Luna
trocava passos rápidos atrás de Harry, que saía apressado da cena do crime
trouxa. As palavras escritas na parede mexeram com bruxo, afinal durante
dezessete anos de sua vida ele fora uma Horcrux do bruxo das trevas e, durante
todos seus anos em Hogwarts, ele enfrentara e quase morrera diversas vezes pela
mão de Voldemort. Se realmente o que estava na parede era verdade, Harry, mais
do que qualquer outro, tinha que encontrá-lo. Draco não havia saído da casa.
-
Harry. Devagar. Aonde você vai? - Luna tentava chamar sua atenção.
-
Para Azkaban. - Ele disse sem diminuir a velocidade ou olhar para a moça de
cabelos cinzentos.
-
Por quê?
Ele
não respondeu.
Luna
acelerou o passo para passá-lo. Parou de frente a ele, impedindo-o de andar.
-
Auror Harry Potter. - Disse em tom autoritário. - Como secretária do Ministro
da Magia e sua superior, exijo que me diga qual sua intenção de ir a Azkaban.
-
Você notou a grande quantidade de papéis de chocolates naquela casa? Nenhum trouxa
em sã consciência comeria aquela quantidade! E pior ainda, deixaria papéis
espalhados em todo lugar. Só há uma explicação: Dementadores. E se eles
realmente saíram de Azkaban, é para lá que devo ir.
-
Nenhum Dementador está fora da prisão. Isso é impossível sem o consentimento do
Ministério.
-
Não me venha com essa ladainha! Já ouvimos essa história antes, e você se
lembra no que deu.
-
Dessa vez é diferente. O Ministro não está mais tentando manter as aparências
e...
-
Cale a boca. Você está começando a falar como eles antigamente. Você se esqueceu de tudo que passamos?
Luna
não disse nada, apenas passou a fitar o chão. Não podia olhar nos olhos verdes
do amigo. Harry passou por ela, esbarrando propositalmente em seu ombro. A
mulher decidiu não segui-lo nem mesmo ir a Azkaban com ele, porém, ao mesmo
tempo, não podia mandá-lo sozinho para lá.
-
Harry! - Chamou-o em voz alta. - Você não pode ir sozinho.
-
Desculpe, mas não quero companhia.
-
Ele estará esperando por você em Azkaban. - Luna aparatou de volta ao
Ministério.
Harry
ignorou-a e aparatou até sua casa. Entrou apressado e explicou rapidamente a
Gina a situação e a viagem repentina à Azkaban. Ela protestou, disse que ele
não podia ir sozinho, por que dezenas dos presos que estavam lá foram
capturados por ele nos anos como Auror, ou mesmo durante a guerra contra
Voldemort. Gina argumentou então dizendo que iria com ele, porém Harry disse
que ela precisava ficar em casa e cuidar de Lilian. A ruiva desistiu, e apenas
mandou-lhe tomar cuidado.
Por
se tratar de uma prisão, era proibido aparatar dentro e nos arredores dela,
então a melhor opção para Harry era ir voando. E não havia vassoura melhor que
a sua velha Firebolt dada por seu falecido padrinho, Sirius Black. Apesar de
outras dezenas de melhoradas vassouras terem sido lançadas, nenhuma voava tão
bem quanto a Firebolt de Harry; ela não era a mais rápida, mas era a mais suave
e precisa no voo. Ele já estava acostumado a voar nela, parecia até que os dois
eram apenas um.
Tirou-a
do armário. Estava um pouco empoeirada, mas nada que um pano não resolveria.
-
Papai. - Lilian disse. - Posso voar na sua vassoura hoje?
-
Desculpe-me, querida. Hoje o papai vai precisar dela.
A
garota saiu triste, porém compreendeu. Harry levou a Firebolt até a cozinha,
onde o elfo doméstico Monstro limpava reclamando de tudo como sempre.
-
Monstro, será que pode limpar minha Firebolt?
-
Os Mestres Black nunca pediram a Monstro para limpar suas vassouras. - O elfo
reclamou. - Monstro não limpa vassouras.
Porém
ele tomou a vassoura das mãos de Harry e cinco minutos depois ele devolveu-a
brilhando. Parecia nova, como no dia que a ganhou anos atrás.
-
Obrigado. - O Auror disse.
-
Monstro não recebe agradecimentos.
Harry
saiu da casa ainda rindo do velho elfo, que apesar de sempre reclamar, fazia
tudo que lhe era ordenado. Montou na vassoura e olhou para o céu. Fazia anos
que não voava fora do mini-cooper.
Sorriu de excitação. Com um pequeno impulso, ele voou.
Ele
não notou que, parado do outro lado da rua escondido nas sombras, havia um
homem usando uma máscara redonda e lisa cobrindo todo seu rosto, com apenas um
buraco deixava seu olho esquerdo - que era negro como a noite - a mostra.
A
sensação de voar; de sentir o vento no rosto lutando bravamente para jogar-te
da vassoura e você atritando com o ar para manter-se montado e, ao mesmo tempo,
para ir mais rápido e mais longe! Harry adorara essa sensação desde a primeira
vez que voara no seu primeiro ano em Hogwarts, quando Draco Malfoy lançara o
lembrador de Neville e Harry, com onze anos na época, voara para pegá-lo.
Esperava ter sido expulso por aquela ação, mas pelo contrário, fora escolhido
como Apanhador do time de Quadribol de sua casa, Gryffindor.
Algumas
horas depois ele avistou a prisão de Azkaban. Uma torre imensa e quadrada de
pedra sem nenhuma janela e apenas uma porta de entrada e saída. Havia diversos
feitiços que protegiam o local tanto de uma possível fuga ou de um ataque
externo. E Harry, ao se tornar Auror, colocou ainda mais feitiços ali. Se seu
padrinho Sirius fora capaz de fugir, alguém mais seria.
Ao
conquistar sua posição, Harry investigou todas as fichas de todos os
prisioneiros ali e reanalisou caso a caso, a fim de que nenhum bruxo inocente
fosse preso novamente - como Sirius ou Hagrid, que passou alguns meses
trancados naquela prisão.
A
primeira coisa que o herói notou foi a ausência dos Dementadores. Sempre havia
pelo menos dois deles voando pelo perímetro. Parte dele ficou grato, pois ele
ainda tinha um medo absurdo das tais criaturas, porém aquele não era um bom
sinal. Se eles não estavam ali, significava que algo havia acontecido.
Ele
pousou a beira da porta, onde um homem com uma criança o esperava.
-
Tem coragem de trazer uma criança para esta ilha? - Harry perguntou; a raiva começava
a borbulhar dentro dele.
O
homem virou-se, revelando um rosto jovial e experiente ao mesmo tempo. Ele
tinha olhos azuis acinzentados, mas não bondosos como os de Luna, os seus
pareciam mais tempestades de verão. Seus cabelos eram branco-acinzentados, não
desbotados, e bastante compridos. Ele lembrava um pouco Lucius Malfoy, mas ele
não tinha uma cara de desdém ou superioridade, e o cabelo não estava cheio de
gel e penteado para trás como os do antigo Comensal da Morte, estavam soltos e
balançavam com o vento. O garoto tinha as mesmas características; eram pai e
filho.
-
Não nos subestime, senhor Potter. Ele pode ser apenas uma criança, mas ainda
assim é um...
Antes
que pudesse terminar a frase, um bruxo guarda da prisão cambaleou na direção
deles. Ele estava ensanguentado e machucado. A vida mal se prendia aos seus olhos.
Harry correu e o amparou-o.
-
Eles todos fugiram... Aquela magia não
era... Bruxa.
E
morreu. Ele não entendeu o que ele quis dizer com “aquela magia que não era
bruxa”, todavia “eles todos fugiram” só podia significar que a prisão de
Azkaban estava totalmente vazia.
_____________________________
O
Nôltibus Andante parou diante de um bar chinfrim em uma rua. Se Lalau não
tivesse apontado, Ted nunca o teria visto. Uma placa caindo aos pedaços dizia O
Caldeirão Furado. Ele achou o nome um tanto estranho. Ele notou que as pessoas
pareciam não notar o bar, era como se ele não existisse. As pessoas entravam e
saiam da livraria de um lado, e de uma Starbucks do outro. O Caldeirão Furado
parecia ser visível apenas para ele e Lalau.
Era
um lugar escuro e quase sem movimento. Havia umas velhas tomando xerez em um
canto, uma delas fumava um longo cachimbo. Um homenzinho de cartola conversava
com o garçom.
-
Lalau, meu jovem, o de sempre? - O barman, perguntou.
-
Não, Tom. Hoje estou com uma missão especial.
Tom
finalmente notou o menino. - E quem é essa criança?
-
Este é Edward Lupin. - Ted não notou Lalau piscando para Tom.
-
Eu não acredito! Edward Remo Lupin! - Ele esticou a mão suja para ele; Ted
cumprimentou-o de bom grado. - Seu pai foi um grande homem! Um herói! Sinta-se
orgulhoso!
Ted
se sentiu melhor. Era bom saber que seu pai tinha feito coisas boas, que
“Lupin” era um bom nome para se carregar.
-
Vamos, antes que você seja assediado por outros frequentadores desse bar. -
Ted, então, sentiu uma coisa que ele nunca havia sentido antes: orgulho.
Sim,
ele era órfão. Sim, ele se sentia sozinho. E sim, ele era filho de um herói.
Ele sentiu-se feliz.
Eles
passaram pelo bar e saíram em um pátio pequeno murado, onde não havia nada além
de uma lata de lixo e um pequeno arbusto em um canto. Lalau contou os tijolos a
partir da lata de lixo. O motorista sacou a varinha e bateu três vezes em um
dos tijolos. O tijolo tremeu e torceu-se até desaparecer, deixando no lugar um
buraquinho, que cresceu rapidamente até tornar-se um arco que dava em uma rua
de pedras irregulares que serpeava e sumia de vista.
-
Já esteve alguma vez no Beco Diagonal, Ted? Posso te chamar assim, né?
-
Pode. - Ted fitava a rua diante dele. - Nunca estive aqui.
-
Pois bem, vamos. O que quero te mostrar é algo completamente único.
Eles
entraram no Beco Diagonal. Ted olhou rapidamente para trás e viu que a parede
se fechara mais uma vez. A loja mais próxima era uma de caldeirões. Um letreiro
dizia: “Caldeirões - Todos os Tamanhos - Cobre, Latão, Estanho e Prata.” Ted
olhava para todos os lados, tentado captar o máximo de visões possíveis. Apesar
de estar praticamente vazio, algumas lojas ainda funcionavam; bares
principalmente. Notou uma loja cujo nome
era "Empório de Corujas". Conseguiu ver em meio à escuridão da loja
uma coruja de pelo branco com alguns detalhes em marrom claro. Se ele fosse
precisar de uma coruja, aquela seria a escolhida, pois a achou muito bonita.
Seguiram
a rua até passar pelo Gringotes, o banco dos bruxos administrado por duendes.
Ted nunca tinha visto um, mas os imaginava parecidos com os elfos domésticos.
Foi nesse momento que o menino se arrependera de sua empreitada.
Eles
seguiram por uma rua sombria, que descia por um beco tão escuro que Lalau teve
de usar o feitiço Lumus para iluminar
o caminho. A Travessa do Tranco estava completamente vazia. Eles pararam diante
de uma loja que estava fechada. A placa de identificação dizia Borgin &
Burkes. Ted não gostou muito da ideia de estar ali com um estranho, e apenas
agora ele percebera o quão estupida foi sua decisão.
-
Mas a loja está fechada. - O menino estranhou.
-
Sim, mas não se preocupe. O dono dela é meu amigo. - Essa informação deixou-o
ainda mais desconfortável.
Lalau
bateu três vezes no vidro da porta; esperou um momento, e bateu mais duas
vezes. Cerca de cinco minutos depois um rapaz atendeu a porta. Devia ter uns
vinte e poucos anos, era baixinho e com o cabelo emaranhado.
-
Lalau? O que está fazendo aqui? - Ele estranhou.
-
Magnus, desculpe-me incomodá-lo a esta hora da noite, mas preciso cobrar-lhe
aquele favor. - Lalau disse.
-
Claro, entre. Saia desse frio.
Lalau
e Ted seguiram o jovem pela loja até sentarem-se em um sofá diante de uma
lareira. Durante o caminho, Ted viu as maiores estranhezas do mundo mágico. Viu
uma mão murcha sobre uma almofada, um olho de vidro e um baralho manchado de
sangue.
Magnus
acendeu a lareira com um feitiço Inflammare,
diminuindo o frio e o medo que o garoto sentia. O dono da loja saiu e voltou
minutos depois com um bule de chá fumegante e três xícaras. Serviu-os com
habilidade, como se o fizesse por anos.
-
Então, como posso ajudá-lo, Lalau?
-
Eu acredito que você tenha o Espelho de Ojesed, não?
-
Talvez. Meu pai comprou muitas coisas de Hogwarts após a Guerra de Voldemort. -
Magnus Burke era filho de Caractacus Burke, fundador da loja. - Mas para que
precisa?
-
Esse garoto precisa... bem, olhar seu maior desejo.
Magnus
levantou-se e fez um gesto para que o seguisse. Eles voltam ao salão principal
da loja, onde o vendedor retirou uma manta cinza de cima de um espelho velho,
meio sujo e surrado, de bordas de ouro.
-
Esse espelho é capaz de mostrar seu maior desejo, Ted. Apenas observe-o.
Os
dois se afastaram, e deixaram Ted diante do espelho. Nada aconteceu a
princípio, até que finalmente uma imagem surgiu. Um casal surgira atrás deles.
O homem tinha a aparência doentia e a mulher tinha os cabelos em um tom de
rosa. Reconheceu-os de uma foto dada por Harry.
Remo
Lupin e Ninfadora Tonks olhavam para seu filho. As lágrimas, pela primeira vez
na vida de Ted, marejaram em seus olhos. Queria chorar, mas não sabia se de
alegria ou tristeza. Queria poder abraçá-los, sentir o amor dos dois. Mas era
impossível. Estavam mortos.
Os
lábios de Remo mexeram-se, em seguida os de Ninfadora. Em seguida, a imagem
desapareceu.
-
Não! Deixe-me vê-los mais uma vez!
-
Desculpe - Magnus disse se aproximando -, mas a magia do espelho está muito
fraca.
-
Eu queria vê-los só mais uma vez... - O desejo da criança pairou no ar entre os
dois adultos, que não sabiam o que dizer. O menino então chorou até soluçar.
A
imagem dos pais dele permaneceu na mente de Ted durante muitos anos. Ele
desejou do fundo do coração saber o que seus pais disseram através daquele
espelho. Ted sabia que fora apenas uma ilusão, mas não importava. Aquele
espelho era a única forma dele ver os pais novamente.
Durante
os anos seguintes, o menino estudou a origem e os feitiços que compreende o
Espelho de Ojesed. Queria reforçar a magia que existia nele para poder ver os
pais. Ele sabia como. A segunda coisa que ele estudou foi leitura labial, pois
assim, quando voltasse a Borgin & Burkes e seus pais lhe falassem através
do espelho, ele saberia o que dizer.
No
presente, entrando no Nôltibus, Ted cumprimentou o velho amigo: - E ai,
Stanislau.
-
Sabe que não gosto do meu nome inteiro, Ted.
-
Eu também não, mas você insiste em me chamar de Edward.
-
Touché. - Ele sorriu. - Para onde
vamos hoje?
Ted
abriu um sorriso de orelha a orelha. - Eu finalmente consegui o último Galeão,
Lalau. Tenho todo o dinheiro. - Ele tirou um saco de pano de um dos bolsos. -
Vamos para O Caldeirão Furado.
_____________________________
Harry
deitou o corpo inerte do guarda no chão. Olhou para o homem de cabelos acinzentados.
Ele não tinha sentimento algum nos olhos, como se estivesse acostumado com a
morte de bruxos e não mais importava que vidas fossem desperdiçadas. Harry
sentiu raiva daquele homem que mal conhecia, mas sabia muito bem quem era.
-
Devemos entrar e ver o que aconteceu. - O homem disse.
-
Não fale comigo como se pudesse me dar ordens. - Harry retrucou.
-
Eu posso te dar ordens, senhor Potter. Como Auror Internacional, eu tenho todo
o direito como seu superior... Não de as costas para mim! - Vociferou.
Harry
havia deixando o homem sozinho e entrado na prisão. Diferente das prisões dos
trouxas, Azkaban não tinha janelas ou pátio ou qualquer área aberta em que os
presos pudessem ver a luz do dia. Passando pela porta da frente, os três,
Harry, o homem e seu filho, estavam dentro de uma pequena sala, onde havia
apenas uma mesa, que servia de escritório para os guardas bruxos
recém-colocados ali, a fim de conter qualquer nova rebelião dos Dementadores -
as criaturas, durante a guerra contra Voldemort, juntaram-se ao lorde das
trevas. O Ministro eleito decidiu mantê-los em Azkaban, pois, mesmo tendo
traído o Ministério, eles ainda eram ótimos guardas.
-
Como você ousa deixar-me falando sozinho?! - O homem implicou.
-
Cale a boca. - Harry disse. - Tenho mais coisas a me preocupar do que você.
-
Você sabe quem eu sou, rapaz?
-
Sim, sei quem você é. E não me importo nem um pouco o quão seus ancestrais
foram importantes para o mundo bruxo. Algo muito ruim está acontecendo, e
preciso descobrir o que é.
O
homem olhou com olhos incrédulos para o herói. Como ele ousava dizer aquilo
mesmo sabendo quem ele era. Ninguém nunca falara assim com ele. Nunca! Ele
sentiu que iria gostar de Harry Potter.
Harry
cruzou o imenso portão de ferro maciço que separava a sala dos guardas do resto
das celas. As portas de todas elas eram feitas de aço reforçado com centenas de
feitiços, todavia todas as portas estavam escancaradas. O Potter sentiu a
necessidade de conferir cela por cela, apenas para encontrar todas vazias e no
fundo de cada cela, a mesma frase que encontrara na cena do crime trouxa: “Lord
Voldemort voltou”. Sua cicatriz não doía há dezenove anos, o que fez Harry
pensar que aquilo poderia ser um blefe. Mas por quê? Quem quer que fosse que
lançara aquele blefe, o que ganharia com isso?
Quando
estava no terceiro andar uma voz ecoava falando coisas sem sentido ou até mesmo
cantando músicas em uma língua que Harry não entendeu. Todavia, ele reconheceu
a voz daquela pessoa. Uma voz grave e profunda que um dia gabava-se de possuir
sangue puro de bruxo. Harry correu até a cela de onde ela vinha para ver um
moribundo Lucius Malfoy.
-
Não ouse encostar um dedo em Harry Potter! - Ele dizia, imitando o Lorde das
Trevas. - Mas mestre, e se eu tiver uma chance de matá-lo? - Falou em tom normal.
- Eu devo matá-lo, e não você Lucius. - Disse com voz de deboche, imitando o
outro bruxo. - Mestre, o menino fez tanto mal ao senhor, quanto a mim, também
quero me vingar.
E
o diálogo prosseguiu naquela forma estranha. Lucius havia perdido a sanidade há
muito tempo, todavia era o único que poderia dizer o que acontecera naquela
prisão.
-
Temos que levá-lo de volta a Londres o mais rápido possível e tratá-lo com
urgência. O Ministério deve possuir algo contra os Dementadores além de
chocolate. - Disse ao homem.
-
Se o Ministério não possuir tal tratamento, eu mesmo sei fazê-lo. - Ele
respondeu. - Filho, vá imediatamente ao Ministério, procure por Hilda e informe
o que aconteceu aqui. Logo em seguida iremos levando Lucius. - O menino
concordou uma vez com a cabeça e aparatou. Harry não conseguiu conter sua
incredulidade.
-
Você ensinou seu filho a aparatar? Está maluco? E se ele morrer, ou se quando
desaparatar perder uma parte de seu corpo?
-
Isso apenas provará que ele não é digno do nome que carrega. - Respondeu de
forma solene.
Harry
sentiu raiva dele. Sentiu vontade de socá-lo.
-
Também não é possível aparatar em Azkaban.
-
Minha família fundou Azkaban, podemos fazer o que bem entender por aqui.
Como
alguém poderia ser tão asqueroso quanto ele? O Auror sentiu nojo daquele homem,
se gabando apenas por ter um nome poderoso.
-
Harry Potter! - Lucius disse parecendo drogado. - Me desculpe, Harry. Me
desculpe por tudo que fiz, por meu filho, por ter tramado contra você e sua
família, por ser um Comensal. Me tire daqui, por favor. - Harry sentiu uma pena
absurda dele. Alguém que um dia fora tão poderoso como um Malfoy, agora
implorando por perdão e por sua vida; era esse o preço que todos pagaram por
ter traído o mundo bruxo em favor do Lorde das Trevas.
-
Baltazar. - O herói dirigiu-se ao homem. - Leve Lucius para o Ministério, eu
preciso ir a minha casa recuperar alguns documentos.
-
Você não me dá ordens, Potter, porém eu sou quem pode levá-lo a Hilda mais
rápido. - Harry bufou, e o homem aparatou com Lucius.
O
rapaz pegou sua Firebolt, montou e alçou voo. Enquanto voava, pensava nos
estranhos acontecimentos das últimas horas. Seria mesmo possível que Voldemort
retornara dos mortos? Os três, Harry, Hermione e Rony haviam destruído todas as
Horcrux há dezenove anos. E, sem elas, era impossível trazer alguém de volta a
vida. Mas, e se houvesse outra forma? E se a morte não fosse o final de tudo?
Se houvesse algo após ela que não é apenas eterno, mas do qual é possível
voltar à vida? Voldermort seria capaz de um feito como esse? Ele com certeza
faria qualquer coisa para ter sua vingança sobre Harry e os outros.
Pousou
de frente a sua casa no Largo Grimmauld, não se preocupou se algum vizinho o
viu ou não por que os feitiços que fizera ali antes já impedia que eles fossem
vistos entrando e saindo de qualquer meio bruxo. Fez menção de abrir a porta
quando ouviu uma voz muito conhecida:
-
HARRY! - Rony gritou; ele parecia desesperado.
-
O que foi?
-
Hermione. Alguém levou Hermione.
Gina,
ele pensou de imediato. Abriu a porta de supetão e encontrou o hall de entrada
completamente destruído, o papel da parede rasgado, alguns armários caídos e
faltando pedaços. Sinais de luta.
-
Gina! - Gritou; o silêncio foi sua resposta.
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