Elena Treagus fitava incrédula o teto da barraca
sustentada por ossos e feita com panos que pareciam peles - ela esperava que
apenas parecessem. Estava incrédula por que o livro que lhe fora dado por Novaselik, Aquele Que Sabe de Todas as Coisas, não podia
ser aberto. Estava magicamente selado, e Anúbis, apesar de ser um deus e magia
ser parte dele, não conhecia nenhum feitiço capaz de abri-lo. Agora eles
estavam em algum lugar da África Central, Anúbis estava caçando algo para comer
- algo que Elena ainda não se acostumara - e ela estava deitada ali apenas
pensando em Leonard.
Fazia um tempo que não tentava vê-lo,
desde que Anúbis fora liberto. Talvez estivesse com medo, pois agora esse era
um poder que vinha dela e não algo que viria de uma estátua; ou talvez
simplesmente esquecera-se; muitas coisas estranhas estavam acontecendo ao mesmo
tempo. Havia Anúbis - um deus egípcio -, o livro selado, Novaselik, aquelas
viagens de um país ao outro em menos de um dia, os anjos. Era muita coisa fora
do normal ocupando sua mente. Só agora se lembrara da falta que sentia dele.
Fechou os olhos e pensou nele.
Quando reabriu ela estava em um lugar que
sempre sonhou em visitar: Roma. Eles estavam comendo uma pizza; a fada, por
incrível que pareça, comeu dois pedaços, assim como a garota de cabelos
castanhos claros. Leonard, como sempre, comeu meia pizza. Era sempre o que ele
costumava comer quando eles compravam pizza em casa. A sensação nostálgica
trouxe lágrimas aos seus olhos. Vê-lo feliz como estava deixou-a feliz, mas ao
mesmo tempo triste porque suas felicidades não estavam conectadas.
Mas para você, sua felicidade é ele, e para ele, é você. E é isso que
vai uni-los de novo. Novaselik disse
a ela há alguns dias atrás. Será que o velho sábio podia ver o futuro? Ou será
que apenas estava tentando dar esperança a ela? Ela desejou com todas as forças
que fosse a primeira opção.
Elena notou que Leonard acompanhava com os olhos o
movimento da garçonete, que ela até agora não havia reparado. A garçonete
estava de costas para Elena. Ela tinha o cabelo preto preso numa cestinha a fim
de evitar que caísse na comida e estava anotando os pedidos das outras mesas.
Elena então soube por que ele não tirava os olhos da
garçonete. Ela era hollywoodianamente linda, parecia uma atriz de cinema, mas
havia algo a mais. Não era só por isso. Aqueles olhos castanhos brilhantes, o
sorriso, o cabelo preto... Então ela lembrou-se. Aquela garota fora a primeira
namorada de Leonard. Lana, se não estivesse errada, era esse seu nome. Mas ela
tinha morrido... Agora havia encontrado com ele. Era muita coincidência.
As lágrimas se formaram atrás de seus olhos quando o
viu conversando com ela, vendo o sorriso dele. Elena sempre soube que ele nunca
deixara de amar Lana, que ela sempre fora parte de seu coração; ela aceitava
esse fato, afinal ela estava morta e a história dos dois não teve um fim, foi
interrompida. Contudo, também sabia que Leonard amava Elena. Agora, depois da
morte, os dois se reencontraram, e pelos olhos dele, ela soube que todos aqueles
sentimentos dele por Lana haviam voltado, mas conhecendo Leonard tão bem quanto
ela conhecia sabia que ele ainda não percebera que aquela era Lana.
Elena pôde adivinhar o que ele estava pensando. Sabia
que ele estava pensando que Elena estava com outro, achando que ela estava
seguindo em frente. Ele não tinha como saber todas as coisas que estavam
acontecendo com ela, e que ela estava tentando trazê-lo de volta. Devia pensar
que todas as vezes que ele achou tê-la visto ou ouvido foram apenas alucinações
da sua mente. Ela deixou as lágrimas escorrerem em seu rosto.
Voltou à realidade e fitou o teto em um silêncio tão
grande que pode ouvir seu próprio coração batendo rápido como as asas de um
beija-flor. Ainda sentia as lágrimas correndo, mas de certa forma não o
culpava. Ele estava tentando ser feliz, assim como ela.
- Qualquer coisa que ele esteja fazendo lá que esteja
te magoando, ele não sabe, pois não se lembra de você. - Anúbis disse da porta
da tenda, mas ele estava do lado de fora.
- Ele não se lembra? - Ela perguntou saindo da
barraca.
- Pelo que eu sei, não.
Essa nova informação confundiu Elena, Leonard dera
alguns sinais de que pôde vê-la ou ouvi-la, ou seja, no mínimo reconhecer seu
rosto ou sua voz. Será mesmo que não podia lembrar? Se realmente não podia,
então não era sua culpa.
- Temos que sair daqui, o anjo e um homem passaram
voando por aqui. - Anúbis afirmou.
Então já estava na forma de chacal.
A noite estava começando, e as estrelas estavam
surgindo no céu meio laranja e meio azul escuro.
Onde nós temos que ir agora? Elena perguntou em sua mente enquanto cavalgavam para o norte e depois
nordeste.
Para onde, anos atrás, vivia o povo de Israel. O deus respondeu.
Por quê?
Lembra quando tentei usar magia para abrir o livro?
Claro.
Lembra-se dos símbolos estranhos que estavam naquela espécie de escudo
em volta do livro?
Sim.
Eu reconheci um deles, é a palavra original para “mundo”. Bem, o
importante não é a palavra em si, mas a língua na qual esta escrita.
E que língua é?
A língua da criação, a língua falada por Deus.
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Sephiroth guiava Melanie Craymer pelo deserto. Ela
estava lutando para se manter firme, mas ele pôde perceber pelo suor, olhar e
andar dela que ela estava sofrendo bastante com a desidratação e a fome de dias
andando pelo deserto. Se não fossem as mágicas usadas para que ela não perdesse
água ou nutrientes do corpo numa velocidade normal, ela com certeza estaria
morta.
Eles finalmente chegaram ao oásis, um lugar pequeno
com duas ou três palmeiras e uma cabana de três cômodos. Era ali que Sephiroth
se escondia com mais frequência, onde ele costumava criar seus planos e feitiços.
Sephiroth sentou Melanie numa cadeira num canto da
cabana. Deu água e pão para ela, pois sabia que ela não aguentaria muito tempo,
e ainda não podia matá-la. Ela se recusou a princípio, mas depois cedeu e
consumiu-os.
- Por que não me deixa morrer? - A ruiva perguntou.
- Não sei. Só não quero matá-la ainda. Então, vai me
dizer por que quer ir para o Paraíso?
Ela não respondeu.
- Você sabe que posso fazê-la falar de qualquer forma,
não é?
- Não, você não pode. Se pudesse, já teria me feito
falar. - Ela disse sarcasticamente. - E você não pode me matar, ou me mandar
pra outro mundo. Sabe que nada disso pode me parar. Você não consegue descobrir
o que fazer comigo. Sabe que sou mais fraca, mas ainda assim não pode me
derrotar.
- Você está certa. Ainda não sei como. Por isso te
trouxe aqui.
Usando telecinese, Sephiroth deitou-a em uma mesa de
alumínio que acabara de conjurar. Tirou do bolso uma pequena faca de lâmina
perfeitamente reta e sem ponta, e o punho era reto e a proteção também,
formando uma cruz.
Notou que Melanie olhava com olhos surpresos para a
faca.
- Gosta da minha faca?
- Você teve alguma coisa a ver com os rituais que
Aaron sofreu, não teve?
- É claro que tive. Tudo faz parte do plano,
menos você. Você é a única que está fora do que planejei. E hoje, vou descobrir
o porquê. - Ele respondeu. - Existe muitas formas de fazer uma pessoa falar,
não apenas magia. - Usando aquela faca estranha, ele cortou a roupa dela. -
Vamos começar?
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