realmente a dele. O padrinho
nunca saía sem sua varinha. Ele se sentiu um pouco aliviado, pois seu padrinho
tinha uma chance de defesa. Ted tinha que ajudá-lo o mais rápido possível, mas
por si só seria incapaz de descobrir para onde ele fora levado.
Entretanto,
ele tinha sabia de algo. O símbolo nas máscaras dos invasores ele já tinha
visto em algum lugar. Enquanto forçava sua memória, uma mulher veio andando em
sua direção. Ela era mais baixa que ele, de cabelos loiros e olhos castanhos.
Lilá estava com machucados que estavam se curando aos poucos, mas ainda mais
rapidamente que qualquer humano - uma das poucas vantagens de ser um lobisomem.
-
Edward! - Ela parecia com pressa. - Preciso conversar com você. Sobre Harry e o
livro que ele estava investigando antes de ser raptado.
-
Me fale! - Sem dúvida o que ela tinha para falar tinha algo a ver com o símbolo
das máscaras.
-
Ele leu um livro escrito por Rowena Ravenclaw. - Explicou. - Se eu me lembro
direito, no livro eles estavam indo atrás de uma organização secreta chamada Triskelium.
O
nome ativou o cérebro de Ted, que lembrou-se onde tinha visto o símbolo.
Durante algum tempo, após sua primeira visita a Borgin & Burkes, Ted visitou
a Travessa do Tranco diversas vezes. Em uma dessas viagens, ele passou por uma
estranha e escura loja de joias mágicas. Havia diversos medalhões, incluindo um
Vira-Tempo e o Medalhão de Slytherin que um dia foi uma Horcrux de Voldemort.
Havia ali um medalhão que era mais caro que todos os outros. O símbolo das
máscaras era o pingente; na descrição da peça dizia: “este é o Triskelium, símbolo da organização
secreta homônima”.
-
Preciso ir para a Travessa do Tranco! - Ele disse de repente.
-
Por quê?
-
Essa Triskelium... Uma vez vi um
medalhão disso lá.
Antes
que Lilá pudesse dizer qualquer outra coisa, Ted sacou sua varinha e aparatou,
surgindo próximo ao Banco Gringotes. Desceu apressado a Travessa, chegando a
esbarrar em alguns bruxos mal-humorados, que pareciam ser das trevas. A loja Falklands-Malditas
ficava no final da rua, bem depois da Borgin & Burkes; ela era pequena, com
uma vitrine de no máximo um metro e meio de largura, mas com uns três de
altura. Ao lado dela havia apenas uma porta de madeira lixada. Ted procurou o
medalhão na vitrine, mas não o encontrou. Por isso, entrou na loja.
Ela
era bem mais ampla por dentro do que parecia por fora. Havia três balcões,
formando um “U”; uma cortina de pano partido separava a frente, onde ficavam os
clientes, do fundo, com o escritório, estoque, e um cofre magicamente selado
com os objetos mais raros e caros. Na parte da frente, onde Ted estava, os três
balcões serviam de mostruário, em que várias peças estavam em exibição. Colores
amaldiçoados, brincos capazes de fundir duas pessoas, varinhas que um dia
pertenceram a bruxos famosos, ovos de vários tipos de animais. O item mais raro
ali era escama de dragão albino das neves - um tipo de dragão incomum do
extremo norte do Canadá e Groelândia. Ainda nem sinal do medalhão Triskelium.
Um
homem alto, magro, de nariz adunco e fino, sobrancelhas e boca tênues entrou na
loja vindo dos fundos da loja. Seus olhos astutos e espertos, como de alguém
que costuma aplicar golpes, eram de um tom entre o verde musgo e o castanho. O
cabelo, já grisalho, era um tanto cumprido, mas bem cortado na altura do
pescoço. Ted já o tinha visto algumas vezes, conhecia seu nome, mas nunca havia
falado com ele ou entrado em sua loja. Pallaton Tulloch Gold era uma lenda do
submundo bruxo. Qualquer item mágico que você precise ele pode ter e, se não
tiver, ele dará um jeito de conseguir.
-
Boa noite, Sr. Gold. - Ted cumprimentou.
-
Edward Lupin, não? - Sua voz não era grave nem aguda, mas era um tanto rouca.
-
Isso. - Por alguma razão, o rapaz sabia que Gold devia ser temido. - Alguns
anos atrás eu vi um medalhão na sua vitrine.
-
Você precisa ser mais especifico, meu jovem, tenho centenas desses por aqui.
-
O Triskelium.
-
Ah, sim. Muitas pessoas estão com um interesse particular nessa peça. Porém,
infelizmente, o vendi há cerca de dois anos.
-
Vendeu a quem?
-
Me desculpe, Sr. Lupin, mas minha relação com meus clientes não é da sua conta.
- Como Ted não respondeu ou se mexeu, ele acrescentou: - Mais alguma coisa?
-
Meu padrinho, Harry Potter, está desaparecido. E a única pista que temos é esse
símbolo.
-
Harry Potter me fez perder dezenas de clientes. Ele é a última pessoa que
desejo ajudar.
Ted,
então se lembrou de uma coisa que Tom, o barman do Caldeirão Furado, disse
sobre Gold: ele gosta de fazer acordos.
-
E que tal se nós fizermos um acordo? - Arriscou.
- Agora você está falando minha língua, Sr.
Lupin.
0 comentários :
Postar um comentário