Sempre quis saber qual a sensação de escrever "Era uma vez"; de escrever uma história da qual saberia o fim e não teria medo desse fim. Como nos “Felizes para Sempre”, a mocinha termina junto do mocinho e eles são felizes. Para sempre. Ponto. The end.
Entretanto, sempre me pergunto sobre o nunca contado "to be continue". Talvez por não existir, a personagem pode parar naquilo e esperar que tudo se repita de novo e de novo. Num ciclo sem fim.
Eu conheço um Era uma vez, e conheço o to be continue dessa história. Era uma vez uma menina cujo nome manterei oculto e chamarei apenas de “menina”. Tal menina não era muito diferente das demais que existem por ai. Sua aparência é relativamente normal e aceitável pelo padrão imposto. Ela não se sentia melhor que as outras e não enxergava nada diferente em si mesma. Gostava de ler romances e imaginava se um dia viveria um daqueles tantos sonhos que os livros lhe mostravam. A menina vivia feliz sendo invisível na multidão, mas sempre sentiu que algo faltava em sua vida, algo que ela não conseguia achar em ninguém, muito menos em si. A menina, cuja inocência e bondade predominavam, não encontrou alguém que a notasse.
Um dia, porém, além de todas suas expectativas, alguém a notou em meio de muitas outras pessoas. Ele a admirou, e apenas isso bastou para fazê-la feliz. O menino a cortejou e a tratou como uma princesa. Fê-la perceber que poderia ser diferente e única. Então, o menino fez tudo que podia para conquistá-la, até que finalmente conseguiu ganhar o coração inocente da jovem e os dois ficaram juntos. Felizes para sempre. The end.
Não exatamente.
Essa história teve uma continuação: o jovem rapaz elegante e formidável na verdade escondia segredos, os quais eram cercados por muros e cadeados. Com o tempo, a menina acabou descobrindo as chaves. Eu não preciso falar o fim dessa história, pois, todos devem conhecer. A minha parte favorita é que a menina, cujo coração foi arrancado do peito, descobriu que havia alguém forte e independente por trás da inocência. Mas, principalmente, descobriu que não precisava nada além dela mesma para ser feliz. Esse é o melhor fim, pois não existiu o príncipe encantado que a salvou, não existiu um casalzinho; existiu apenas ela sendo capaz, e sempre será, porque descobriu a receita de sua felicidade. E esse foi o seu final feliz. Seu feliz para sempre.
E agora sim, the end.

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