“Quando você leva um livro numa viagem”,
dissera Mo quando ela pôs o primeiro no baú, “acontece uma coisa estranha: o
livro começa a colecionar lembranças. Depois basta abri-lo, e você já está de
novo no lugar onde o leu. Tudo volta, já nas primeiras palavras: as imagens, os
cheiros, o sorvete que você tomou enquanto lia... Acredite, os livros são como
papel pega-moscas. Não existe nada melhor para grudar lembranças do que páginas
impressas.”
- Cornelia Funke - Coração de Tinta
- Cornelia Funke - Coração de Tinta
Uma das coisas que mais amo fazer é colecionar lembranças e
memórias. Tenho uma agenda que comprei em uma viagem que mais parece com um
caderno, já que não tem data, que uso para esse fim. Em dois anos, colecionei
coisas simples que me fazem lembrar de eventos e acontecimentos: Um ticket de
cinema ou teatro, uma embalagem de um chocolate, a nota fiscal de uma compra,
bilhetes de amigos, tenho até uma folha de uma árvore de um acampamento.
Quando abro minha agenda, é como se eu tivesse entrando em um
mundo só meu, onde me deparo com minhas lembranças ao vivo. Sinto o cheiro, o
som, o gosto, lembro da piada contada por alguém momentos antes da foto ser
tirada e lembro de tudo o que aconteceu naquele dia.
Já mencionei aqui que minha vida de leitora começou – infelizmente
- muito tarde na minha vida. Um dos
primeiros livros que eu li foi Coração de Tinta de Cornelia Funke, que se
tornou meu livro favorito. Quando li pela primeira vez esse trecho, eu não
entendi muito o que Mortimer estava contando para a Meggie. Eu apenas achei
fantástico e fiquei imaginando como um livro pode fazer isso tudo.
No decorrer do tempo, comecei a perceber a verdade nisso. Posso
associar as fases da minha vida com o livro que estava lendo naquele momento.
Quando abro o livro em alguma página, as memórias de a primeira vez que eu li
vem a minha mente. Lembro-me de onde eu estava, como eu estava e o que eu
estava sentindo.
Por isso, acredito que livros são ótimos companheiros de viagem.
Além de te fazerem companhia, ajudar a passar o tempo e, simplesmente, te
proporcionar o prazer de ler, muitas vezes se mostram mais eficiente que uma
câmera fotográfica, guardando as memórias e te dando a certeza de que a bateria
não vai acabar e o arquivo não poderá ser perdido.
Agora aprendi a lição. Mesmo que não tenha tempo e que não caiba
na bolsa, sempre levo um livro comigo. Nunca se sabe quando vai ser a próxima
aventura. Só sei que, independente do que seja, estarei preparada para
armazená-la nas páginas impressas do livro, meu apanhador de memórias.
Companheiros na jornada São Paulo - Hungria

0 comentários :
Postar um comentário