“Mas o que descobrimos é que cada um de nós é um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso. Isso responde a sua pergunta?
Sinceramente,
O Clube dos Cinco.”
Foi assim que terminou meu sábado, terminei o texto para a detenção e saí junto daqueles que se tornaram meus melhores amigos em tão pouco tempo. Hoje, senti-me infinito (como diz o livro); senti-me como se pudesse fazer tudo o que eu quiser, mas mesmo assim uma coisa me preocupava. E a segunda? Será que a Claire iria vir falar comigo? Ou então o Andy? Ou então o John? Acho que não. Afinal, somos de grupos sociais diferentes, eu sou o Brian, faço parte dos CDFs, como um atleta ou uma patricinha viria falar comigo? Ou até mesmo um criminoso como o John. Mas vamos olhar pelo lado bom, eu e a Allison estamos no mesmo barco, ambos somos os “excluídos” da escola, ela é considerada um caso perdido, o que poucos sabem é que ela é uma simples adolescente, igual a qualquer outro.
Estava tão perdido nos pensamentos que nem percebo quando chego a minha casa. Desço do carro e corro para meu quarto; termino uns exercícios de álgebra e vou dormir. Acordo um pouco mais tarde do que o normal, minha mãe quer comentar sobre o que aconteceu, mas não havia muito que falar. Tudo que precisava desabafar, eu já botei para fora. Caso esteja perdido no assunto, vou resumir pra você: Bom, meus pais sempre me pressionaram com a questão das minhas notas e infelizmente tirei um zero; fiquei tão mal por isso que pensei em suicídio; o único problema era que ao invés de uma arma, o que eu tinha era um sinalizador, que, por sinal, disparou dentro do meu armário. Foi isso que me levou a detenção. Pois é, nem pra me matar eu sirvo. O domingo não passou de um tédio, infelizmente não queria que a segunda chegasse. Eu sei que o Clube dos Cinco não iria se reunir na escola, imagina o caos que ia ser. Porém eu mantenho alguma esperança de que a gente se reúna algum dia.
Acordo na segunda-feira seguinte. Nunca enrolei tanto para me arrumar para escola. Porém, cedo ou tarde, eu teria que enfrentar aquele lugar e descobrir se o nosso clube iria se reunir e, assim, se sobressaindo a toda aquela pressão ou se ele irá desaparecer, tornando-se apenas uma memória. Chegando à escola, encontro o John no estacionamento, ele parece não perceber que estou lá; se percebeu, porém, soube fingir muito bem que não me viu. Prossigo com a caminhada até meu armário, ou o que restou dele. Parada ao lado dele estava Allison.
- Você está atrasado. – Ela diz num tom nervoso.
- Não estou, não. – Procuro algum relógio para verificar se estou certo. – Acho.
- Eu vim falar com você, assim como prometi no sábado. – Ela sorri.
- Isso é bom. – Retribuo o sorriso. – E aí, o que será que o seu grupo de amigos vai falar de mim?
- Provavelmente não vão falar nada, e, mesmo que digam quem liga? – Ela estende os braços indicando que poderíamos ir andando para sala. – Alias, vou ver se mudo o meu horário pra ter pelo menos uma aula com você.
- Essa é uma boa ideia, mas vamos ver se os outros topam.
Não sei se é paranoia minha, mas sinto alguns olhares estranhos para nós. Resolvo não me importar. Infelizmente, algo ainda me dizia que ninguém do clube iria falar conosco, mas só havia um jeito de descobrir. Andamos lado a lado enquanto estamos em um caminho comum, mas nos separamos para primeira aula. Chegando à minha sala aula de História, me deparo com um papel sobre minha carteira. Nele estava escrito a seguinte mensagem: “mesma mesa no refeitório?”. Não reconheço a letra. Carl, o zelador da escola, está na porta sorrindo pra mim. Ele está envolvido em alguma coisa, eu podia sentir. As duas próximas aulas, álgebra e física, passam mais devagar do que o normal. Como de costume, faço questão de prestar atenção em cada minuto.
No refeitório encontro a Allison na mesma mesa. Sento-me com ela, que logo fala, tirando o bilhete do bolso:
- Foi você?
- Não, você?
- Também não.
Alguns minutos depois, aparece John e se senta um pouco nervoso ao nosso lado.
- Foram vocês? – Ele fala estressado. – Vocês não sabem como isso mancha a minha reputação.
- Eu pensei que tinha sido você. – Digo – Ok, isso está ficando interessante.
Depois aparece a Claire e o Andy.
- Meu Deus, eu jurava que vocês não iam falar comigo. – Claire disse. – Quase chorei ao ver o bilhete. De quem foi a ideia?
- Não fui eu, mas quem me dera ter sido. – Andy respondeu. – Quase fiz isso, mas o que eles iriam pensar de mim?
- Espera aí, se não foi ninguém. Então quem foi? – Digo com um tom de espanto.
Paramos e ficamos observando a situação e depois de um tempo, Carl aparece rindo.
- Sinceramente, vocês são um pouco lerdos, né? – Ele sorri. – Quem mais teria acesso a todas as salas, saberia as carteiras de cada um e teria tempo de colocar o bilhete antes de o sinal bater?
Claire dá um sorriso como se não acreditasse naquilo tudo.
- A gente conseguiu. – Ela repete em voz baixa com um tom de satisfação
- Pois é, ninguém ligou pro que os outros iriam pensar de nós cinco juntos na mesma mesa. – Eu afirmo, um tanto aliviado por estarem os cinco ali.
Depois de um tempo de alegria, com todos rindo e dividindo seus lanches, eu paro e digo:
- Então quer dizer que toda aquela minha choradeira no sábado foi por nada?
E assim começou uma das primeiras tardes desse Clube dos Cinco, que se mantem unido até hoje.
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