- Uma
descendente de Melissa. - Ele disse andando em volta de Melody. - Finalmente a
criança voltou a sua linhagem original.
-
Linhagem original? - Melody perguntou.
Niank a
olhou como se visse sua vida toda e o futuro também. O velho duende era sábio e
Melody tinha certeza de que era exatamente isso que ele via. Ele via sua alma e
por mais assustador que isso fosse... Melody não conseguia ter medo dele.
- Quando
a vida de Melissa foi interrompida... A linhagem da criança também foi. Ainda
não era hora de outra criança e assim ela nasceu aleatoriamente e a linhagem
ficou confusa. Você é a primeira descendente de Melissa que nasceu com a marca.
- Niank disse suavemente. - Mas vocês vieram aqui por outro motivo e não pela
linhagem.
- Nó
precisamos encontrar o grande carvalho... Acho que assim vou descobrir como
salvar o Vale. - Éron disse.
- Você
sabe o que aconteceu na última vez que um de vocês veio aqui?
- Felix o
envenenou.
- Sim e
desde então o Vale vem morrendo. - Niank olhou para a escuridão atrás dele. -
Eu tento conter a contaminação, mas logo a magia do Vale morrera e ele
desparecera com ela.
- Nó
queremos ajudar. - Melody disse. - Queremos salvar o Vale.
- Você me
parece verdadeira humana. - Ele suspirou. - Antes de decidir se vocês podem ou não
seguir em frente, gostaria de conversar com você.
Niank se
virou e Aaron fez sinal para que Melody o seguisse. Melody hesitou e então foi
atrás do duende. Niank andou um pouco e parou em frente a uma árvore negra.
- Entre. -
Disse ele, apontando para o tronco. Melody o olhou intrigada. Niank sorriu. -
Acho melhor eu ir primeiro. - Ele se virou e desapareceu no interior da árvore,
Melody o seguiu sem questionar.
O
interior da árvore era bem maior do que imaginava, mas ainda assim era pequeno.
Niank havia sentando-se em um banquinho e apontou para outro a sua frente.
- Seu
amigo disse que vocês querem salvar o Vale. - Niank disse sereno. - Acho que
ele tem um motivo maior para querer isso, mas por que você quer isso? - Melody
o olhou por um instante, tentando formatar um resposta, por fim disse.
- Melissa
morreu por isso... Ela morreria mil vezes por amor e pelo seu povo. - Melody
olhou para as mãos. - Eu nunca gostei dessa divisão, das pessoas tristes e do
tempo escuro. Quero salvar o Vale e todos que nele habitam... Eu quero libertar
as criaturas dessa contaminação... Desse veneno.
- Você
está disposta a tudo por isso?
- Farei
tudo para que meu povo se liberte... Farei de tudo para destruir Felix.
Um
sorriso brotou no rosto de Niank.
- Você é
determinada, gosto disso. Eu permitirei que vocês cheguem ao carvalho, mas não
poderei protege-los. As criaturas não ultrapassam a escuridão, mas daquele lado
elas são selvagens e donas de si.
- Aaron
já havia nos falado sobre isso.
- E tem
mais um coisa. - Ele olhou sério para a garota. - Apenas você poderá atravessar
o lago do carvalho... Seu amigo poderá ir junto, mas ficará do outro lado da
margem.
- Mas por
que isso?
- O
carvalho se revela para uma pessoa ou criatura por vez. Enquanto vocês estiver
lá, nada te atingirá.
- E Éron?
- Ele
terá que se virar. - Melody o olhou desesperada. - Eu sei que isso a assusta e
eu queria poder ajuda-los, mas eu sou o protetor e não posso sair de meu posto.
- Eu
entendo.
- Espero
que consiga encontrar as respostar que precisa, mas devo alerta-la de que tem
um caminho muito mais difícil do que imagina. Você está mesmo disposta a
encara-lo?
O modo
como Niank falou assustou Melody, por um instante ela pensou se estaria fazendo
a coisa certa. Se valeria a pena fazer tudo aquilo. Então lembrou de sua
família, de Nana, de Éron e o principal: Felix. Ela precisava detê-lo ou ele
iria acabar com o Vale.
- Estou
disposta a tudo. - Ela respondeu.
- Você
tem a minha permissão querida. Acho melhor ir logo. - Niank sorriu e no
instante seguinte ela estava de volta junto de Aaron de Éron. Os dois a olhavam
assombrados.
- E
então? - Éron perguntou.
- Temos a
permissão. - Melody contou-lhes o que Niank havia lhe falado. Então olhou para
Aaron, o centauro olhava triste para a escuridão. - Muito obrigada por nos
trazer aqui Aaron, eu sei o quanto deve ser doloroso para você.
- Eu
precisava ajuda-los... Sinto muito por não... Por não...
- Não
sinta. - Éron falou. - Você já fez muito e isso deve ter sido muito difícil
para você.
O
centauro os olhou e então galopou para longe, voltou alguns segundos depois com
uma espada nas mãos.
- Acho
que vocês vão precisar de algo para se defender. - Ele disse entregando a arma
a Éron.
- Onde
foi que você pegou isso?
- Muitas
armas foram perdidas aqui, muitos tentaram lutar com as criaturas. Essa estava
encravada em um tronco de árvore. - Ele suspirou. - Eu sabia que ela estava lá
porque era minha.
-
Aaron... - Melody a mão sobre a boca, entendo o que ele queria dizer.
- Eu
tentei resgatar minha família, mas quando cheguei ali... Meu irmão me atacou,
eu lutei com ele. Mas não consegui tira-lo de lá, então desisti e a cravei
naquele lugar.
- Eu
sinto muito.
- Está
tudo bem agora Melody, espero que você possa salva-los. - Ele disse forçando um
sorriso. - Acho que agora vocês devem ir.
Aaron se
virou e Anila o seguiu olhando triste para trás. Éron ajeitou a espada na mão
direita e estendeu a esquerda para Melody.
- Estamos
juntos não é?
- Sim. -
Ela disse segurando a mão de Éron. - Mas o que você vai fazer enquanto eu
estiver no carvalho? - Éron lhe deu um sorriso torto.
- Não se
preocupe comigo... Eu me viro. Só precisamos fazer com que você chegue bem ao
carvalho.
Melody
concordou e os dois seguiram juntos para dentro da escuridão. Eles andaram por
uns dez minutos sem que nada os incomodasse. Não havia sons, não havia nada
além dos passos dos dois ecoando pelo escuro. Melody estava tão nervosa que
sentia que podia ouvir seu coração batendo.
Logo eles
avistaram um frondoso carvalho, mas ele era negro como o carvão e tão alto que
não se podia ver a copa. Ele estava no meio de uma ilhazinha cercada por um
lago negro, apenas uma ponte de cordas levava em direção a ele.
- Isso
está errado. - Melody sussurrou. - Não devia ser tão fácil.
- Vamos
tentar no aproximar, mas fique de olho em tudo. - Melody concordou, mas antes
que descem um passo, uma voz cortou o ar.
- Eu não
iria tão rápido se eu fosse vocês. - Melody congelou, sentiu o coração batendo
mais rápido. Ouviu cascos trotando e logo eles estavam cercados por centauros
armados e de aparência assustadora. Todos tinham os olhos vermelhos e vidrados,
como se tivessem sido hipnotizados. - Eu e meus irmãos esperamos por muito
tempo que alguém entrasse em nosso território... Por que não ficam para
comemorar conosco?
Melody
virou para trás e encarou o centauro que falava. Soube que ele era o irmão de
Aaron assim que o viu, era a cópia do irmão. Éron rapidamente se pós atrás dela
de costas.
- Você
tem algum poder que possa deter eles? - Ele perguntou.
- Eu
posso atrasa-los e distrai-los, mas não vou conseguir por muito tempo.
- Assim
que você perceber uma oportunidade... Corra.
- Mas e
você?
- Não
olhe para trás.
- Mas e
você?
- Eu vou
ficar bem. - Ele disse apertando-lhe a mão.
Os
centauros começaram a se aproximar devagar. Melody se preparou e sentiu Éron se
posicionando atrás dela. Não havia como os dois conseguirem escapar e mesmo se
Melody chegasse ao carvalho, o que seria de Éron? Não havia saída, mas ainda
assim ela lutaria.
Melody se
concentrou no vento e conseguiu fazer com que alguns dos centauros recuassem.
Éron gritou e ela ouvi ele brandindo a espada. Não podia olhar para ele, mas
esperava que estive indo bem. Um centauro correu e se aproximou o bastante para
agarrar-lhe o braço. Melody fez com que ervas daninhas subissem pelos seus
cascos.
Ele
gritou e a soltou, em questão de segundos ele estava todo coberto pelas ervas.
Ela ainda ouvia Éron lutando e isso a deixava aliviada. Ele ainda estava vivo.
Melody criava pequenos tufões e fazia as ervas se agarrarem aos centauros, mas
quanto mais deles ficavam fora de combate, mais surgiam. Parecia não haver fim.
Ela já estava cansada e sentia seus poderes se esgotando, se eles se
esgotassem... Bem ela não queria pensar nisso.
Estava
prestes a cair quando ouviu o grito de Éron. Ela se virou desesperada e o viu
sendo contido por dois centauros, ela tentou correr até ele. Mas outro centauro
a agarrou, ela gritou e tentou se soltar... Nada adiantou.
Olhou
para Éron desesperada e viu nos olhos dele... Eles haviam perdido.
Houve um
ruído no meio da floresta, mais deles estavam vindo. Melody não se conteve e
começou a chorar, foi quando algo irrompeu do meio da mata. Um centauro negro
gritando e acompanhado de um unicórnio branco.
- Aaron.
Ele
brandia a espada, derrubando mais e mais centauros. Anila correu até ela e se
colocou de modo protetor a sua frente..
- Anila
leve Melody até a ponte. - Aaron gritou enquanto derrubava os dois centauros
que haviam capturado Éron.
- Mas e vocês?
- Ela gritou.
- Nós
vamos ficar bem... Vá logo. - Éron gritou.
O lago
não estava tão longe, mas mesmo assim Melody montou em Anila. A unicórnio era
muito rápida e contornava qualquer um que se colocasse a frente delas. O lago
negro deu arrepios em Melody, mas ela desceu de Anila e deu o primeiro passo na
ponte. Ela parecia segura.
- É bom
você correr menina. - Aaron gritou. Melody não hesitou e começou a correr.
Sentiu
algo agarrando seu calcanhar e caiu na ponte. Quando olhou para trás viu uma
ninfa de aparência esverdeada a segurando. Seus olhos pareciam pedir socorro.
Melody olhou para o lago e mais criatura brotavam de lá. Ela chutou a ninfa e
saiu correndo.
Foi
agarrada mais duas ou três vezes, mas ela conseguira se soltar. A ponte era
curta e quando pisou na ilha, tudo ao redor escureceu. Não conseguia ver o que
acontecia atrás de si, podia ouvir Éron e Aaron lutando, até mesmo Alina
relinchando. Mas não via nada.
Olhou
para o carvalho e seguiu em frente.
- Eles
vão ficar bem, Melody. - Disse a si mesma.
O tronco
do carvalho era todo gravado como se fosse um livro a céu aberto. Ela se
aproximou e as palavras brilharam. A marca de uma mão apareceu e Melody colocou
a sua em cima dela. Fechou os olhos e sentiu os batimentos do carvalho.
“Isso é
impossível” , ela pensou.
“Nada é
impossível Melody”, uma voz masculina disse em sua mente. A voz parecia
milenar.
“Isso é
mesmo real?”
“Tão
real, quanto você.”, a voz pareceu sorrir. “Eu te esperei por muito tempo,
sabe? Eu soube que você viria antes mesmo de nascer.”
“Quem é
você?”
A Voz riu
em sua cabeça.
“Eu sou a
vida do Vale, Melody.”
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