Tudo que fazemos durante a vida é uma busca por novas emoções. Nos cansamos rápido das coisas: assim que conquistamos tal coisa, a jogamos fora independente do que seja. Por exemplo, quando compramos uma blusa nova, achamo-la a mais linda do mundo, mas pouco tempo depois, pensamos “como eu pude gostar disso?”, então a descartamos apenas por não mais despertar aquele sentimento que tantos procuramos. Essa teoria aplica-se a tudo em nossa volta. Há pessoas que por um tempo a consideramos a melhor parte de nossas vidas, mas chega o momento em que a descartamos também. Talvez nem seja uma coisa tão má assim; talvez não seja errado querer sentir tal sentimento mais vezes; talvez não seja ruim querer sentir nossos corações se encherem por um instante.
Cada lembrança esquecida é um pedaço de nós que se perde por ai, mas que ao mesmo tempo não mais se encaixa em nós. Mas com o tempo se aprende que cada parte perdida dá espaço para novas estão se preparando para assumir a posição ou suprir o local vazio.
Na procura de felicidade e de novas emoções, acabamos deixando coisas de lado, para que assim chegarmos onde queremos. Contudo, não nos importamos se a parte que não nos encaixa mais, possa ser a única que falta em um outro alguém.
Certa vez uma pessoa me contou sobre seus medos, suas expectativas, seus sonhos, suas conquistas e tudo mais que pode caber dentro de uma pessoa só. Essa mesma pessoa também me disse que, para se reconhecer o céu, é preciso passar pelo inferno. Uma metáfora bem legal até, se olhá-la de modo geral. Entretanto, o que chamou minha atenção foi o comentário sobre ele ter encontrado tanto o paraíso quanto o inferno em uma única pessoa. Ele, como não soube lidar com isso, jogou-a fora para encontrar outro sentimento. Um que não obrigasse-o a passar pelo inferno.
Mas eu não ligo de passar pelo inferno; não ligo de descartar mil coisas na busca daquele sentimento, daquela emoção, pois sei que encontrarei o meu céu em algum momento. Portanto, se precisar que eu passe por tudo, eu aceito. Repito: eu aceito.
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