Filha de Hecate - Capítulo 01: Como tudo começou

Um dia, um simples homem chamado João com cabelos pretos e olhos azuis. Ele era um famoso empresário em Nova York que estava a caminho de casa no seu BMW branco, quando o carro se avariou na floresta, pois a sua mansão ficava no meio do nada para não ser incomodado pelos os jornalistas. Era perto da meia-noite, então ele saio do carro para ver qual era o problema e viu uma bela mulher com tochas nas mãos, cabelos pretos e com uma pele branca com um ar severo, mas protetor. João olhou para ela e disse:
- Olá, quem é a senhora, e o que faz aqui? Está perdida?
Ela não respondeu, apenas vez lhe sinal para segui-la. João seguiu-a, sempre fazendo perguntas pelo caminho, tal como:
- Onde me leva? Quem é você? Porque não me responde?
Até que chegaram a uma gruta protegida por um rottweiler e uma doninha. E finalmente ela falou:
- Entre. Vamos conversar.
A sua voz era suave, mas parecia que vinha das profundezas.  Meio desconfiado, ele entrou na gruta. Tinha motivo para isso, afinal não conhecia a mulher e nem sequer sabia se devia confiar nela. Então ela cortou-lhe o pensamento:
- As pessoas confiam no que querem. - Disse-lhe como se lhe tivesse lido os seus pensamentos. - Sente-se.
- Poderia me dizer quem é e o que faço aqui?
- Acredita em deuses?
- Deus? Bem...
- Não, deuses gregos.
- Não sei. - Nesse momento ela estava a cozinhar uma ceia, cheirava tão bem, a um bolo acabado de sair do forno e a chá de camomila. - Não me importava, mas isso queria dizer que Os Lusíadas diziam a verdade quando falavam dos deuses.
- Sabe quem eu sou?
- Não, se soubesse não teria perguntado! - Exclamou. - Mas aposto que é uma deusa grega.
- Então acertou, sou Hecate deusa da magia e da noite, e sim Os Lusíadas dizem a verdade, só que aí estávamos na nossa forma romana.
- Eu estava a gozar enquanto aquilo de ser uma deusa, não que não se pareça com uma. - Começou a balbuciar, não a queria ofender. - Você é tão bonita como uma.
Ele começou a pensar na beleza da deusa, de certa forma ela era bonita, com a pele branca, cabelos e olhos pretos como carvão e lábios cor de sangue, parecia aterradora, mas bonita ao mesmo tempo e esperava não a ter ofendido.
Hecate deu-lhe um pedaço de bolo e uma taça de chá e disse:
- Coma.
Ele achou estranho, mas aceitou. Comeu duas fatias de bolo e bebeu duas chávenas de chá, quando acabou, ele adormeceu lentamente, enquanto a deusa entoava uma canção.
Quando acordou ele estava de volta ao seu quarto, na sua cama, coberto pelos seus lençóis de seda e com o seu pijama azul também de seda. Ele pensou que aquilo que vira à noite fora só um sonho. Então ele foi à casa de banho (wc) e vestiu-se sempre pensando na estranha deusa de ontem.
Há noite quando vinha do seu escritório, o carro dele avariava-se sempre há mesma hora, no mesmo sítio, nem um milímetro à frente, nem um milímetro atrás, e sempre a encontrava e voltava a noite misteriosamente para sua cama. E começaram-se a apaixonar. E isto continuou durante vários dias. Também chegaram a dormir juntos. Até que Hecate engravidou, tiveram uma menina com cabelos pretos cor de carvão e olhos roxos como uma joia preciosa.
Depois disso, ele nunca mais viu Hecate, cuidando da menina sozinho e desamparado.



História de Sara Jesus

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