Não havia uma alma dentro daquele salão, viva ou
morta, que tivesse a coragem de falar algo. Ninguém ali conseguia acreditar no
que o chapéu acabara de fazer. Alvo Severo Potter fora selecionado para a
Slytherin, contra tudo em que todos acreditavam. Seu irmão, Thiago, olhava-o
com incredulidade, ou melhor, todos olhavam. O menino mal podia acreditar no
que acabara de acontecer.
- Não... - Ele disse quase sem voz. - Não... - As
lágrimas nasceram detrás dos seus olhos.
O professor Longbottom se aproximou do chapéu e
sussurrou:
- Você devia reconsiderar. - Alvo duvidou que,
devido ao extremo silêncio, alguém não tenha escutado.
- Eu não vou mudar minha escolha. Ele vai para
Slytherin.
- Mas ele é filho de Harry Potter.
- Então que Harry Potter venha até aqui e peça ele
mesmo, e ainda assim não mudarei. Sou eu que decido para qual casa cada um vai
e não você ou ele. Agora, traga-me a próxima criança.
Professor Neville não teve outra escolha senão
retirar o chapéu. Alvo levantou e, fitando o chão, dirigiu-se à mesa da casa
que lhe foi designada. Não ousou olhar para ninguém e eles não aplaudiram. Ele
sentou ao lado da baixinha, que não conseguia conter a alegria.
- Não acredito! - Ela disse. - Estou na casa que
sempre sonhei em estar e ainda com o filho de Harry Potter! Esse é o melhor dia
da minha vida! - Ela pareceu notar a expressão do menino. - Mas você não parece
tão feliz.
- Meu pior pesadelo... Eu não acredito... - Ele
dizia, não para pequena Yanka, mas para si mesmo.
- Não se preocupe. A Slytherin não é tão ruim assim.
- O que meu pai vai dizer? Eu serei a desonra de
minha família. Tanto meu pai, quanto minha mãe e todos meus avós. - Ele
esquecera-se da conversa que teve com pai ainda na King Cross Station, antes de embarcar no Expresso Hogwarts.
- Se o que li sobre Harry Potter for verdade, ele
não vai se importar a qual casa você pertence. E sim, com seu caráter. Imagine
como os pais de Scorpius vão ficar?
Alvo olhou a menininha nos olhos pela primeira vez.
Ela, de certa forma, estava certa. Seu pai realmente não se importava com um
detalhe como aquele. Talvez um dia ele se importara, quando criança, mas hoje,
era mais importante os atos do menino bruxo. Além disso, até em seu nome havia
um pouco da Slytherin. Severo Snape, a quem seu nome do meio fora uma
homenagem, pertenceu a Slytherin e, de acordo com o pai, ele fora o homem mais
corajoso que conhecera.
Agora, a escolha do chapéu não parecia tão ruim para
Alvo.
No entanto, para Scorpius, seria uma escolha que com
certeza traria a ira de Draco Malfoy. Um sangue puro como os Malfoy misturados
nos sangues ruins da Gryffindor com certeza não agradaria. Por alguma razão
esse pensamento tornou a ideia de Alvo sobre Slytherin menos ruim.
- Obrigado. - Ele disse a baixinha.
- Meu nome é Yanka. - Ela disse com um sorriso
cativante.
- Eu sei. - Ele respondeu com um sorriso. - É um
nome bem estranho. Difícil de esquecer.
- Como se Alvo fosse um nome muito comum.
- Cala a boca.
- Cala a boca você.
Os dois sorriam. Algo dizia a Alvo que aquela menininha
era bem simpática, e que iria gostar dela. Isso provavelmente deixaria sua
estada na Slytherin melhor.
Depois que todos foram selecionados para suas casas,
Alvo devorava o banquete que magicamente surgira diante deles. Nele havia todo
tipo de coisas para comer, fosse doce, salgado, amargo ou azedo. Serviu-se de
um prato imenso de arroz e strogonoff - algo que ele nunca comera. Comeu
alegremente enquanto conversava com os companheiros da casa. Todos foram
simpáticos com ele, e ninguém perguntou sua opinião sobre estar na Slytherin.
Durante o jantar, Alvo procurou seu irmão e sua
prima, que conversavam alegremente com os companheiros da Gryffindor. Das duas
uma, ou não se importavam que Alvo não estivesse com eles ou, ao verem o garoto
se enturmando, decidiram deixar de lado o fato de não estarem na mesma mesa.
Conhecendo sua família, provavelmente era a segunda opção. Notou que Scorpius
comia em silêncio, provavelmente envergonhado da casa para qual fora escolhido.
Terminada a refeição, enquanto saíam, Rose e seu
irmão, Thiago, vieram conversar com ele.
- Isso é tão injusto! - Ela dizia genuinamente
incrédula. - Scorpius Malfoy na Gryffindor e Alvo Potter na Slytherin! Isso é
como o sol de noite e a lua de dia.
- Não se preocupe. Não acho que será tão ruim assim.
- Alvo retrucou, pois o choque da seleção havia passado.
- Claro que será! Talvez nossos pais possam...
- Não, não. Nada de envolver nossos pais nessa
história. As Casas não interferem em nosso caráter. Eu posso ser quem sou em
qualquer uma das quatro. - Ele disse com um sorriso.
- Talvez se eu for falar com a Diretora Minerva a
gente consiga trazê-lo para Gryffindor.
- Já disse que não precisa. Não se preocupem.
- Mas, irmãozinho, com você na Slytherin nós iremos
competir um contra o outro. - Thiago falou.
- O que torna as coisas ainda mais interessantes. -
Ele sorria travessamente.
- Você sabe que sou mais velho e mais forte, não é?
- Thiago retrucou.
- E eu mais rápido e mais esperto. - Foi a tréplica
do menino.
Os dois sorriam desafiadoramente.
- Então é melhor entrar logo no time de Quadribol. É
verdade, comigo no time, você não teria como entrar.
- Que vença o melhor Potter. - Alvo estendeu a mão
para o irmão mais velho.
- Que vença o melhor Potter. - Thiago apertou a mão
estendida, aceitando o desafio. - Te vejo no campo, irmãozinho.
Então, ele saiu em direção à sala comum da
Gryffindor.
- Eu ainda vou falar com a Diretora sobre isso! -
Rose insistiu, mas seguiu o primo.
Alvo seguiu o grupo de alunos da Slytherin para as
masmorras, onde ficava o salão comum de sua casa. Andava o tempo todo
conversando com a baixinha de olhos castanhos, Yanka.
Ao pararem de frente a um quadro de uma serpente
branca gigante, que se mexia e os fitava ameaçadoramente.
- Qual é a sssssssenha? - Ela sibilou.
- Ratos gigantes. - Um aluno do sétimo ano falou. -
Não se esqueçam dessa senha, e, em uma semana, ela será trocada.
- Sssssssim... Minha comida ffffffffavorita.
Entreeeeem...
O quadro abriu-se como uma porta e os alunos
entraram. Um professor que Alvo reconheceu apenas da mesa dos professores os
aguardava.
- Sejam bem vindos a Slytherin. - Ele disse com uma
voz profunda. - Meu nome é Horácio Slughorn, sou professor de Poções e Líder da
Casa da Slytherin. É um prazer conhece-los. Vocês encontrarão suas malas próximas
as suas camas e sobre elas, seus robes verde e prata. Usem-nos com orgulho.
Agora, vão para a cama. Menos você, senhor Potter.
Alvo parou com um súbito calafrio. O que velho
professor queria com ele?*
_____________________________
Rose, juntamente com outros alunos da Gryffindor,
seguiram um veterano pela escadaria de mármore. Ela ainda estava em choque
devido a escolha do chapéu em relação ao seu primo, Alvo. Colocá-lo na
Slytherin fora sem dúvida o maior erro de todos os tempos - talvez não maior do
que o de Dumbledore quando tirou Tom Riddle daquele orfanato. Eles continuaram
subindo até que as pernas de Rose ficassem cansadas demais.
De repente, o grupo parou. Rose quase esbarrou em um
menino que vinha à frente dela.
- O que aconteceu? - Alguém perguntou.
Dois fantasmas passaram rapidamente por eles. Um
deles arrastava um feixe de bengalas, que fazia muito barulho; o outro corria
atrás dele. Rose reconheceu os dois das histórias que seus pais contavam como Pirraça,
o Poltergeist, e Barão Sangrento. Ela
não conseguiu evitar um sorriso.
- Quem eram aqueles? - Um aluno perguntou.
- Aqueles eram o Pirraça e o Barão Sangrento.
Cuidado com o Pirraça, ele gosta de brincadeiras. Barão Sangrento é o único
capaz de controlá-lo, mas isso vem se tornando mais difícil com o passar dos
anos.
No finzinho do corredor havia um retrato de uma
mulher gordíssima vestida de rosa, que devorava uma coxa de pernil do tamanho
da cabeça de Rose.
- Senha? - Ela exigiu entre duas mordidas.
- Bolo de Nutella. - O veterano disse.
O retrato abriu-se como uma porta, revelando um
buraco redondo na parede. No final dele, o salão comunal da Gryffindor
revelava-se diante deles com seu formato redondo e poltronas fofas.
O veterano indicou às meninas seus dormitórios e aos
meninos, o deles, ambos no fim de uma escada em caracol. Era óbvio para Rose
que eles estavam em uma das torres mais altas do Castelo, levando em
consideração a quantidade de escadas que tiveram que subir para chegar ali.
Como suas malas já estavam ao lado de sua cama designada, Rose apenas caçou e
vestiu seu pijama e deitou para dormir.
Rose, apesar de cansada, demorou a dormir realmente.
Tudo estava fora de ordem. Um Malfoy estava na Gryffindor e um Potter na
Slytherin. Era como se o mundo estivesse de cabeça para baixo! Ela tinha que
falar com a diretora Minerva McGonagall para tentar reverter aquela situação.
- Muito estranho, não é? - Uma menina sentada à
janela falou; Rose não havia notado até aquele momento.
- O que? - Rose perguntou.
- Esse lugar. As coisas não estão indo como
deveriam.
- É verdade; amanhã vou conversar com a diretora
sobre isso.
- Sabe que não irá adiantar muita coisa. - Pela
primeira vez a garota parou de fitar a lua e virou-se para Rose, que não
conseguiu enxergar seu rosto. - Minerva leva a sério as decisões do Chapéu
Seletor.
Por alguma razão, o tom que a menina usou o nome da
diretora fez Rose pensar que a estranha era familiar com Sra. McGonagall. Rose
iria retrucar mais uma vez, mas acabou dormindo. Ela não notou que, durante
toda a noite a janela permaneceu com uma camada de gelo até o amanhecer, quando
se dissipou. Nenhuma outra aluna também percebeu.
O primeiro raio de sol iluminou diretamente o rosto
de Rose, que adorou ser acordada com aquele leve calor do começo do outono.
Espreguiçou-se, bocejou e levantou devagar. A
primeira coisa que costumava fazer de manhã era tomar um rápido banho e, em
seguida, estudar. Sua mãe lhe ensinara isso - seu irmão, Hugo, porém, assim
como seu pai, dormia demais. Antes de ir para Hogwarts, sua mãe costumava praticar
feitiços na prática*. Mas, como ela estava sozinha, seria um tanto perigoso.
Então, depois de tomar seu banho e voltar para salão comunal da Gryffindor,
pegou um dos livros que a escola exigia dos primeiranistas e começou a ler.
A maioria dos feitiços ali descritos ela já
conhecia, alguns ela não dominara, mas outros, como o Vingardium Leviosa, ela poderia fazer com uma das mãos nas costas.
Outros alunos foram surgindo no salão, indicando que
o dia começava para eles. Rose checou seu plano de aulas, e descobriu que sua
primeira matéria era Defesa Contra as Artes das Trevas. Procurou pela menina
que conversara na noite anterior, mas não a reconheceu, e ela também não se
manifestou.
Havia ainda bastante tempo antes da aula, então ela
decidiu ir até o escritório da diretora.
_____________________________
Alvo fitava o velho professor, enquanto este lhe
encarava de volta, esperando que todos os alunos ali presentes fossem aos seus
quartos. Yanka despediu-se do novo amigo, e seguiu as garotas para o dormitório
feminino.
- Alvo Severo Potter. - O professor disse quando
finalmente estavam a sós. - Três nomes importantes você tem, criança. Só neles
você carrega um fardo pesadíssimo.
- Sim, senhor. - O menino confirmou uma vez com a
cabeça.
- Sabe, Alvo, tanto seu pai quanto sua mãe
pertenceram ao meu Clube do Slugue. E, gostaria que você se juntasse a nós,
apesar da pouca idade.
- Eu não sei, professor, eu...
- Não se preocupe, Harry... digo, Alvo. Será
divertido. Quando eu marcar uma reunião, sinta-se a vontade de juntar-se a nós.
Será um prazer.
- Quem faz parte desse clube, professor?
- Acredito que dentre os membros você conheça apenas
Tiago Sirius Potter.
Aquilo captou a atenção de Alvo. Se seu irmão estava
naquele clube idiota, ele também deveria estar, e seja lá o que fizessem nele,
Alvo faria melhor que o irmão.
- Estou dentro. - Afirmou; o professor sorriu.
- Agora vá dormir. Amanhã será um dia longo e cheio
de novidades.
Alvo sinalizou “sim” com a cabeça uma vez e desceu
para o quarto. Assim que cruzou a porta, o dormitório, antes barulhento e
repleto de vozes, silenciou-se. O clima estranho perdurou todo o caminho de
Alvo até a cama, que pareceu ser de quilômetros ao invés de poucos metros. Ele
nunca havia sido o centro das atenções de nada, mas descobriu não gostar nem um
pouco. Imaginou como seu pai sentiu-se quando entrou para a escola. O famoso
Harry Potter; aquele que sobreviveu ao bruxo das trevas e, ainda, tirou todos
os seus poderes. Todos o encaravam, sem exceção. Começou a odiar aqueles olhares.
Ele sabia que não pertencia àquela Casa. Seu lugar era junto com sua prima e
seu irmão. Sentiu raiva daquele chapéu idiota que o colocara ali por pura
pirraça; sentiu raiva daqueles olhares; de todos os meninos ali.
- SERÁ QUE DÁ PRA VOCÊS PARAREM DE ME OLHAR! -
Gritou. - EU NÃO VOU ME TRANSFORMAR NUM TROLL OU ALGO ASSIM. EU ESTOU TÃO
SURPRESO QUANTO VOCÊS DE ESTAR NA SLYTHERIN. SE ACOSTUMEM COM A IDEIA.
- Não é por isso que estamos te encarando, Alvo. É
que todos nós estamos pensando que com você no time, talvez esse ano
conseguiremos vencer o torneio de Quadribol e, quem sabe, até mesmo o torneio
das Casas. - Um deles disse.
- É verdade. Ninguém gosta da Slytherin, e com você
aqui talvez nossa reputação melhore. - Outro falou; este parecia estar no quinto
ou sexto ano. - Meu nome é Derrick Fafnir, sou o capitão do time de Quadribol e
vim pessoalmente aqui para te convidar para ser o novo Apanhador do time.
- Eu? Mas por quê?
- Seu pai era uma lenda. Ele ganhou dezenas de jogos
para Gryffindor apenas por pegar o pomo de ouro. Esperamos que você tenha
herdado as habilidades dele.
- Olha... Eu não sou bom! Nem tenho uma vassoura!
- Se você aceitar, temos algumas velhas Nimbus 2001
doadas há alguns anos por Lucius Malfoy.
Alvo sentiu suas pernas tremerem. Talvez de
excitação ou medo ou os dois. Não sabia. Apesar das diversas vezes que seu pai
lhe chamara para voar de vassoura, Alvo nunca aceitou, mas ao mesmo tempo não
sabia dizer o por que. Sabia apenas que na família Potter quem herdara a paixão
de voar fora Lilian, e não ele. Mas ainda...
- Quem é o apanhador da Gryffindor? - Perguntou.
Derrick sorriu, como se já esperasse essa pergunta,
e respondeu: - Seu irmão, Tiago.
- Estou dentro. - Respondeu de imediato.
- Ótimo. Amanhã, depois do terceiro período começam
os treinos. Já voou em uma vassoura antes?
- Não. Não sou exatamente fã de voar.
- Isso não é bom. Seu irmão é rápido e tem
experiência. Talvez consigamos compensar isso por você ser menor e mais leve.
Bem, amanhã descobriremos por fim.
- Sim.
Derrick retirou-se, pois aquele era o dormitório da
turma que entrou naquele ano.
- Obrigado, Alvo. - Um menino cumprimentou-o.
- Sim. Acho que assim teremos uma chance. - Outro
disse apertando sua mão.
Então todos os meninos do recinto cumprimentaram-no
com sorrisos no rosto. Talvez estar na Slytherin não fosse tão ruim; talvez
aquele ano seria diferente de todos os anteriores; talvez ele fizesse amigos
ali. Alvo, quando deitou, pensou no que acabara de acontecer e no que ainda
estava por vir.
Naquela noite ele teve um sonho estranho. Havia um
homem andando em uma floresta escura e fechada, onde a luz da lua mal transpassava
as folhas verdes. Esse homem usava uma túnica comprida, deixando apenas dos
calcanhares para baixo a mostra; a manga era larga e comprida a ponto de não
deixar a mão dele visível. Ele usava uma máscara acinzentada e fosca, deixando
apenas o olho direito à mostra, que era tão verde como uma esmeralda; seus
cabelos eram negros e compridos, presos num rabo de cavalo. Alvo se perguntou
se não seria uma mulher, afinal sua túnica era tão larga que não se via as
curvas do corpo.
O homem chegou até o fim da floresta, que dava para
um vale imenso. O homem parou à beira do precipício e observou o vale, onde
longe no horizonte havia um conjunto de casas iluminadas por tochas.
Quando a lua iluminou o rosto do mascarado, viu que
o círculo do olho era parte de algo maior; em volta desse círculo havia um
triângulo de cujas pontas saiam rodamoinhos. O estranho recuou alguns passos e
então correu, saltando para o abismo.
Neste ponto Alvo despertou assustado, sentando na
cama imediatamente. Ele suava frio, seu coração ainda mais acelerado de quando
ele sentou na cadeira de seleção pelo chapéu. O que foi aquilo? Que lugar era
aquele?
- Está tudo bem? - Um menino que ele não sabia o
nome perguntou, fitando Alvo preocupado.
- Sim, está.
- Cara, que isso na sua testa?
- Do que você está falando?
O menino apontou para um espelho em uma das paredes
do quarto, Alvo levantou para olha. Na sua testa havia um símbolo em preto. Era
um círculo dentro de um triângulo partido ao meio de cujas pontas cresciam
rodamoinhos; ele reconheceu aquele símbolo; era o mesmo da máscara em seu
sonho. O que diabos estava acontecendo com ele? Alvo andou rápido até sua cama
e, de debaixo do travesseiro, tirou sua varinha - feita de carvalho com cordas
de coração de dragão; o mesmo que seu pai anos antes enfrentara no Torneio
Tribuxo.
- Nós temos que avisar imediatamente a diretora...
Ele não terminou a frase, pois Alvo o atingiu com um
Obliviate ensinado alguns meses antes
por seu pai, que desmaiou o menino e cansou o jovem Potter. Pelo menos ele
tinha certeza que o menino não se lembraria de nada.
O sol estava nascendo do lado de fora, devia ser
seis e pouco. Alvo pegou o uniforme da Slytherin e foi para o banheiro mais
próximo - o que lhe custou 5 minutos para encontrar. Tomou um banho rápido, não
podia arriscar que alguém visse aquele símbolo na sua testa antes de mostrá-lo
a sua prima. Então, eles fariam um plano.
Depois que saiu, secou os cabelos rapidamente e
jogou a franja sobre sua testa - felizmente herdara os desgrenhados cabelos do
pai, que permitiam esconder bem sua fronte. Seguiu de volta ao quarto e
conferiu-se no espelho para ver se a marca estava bem escondida; pegou seus
livros e dirigiu-se para sala comum, onde um indicativo de aulas estava
pendurado num quadro de avisos. Sua primeira aula era Defesa Contra as Artes
das Trevas com o professor Sturgis Podmore, ex-membro da Ordem da Fênix. Alvo
lembrava-se dele de uma festa dada por seu pai no ano anterior para os membros
da Ordem.
Enquanto subia para a sala, ele torceu para que sua
prima fosse de sua turma.
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