Yanka
sem dúvida era a melhor adição ao time. Alvo estava certo disso. Ela era
simpática, parecia saber guardar segredo e sem dúvida toparia a missão. Achou-a
no salão comunal sentada sozinha em um canto. Ela lia um livro que não parecia
ser de matéria, e sim, ficção. Alvo reparou então na capa do livro e
reconheceu-a de imediato. Era o mesmo livro que ele está lendo, A Maldição de Romeu e Julieta, de um
autor trouxa brasileiro que agora lhe fugira o nome.
-
Esse livro é muito bom. - Quebrou o silêncio assim que se aproximou. - Também
estou lendo.
Ela
não respondeu, provavelmente estava irritada devido à grosseria dele mais cedo.
-
Olha, me desculpe pelo jeito que falei com você agora a pouco. É que muitas
coisas aconteceram e eu não estava com muita cabeça para conversar sobre outras
coisas. - Alvo parou por um momento enquanto ela fitava-o com desdém; ele,
então, decidiu contar o que acontecera com ele e com seu pai; depois disso, ela
pareceu muito mais receptiva. - Então... Estou lendo esse livro também.
-
Está em qual parte?
-
Estou na metade. Acabei hoje a primeira parte.
-
Não conta! - Ela disse com um sorriso; por alguma razão, Alvo se sentiu
extremamente aliviado por recuperar a amizade da menina. - Eu ainda estou no
começo.
-
Então... O que você acha de roubar o celular do meu irmão de um professor?
Yanka
abriu o maior sorriso do mundo. Alvo teve certeza de que nunca tinha visto
ninguém abrir um sorriso tão grande com a ideia de fazer algo errado. Talvez, pensou, eu goste dela.
-
Tô dentro.
-
Vem comigo. - Ele saiu do salão e ela o seguiu.
Voltaram
ao pátio onde encontraram os três, Rose, Rick e Scorpius. Assim que chegaram,
Rose passou a explicar o plano. Eles precisariam que a escola estivesse com poucos
professores, o que aconteceria apenas no começo do inverno, quando levariam os
alunos mais velhos a Hogsmeade. Ou seja, tinham tempo para se prepararem.
Em
uma manhã fria de outono, Alvo levantou
mais cedo que o de costume, assim poderia tomar banho mais sossegadamente do que
tomaria quando todos levantavam. Voltou ao quarto e tentou pentear o cabelo, em
vão. Seu cabelo era desgrenhado e rebelde, não obedecia aos comandos do pente -
outra herança de seu pai. Vestiu o uniforme de sua casa. O verde e prata
combinavam com seus olhos. Pegou a Nimbus 2001 lembrando-se de mandar uma
coruja para o pai pedindo uma vassoura nova. Respirou fundo, para acalmar os
nervos, e saiu em direção ao campo.
Derrick Fafnir, o rapaz do quinto
ano que convidara Alvo para o time, estava no campo com um ou dois veteranos,
que tinham tamanho para ser do último ano. Um deles era alto, magrelo e de pele
morena que deveria ser o goleiro; o outro era um pouco menor, porém mais forte,
como Derrick. Esses dois últimos tinham tacos nas mãos, eram batedores. Havia
vários outros alunos ali, todos usando equipamentos de Quadribol. Eram
candidatos ao time.
- Bom dia, senhores. Meu nome,
para quem não me conhece, é Derrick Fafnir, mas podem me chamar de capitão.
Esse é Domenic Zsafir. - Apontou para o mais forte. - Ele e eu somos os
batedores. E esse é Sayid Jarrah, apesar do nome e da aparência, ele é inglês,
mas os pais são árabes mesmo. Ele é nosso goleiro. Todos nós estamos no quinto
ano. Os outros membros do nosso time se formaram ano passado, então precisamos dos
três artilheiros e do apanhador. Vamos começar com o apanhador. Quem aqui veio
fazer o teste para essa vaga?
Alvo levantou a mão timidamente;
não gostava de chamar atenção. Porém, uma menina que até agora ele não tinha
notado, levantou a mão do meio dos calouros determinadamente. De onde estava,
Alvo só conseguia ver sua mão. Yanka saiu do meio das pessoas, e posicionou-se
de frente ao grupo. Além dos dois, mais dois meninos haviam se candidatado.
- Quais são os seus nomes? - O
capitão perguntou, indicando para que o primeiro da fila, Alvo, se apresentasse
primeiro.
- Sou Alvo Severo Potter.
- Sou Drogo Kallavar. - Disse o
menino seguinte.
- Petyr Daryu.
- Yanka Hezron.
-
Vamos iniciar o teste. É bem simples. Aqui está o Pomo de Ouro. - Ele tirou uma
pequena bolinha de ouro de um baú que estava atrás dele. - O desafio é
capturá-lo. Contudo, para não termos o ganhador por sorte, será uma melhor de
três. Aquele que apanhar o Pomo duas vezes será escolhido como apanhador.
Entendido?
-
Sim. - Os candidatos disseram em uníssono.
-
Montem em suas vassouras.
Derrick
levantou o Pomo para o alto e soltou-o. Em poucos segundos estava fora de
vista.
-
Agora! - Gritou, sorrindo.
Os
quatro calouros voaram. Alvo conseguiu avistar a esfera dourada batendo suas
ligeiras asinhas próximas aos goles. Imediatamente foi para ele; olhou para
trás e viu apenas Drogo e Petyr, Yanka estava totalmente fora de vista. Quanto
tornou os olhos para frente, ela vinha do lado oposto, indo de encontro ao
Potter. Como ela chegou ali tão rápido?,
o menino pensou, deitando um pouco para frente, a fim de ganhar velocidade - um
truque que seu pai lhe ensinou nas poucas vezes em que tentou voar de vassoura.
Yanka fez o mesmo.
A
esfera estava ao alcance de suas mãos, mas subiu numa velocidade impossível na
vertical. Quase trombou com a amiga, mas desviaram no último segundo subindo em
um voo vertical paralelo. Passaram a perseguir o Pomo praticamente juntos,
esqueceram-se completamente dos outros competidores. Alvo, bem devagar, começou
a ficar para trás. Ela era mais leve, portanto, mais rápida. Se tivesse
prestado mais atenção nas dicas de seu pai... Bem, ele não gostava muito de
voar, então, se entrasse para o time, seria bom, se não, bom também. Não se
importava realmente.
O
Pomo fez uma curva de repente para esquerda, o que Yanka fez também, quase se
chocando com Alvo, que desviou um segundo antes. Vamos, vamos, vassoura idiota, pensava. Se estivesse com a Firebolt
do pai, sem dúvida deixaria todos aqueles moleques no chinelo.
Seu
irmão é apanhador da Gryffindor. Ele tinha que ser da Slytherin. Tinha que
vencê-lo.
Uma
súbita determinação apossou-se dele e, mesmo estando a uns vinte metros de
altura do chão, tentou ir mais para frente sobre a vassoura e esticar um braço
para pegar a esfera. Contudo, se desequilibrou e caiu, agarrando com ambas as
mãos no cabo. Por pouco não foi direto ao chão.
-
Dom! - Ouviu Derrick gritar. - Às vassouras!
Antes
que eles pudessem levantar voo, Alvo já estava montado de volta. Não iria
perder. Nem para o irmão nem pra Yanka. O momento perigoso distraiu tanto ao
Potter, quanto a menina, ambos perdendo o Pomo de Ouro de vista. Pararam, um ao
lado do outro, e observaram com cuidado o campo.
-
Está bem? - Ela perguntou sem tirar os olhos dele.
-
Sim. Perdemos o Pomo. - Se referindo à esfera.
-
Não exatamente. - Ela apontou para Drogo, que perseguia um ponto brilhante bem
próximo do chão.
Trocaram
olhares e voaram praticamente numa linha vertical em direção ao chão. Passaram
pelo menino com facilidade. Ele era grande demais para ser um apanhador, se
daria melhor como artilheiro. Como a menina estaria com vantagem, Alvo, assim
que o Pomo estava próximo o bastante, subiu na vassoura equilibrando-se nos
dois pés, como se estivesse sobre um skate - esporte que ele dominava muito
mais do que voar. Então saltou; a mão aberta para agarrar a esfera.
Alvo
deu uma cambalhota no chão, como aqueles praticantes de pakour fazem quando
caem. Levantou com um sorriso, virou-se para Derrick e levantou o Pomo sobre
sua cabeça.
Vencera
a primeira de três.
-
Meus parabéns, Alvo Potter. - Ele sorriu; apesar de querer manter
imparcialidade, Derrick não conseguia esconder seu favoritismo com o menino,
filho do lendário apanhador e herói, Harry Potter. - Contudo, como eu disse
antes, é uma melhor de três. Dê-me o Pomo, Alvo.
Sem
conseguir conter a alegria, ele entregou a pequena bolinha ao capitão do time,
que fez um feitiço para que o Pomo voltasse a voar.
-
Vamos à segunda rodada. Prontos.
-
Sim. - Responderam.
Ele
largou o Pomo e gritou “já”.
Os
quatro voaram o mais rápido que suas vassouras permitiram. Alvo e Yanka
passaram a frente. Contudo, a bolinha voou em direção ao sol e desapareceu.
Ficaram parados alguns minutos, procurando por ela, em vão. Até que viram
Petyr, um dos concorrentes, acelerar; viram o Pomo. Foram atrás. Passaram o
garoto rapidamente. Petyr desistiu da competição. Drogo nem voo havia levantado
para a segunda rodada e conversava com Derrick.
Alvo
deitou na vassoura, para diminuir o atrito com o ar. Yanka fez o mesmo. Ela é boa, pensou, mesmo tendo pais trouxas, ela é muito boa. Notou que ela não parava
de sorrir exatamente como sorriu durante a seleção das casas, como se esses
momentos fossem seus sonhos realizados. Alvo achou seu sorriso lindo. Ela
esticou o braço o máximo que conseguiu e, sem tirar os olhos do pequeno objeto,
agarrou-o com convicção. Pararam.
-
Muito bem, senhorita Hezron. O placar então é um a um entre Alvo e Yanka. Drogo
desistiu da competição e, como primeiranistas não podem se candidatar as outras
posições, ele tentará no próximo ano.
-
Eu também desisto. - Petyr disse. - Ano que vem eu vou tentar para goleiro.
-
Muito bem, então. - Derrick concordou. - Então, resta-nos apenas os dois. - Ele
refez o feitiço e as asinhas de libélulas baterem rapidamente. - Agora, para
tornar mais justo, os dois usarão as Nimbus. Queremos saber se a vantagem que
possuem um sobre o outro é de habilidade ou material.
Yanka
entregou sua vassoura de modelo desconhecido a Derrick, que a deu uma Nimbus.
Alvo não reconheceu o modelo da vassoura de Yanka, na verdade não conhecia
modelo nenhum. Pararam um ao lado do outro e trocaram olhares. O Pomo foi
solto.
-
Boa sorte. - Alvo disse com um sorriso.
-
Pra você também. - Ela respondeu com aquele mesmo sorriso de antes.
O
coração de Alvo bateu um pouco mais rápido, ele apenas não sabia se pela
competição em que estava, ou por ver aquele sorriso.
-
Vamos dar início à última rodada da competição de apanhadores. - Derrick falou
alto. - Voem!
Voaram.
O mais rápido que suas vassouras permitiram. Ambos sorrindo, alegres. Não se
importavam quem ganharia; quem seria o apanhador. O mais importante naquele
momento, principalmente para a menina, era justamente de estar voando em uma
vassoura em uma escola de bruxos. Ela era uma bruxa. Era especial. E, meio que
por osmose, Alvo absorveu essa alegria. Naquele momento ele se esqueceu da
eterna competição com o irmão mais velho, Tiago; esquecera-se de que ele era o
apanhador da Gryffindor e que queria ser um apanhador melhor. Naquele pequeno
momento especial tudo que importava era a alegria de ser quem era; de ser um
bruxo.
Pararam
a mais de duzentos metros do chão, observando o campo cautelosamente procurando
um ponto brilhante: o ouro refletindo o sol. Contudo, uma nuvem de chuva parou
exatamente na frente dele, dificultando a procura. Alvo forçou a visão. Ao
contrário do pai, ele tinha uma visão perfeita, não precisava de óculos. Então
viu um rápido movimento na lateral, quase sob o campo.
Desceu
praticamente na vertical em direção a ele.
Yanka
o seguiu de perto. Ele não tinha certeza se ela tinha visto o Pomo ou não, mas
não ligou para esse detalhe e continuou seguindo o que achava ser a esfera. De
repente o vulto entrou na lateral do campo, entre as pilastras horizontais de
sustentação. Alvo passou a voar por entre elas com habilidade, como que por
instinto, mas a amiga foi ficando para trás, devido a sua inexperiência.
Agradeceu mentalmente a insistência do pai para treinar os voos.
Ouviu
o barulho de algo se chocando contra madeira. Olhou para trás e viu que ela
tinha trombado com uma das pilastras e caía na areia do chão. Viu então o Pomo,
voando no alcance de sua mão. Hesitou, mas não tinha outra escolha: voou até
Yanka.
Usando
o corpo dele como apoio, ela subiu na vassoura dele e voltaram para onde estavam
os outros. Ela estava com o tornozelo inchado e tinha um sorriso dolorido.
-
Vou levá-la para enfermaria. - Domenic afirmou com uma voz profunda; pegou a
menina no colo e saiu andando.
Alvo,
por alguma razão, não gostou do gesto. Sentiu inveja do menino grande e forte.
Não entendeu e deixou o sentimento de lado.
-
Eu acho que você venceu então, Alvo. - Derrick disse com um sorriso cumplice,
como se ele tivesse causado o acidente. - Por W.O.
-
Pois é... - Ele disse, tristonho, preocupado com a amiga.
-
Relaxa, Alvo, ela vai ficar bem.
-
Eu sei... ó só que...
-
Hey! Derrick! - O menino descendente de árabes, Sayid, chamou.
A
conversa dos dois ficou por isso mesmo. Alvo voltou à masmorra da Slytherin,
tomou um banho - estava suado devido ao teste - e foi assistir às aulas daquele
dia. No almoço encontrou a prima, Rose, que estava com Rick e Scorpius.
Naquela
noite, depois de mais de uma semana sem pesadelos, Alvo sonhou novamente com
aquela pessoa na floresta. Era noite de lua cheia. O mascarado seguia andando
pelas árvores. Na sua máscara o mesmo símbolo que estava magicamente escondido
na testa do menino, porém o círculo dele era o único buraco da máscara, o que
deixava o olho direito - verde como uma esmeralda - a mostra.
Ele
chegou a um precipício, no fim da floresta. Sem nem olhar para baixo, ele
saltou de braços abertos, como o personagem Ezio,
de Assassin’s Creed, costumava fazer
nos games. Dando umas piruetas no ar, ele parou de pé sem usar feitiço algum.
Pegou a tocha que estava em um suporte e entrou em uma caverna.
O
ponto de vista de Alvo variava, como se ele observasse de um ponto que tinha
uma visão melhor do que precisava ser visto; como em um filme. Agora, ele via
as paredes, em que estavam pintados desenhos rupestres, como se feitos por
homem das cavernas. Achou-os interessantes, pareciam contar histórias. Sua
posição mudou, agora ele via uma porta de ferro de frente com buracos em formas
diferentes, mas todas pareciam ser encaixes de varinhas: cumpridos e meio
cilíndricos. Notou que alguns deles já tinham uma varinha encaixada. Contou
doze espaços, posicionados como se fossem uma rosa dos ventos, e quatro
varinhas presas.
O
mascarado tirou do bolso do estranho sobretudo quatro varinhas. A primeira,
Alvo reconheceu sendo a de seu pai. Ele colocou-a no topo de todas, o encaixe
foi perfeito. A segunda, que reconheceu sendo a do Tio Rony, ele colou a
direita da primeira. A terceira era da Tia Hermione e foi colocada a esquerda
da de Harry. A última pertencera a muitos anos, antes mesmo de seu nascimento,
a Voldemort, o bruxo das trevas derrotado pelo pai.
-
Oito. - O homem disse com uma voz grave, rouca e abafada pela máscara. -
Estamos na metade.
Ele
deu as cortas para a porta e seguiu de volta pelo caminho que veio. Antes da
posição de visão mudar, ele conseguiu ver uma escrita sobre a porta:
ճարտարօձ
Mesmo
não conhecendo a língua, aquela palavra ficou gravada em sua mente.
Alvo
sentou na cama bruscamente; estava ofegante e suado. Apesar de estar dormindo,
não se sentiu nem um pouco descansado. Levantou e andou até o espelho para ver
o ainda desconhecido símbolo em sua testa emitindo um brilho azulado, mas logo
em seguida desapareceu devido ao feitiço do professor. Ainda era noite e os
outros alunos estavam dormindo. Alvo rapidamente pegou um caderno e desenhou o
escrito, antes que se esquece-se.
Voltou
para cama e fitou o teto do quarto, pensando no sonho que acabara de ter e nos
mistérios que tinha diante dele e seus amigos. Ele acabou dormindo um sono
regenerador sem sonhos.
Alvo
chegou à sala de poções subitamente. Antes mesmo de dar bom dia aos seus
amigos, ele contou do sonho que tivera e mostrou a estranha palavra que ele
vira sobre a porta. Rick comentou já ter visto aquela palavra em algum lugar,
mas que pensaria nisso mais tarde.
-
Alvo! - Derrick Fafnir vinha em sua direção. - O time foi totalmente escolhido.
Vamos, você precisa conhecê-los.
-
Certo. - Ele se virou para os amigos, e rivais de casa, da Gryffindor, e
completou: - Então, até depois.
Alvo
seguiu Derrick pelas masmorras até chegarem ao salão comunal da Slytherin.
Todos os membros da casa estavam ali em volta de um grupo de doze alunos, sendo
um deles, Yanka. Ela sorria, estava com a perna em um imobilizador e com um
curativo na lateral da testa devido ao acidente no teste de seleção, mas
parecia bem e, sem dúvida, feliz. Alvo se posicionou ao lado dela, como Derrick
lhe pediu.
-
Caros companheiros da casa Slytherin. Eu, Derrick Fafnir venho lhes apresentar
nosso time de Quadribol deste ano. Os Goleiros: Sayid Jarrah, titular, e Fuller
Werth, reserva. Os Batedores titulares: eu, Derrick Fafnir, capitão, e Domenic
Zsafir; os reservas: Draven Stenson
e Madison Saint Clair. Os Artilheiros titulares: Baldoc Ohme,
Fergal Neuvirth e Maverick Malvaeux; os reservas são: Nebraska Rutger, Drew e
Driscoll Paugh. - Ele apontou para dois alunos gêmeos do quarto ano, que
estavam logo ao lado de Yanka. - E por último, a estrela do time e a melhor
adição até agora: ALVO POTTER!
Todos
os alunos da casa explodiram em aplausos, assoviavam e faziam barulho. O menino
não gostou nem um pouco daquilo. Estavam colocando muita confiança e pressão
sobre ele. E se ele não fosse bom? E se perdesse? Derrick o colocara em um
pedestal; felizmente, nenhum dos outros jogadores do time parecia sentir
inveja, mas sim esperança de que seriam campeões de Quadribol ou, até mesmo, da
competição das casas naquele ano.
-
Ele será Apanhador, é claro, e pequena Yanka Hezron é sua reserva. - Derrick
concluiu e dispensou os alunos, com exceção do time, para quem disse: - Amanhã
nós começaremos os treinos. Sempre treinamos uma vez por semana as
quartas-feiras, mas consegui convencer a Diretora McGonagall a nos liberar o
campo após as aulas.
-
E isso é justo com as outras casas? - Alvo perguntou, temendo que fosse
reprendido.
-
Sim, por que faremos rotações semanais. - Derrick explicou. - Essa semana nós
usaremos o campo, na semana que vem a Ravenclaw, e assim por diante. - Ele
pareceu lembrar-se de algo. - Ah sim, daqui a duas semanas nós teremos nosso
primeiro jogo contra a Ravenclaw mesmo. Alguém tem alguma pergunta?
-
Sim. - Alvo se intrometeu outra vez. - Qual a vassoura mais rápida vendida hoje
em dia?
-
Todas são muito similares, Alvo. Não fará muita diferença.
-
E que tal uma Firebolt? Uma mais antiga, mas ainda em bom estado?
Derrick
pareceu pensar. Vassouras Firebolt não eram mais fabricadas desde a guerra de
Voldemort, mas, em sua época, as Firebolt eram as mais rápidas que existiam.
Talvez, ainda eram.
-
Talvez. - Derrick concordou. - Seu pai tinha uma, não?
-
Correção: meu pai tem uma. Vou
imediatamente mandar uma coruja para ele. - Ele estava prestes as sair quando
Yanka pediu para ir com ele. Juntos, eles foram ao Corujal.
Havia
ali uma mesa com pena e papel, além de envelopes. Assim, aqueles que se
esqueciam de levar as cartas, poderiam escrever no momento. Alvo e fez com os
seguintes dizeres: “Entrei para o time de
Quadribol da Slytherin. Preciso da Firebolt. Com amor, Alvo.” Ele não
queria entrar em detalhes, pois seu pai deveria estar muito ocupado.
Alvo
foi seguido por Yanka até o poleiro de Edwiges, sua coruja das neves. Ele
acariciou sua cabeça e desceu a mão pelas costas. Sentiu a pequena coleira que
envolvia seu pescoço. Nela havia um pingente em forma de círculo que estava
escrito: Edwiges II. Alvo escolheu esse nome para sua coruja-das-neves por
causa daquela que, anos antes, pertenceu a seu pai. Prendeu a mensagem em sua perna
e mandou-a voando para o Ministério, torcendo para que seu pai respondesse o
mais rápido possível.
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