Filha de Hecate - Capítulo 04: Semideusas

O carro ia a 225k\h, mas mesmo assim o Manticore conseguia segui-los. Ninguém falava agora, Jessy estava a tentar engolir que o seu amigo era um sátiro e que eram semideusas, Jenny estava preocupada com o pai que parecia estar a piorar e Fred com o seu casco a pisar o acelerador e preocupado com o Manticore a segui-los. Eles acabaram de passar por um hospital, Jennifer disse:
- Aqui, temos de parar.
- Sim e depois o Manticore matá-nos!

- Alguém tem um plano?
- Eu tenho! - Disse Jessy. - Fred trava quando eu disser! Enquanto isso anda a volta do hospital.
- Ok... - Ele não estava muito confiante com o seu plano.
- Três... Dois... Um... Agora! Trava!
Fred travou e o Manticore foi contra o carro e ficou um pouco desorientado com a batida.
- Jenny, leva-o para dentro nós vamos distraí-lo
- Com nós? A... Refereste a quem?
- Eu e tu, rapaz bode!
Jennifer levou o seu pai para dentro e começou a chamar os médicos para o ajudarem, chegou um médico chamado Houston, tinha cabelos castanhos encaracolados, olhos azuis e lábios finos. Apesar de não parecer de confiança, ela tinha de ajudar os seus amigos e depois voltaria para ajudar o seu pai.
- Por favor, ajude o meu pai! - Suplicou.
- Não se preocupe, ele vai ficar bem.
- Tem a certeza?
- Ele só precisa descansar e de fazer alguns exames, mas não é nada de grave.
- Ok. - Disse triste. - Eu tenho de ir, por favor, cuide bem dele.
Ela não passava muito tempo com o pai, mas não gostava de o ver assim. Desde que ele decidiu colocá-la na escola pública, eles têm se dado bem, não queria que nada de mal lhe acontecesse.
Enquanto isto tudo acontecia, Jessy e Fred lutavam com o monstro no parque do hospital, Fred não era muito bom a lutar e Jessy menos ainda. Quando chegou lá fora, Jenny viu o Manticore em cima do carro tentando espetar Fred com a sua cauda de escorpião.
- Ei! Aqui cara feia! Manicure, aqui! - Gritou Jenny para o Manticore;
- É Manticore. - Disse Fred
- Como queiras! Ei! Feioso!
Jessy estava com o pé preso numa pedra que o Manticore lhe atirou. Ela não conseguia sair. Fred apenas tinha um ferro fino de metal que o seu pai tinha no carro, não sabia por que razão ele o tinha, mas pronto. Agora tinha mais coisas em que se preocupar do que um simples ferro.
O Manticore correu atrás dela. Ela não sabia o que fazer por isso começou a correr, Fred trepou o carro com uma certa dificuldade. Jenny andou as voltas com o Manticore. Quando passou ao pé do carro, o sátiro saltou-lhe para cima espetando o ferro no pescoço e o Manticore virou poeira.
- Uhuh! Derrotamo-lo! - Dizia Fred saltando de felicidade.
- Pois foi! - Exclamou exausta.
- Ei! Uma ajudinha? - Perguntou Jessy com o pé ainda preso na pedra.
Foram ter com ela.
- Como a vamos tirar daí?
- Eu puxo a pedra e Jenny puxa-lhe o pé, quando contar até três. Um... Dois... Três, puxa!
Depois de inúmeros esforços, finalmente conseguiram tirar o pé da Jessy debaixo da pedra. Ela tinha o pé dolorido de tanto esforço, todos se sentaram para descansar. O carro estava quase todo amolgado, mas ainda andava, por isso pegaram no carro e Jenny perguntou:
- Por onde agora?
- Por ali. - Fred apontou para a direita.
- Tens a certeza?
- É claro, vamos!
Durante a viagem Jenny adormeceu e teve mais sonhos estranhos com o gigante coberto de trevas. Jessy vez perguntas ao sátiro:
- Então... Desde quando és um sátiro?
- Desde sempre.
- E essa coisa de semideuses, é verdade?
- Meu! - Disse travando de repente.
Jenny bateu com a cabeça.
- Ai! Mas o que é que se passa agora?!
- Nada, só que o carro está esquisito.
Eles estavam no meio de uma floresta, o sol estava quase a desaparecer no horizonte.
- Numa floresta!? A sério? Porque não fomos antes para um hotel com piscina? - Exclamou Jenny.
- O carro avariou! Vamos ter que ir a pé.
- Só podes estar a gozar! - Disseram as raparigas em uníssono.
- Não, toca a andar.
Eles saíram do carro estava uma brisa fresca, Jenny sentia-se bem à noite, na verdade sempre preferira a noite ao dia. Caminharam cerca de 1 km quando o caminho se dividiu.
- Agora senhor sátiro, qual é o caminho?
- Acho que é por aqui. - Apontando para a direita.
Jenny olhou em volta e viu umas tochas iluminando o caminho da esquerda, algo a chamava para lá, algo ou alguém...
- Não. Para a esquerda! Vocês não estão a ver as tochas?
- Mas que tochas Jenny? Deves estar doida!
- Não estou! Vocês não veem?
- Não! - Afirmou Jessy
Fred abanou a cabeça, mas disse:
- Então vamos pela esquerda.
Caminharam em silêncio desta vez ia Jenny à frente, sempre pensando que se era uma semideusa quem era a sua mãe? Existem muitos deuses e deusas. De repente ela viu um simples arco com Κατασκήνωση, Ημίαιμος escrito em cima, Jenny conseguiu traduzir: Acampamento Meio-Sangue.
- Bem. - Disse o sátiro. - Chegamos, ao vosso novo lar, vamos entrem.
Elas seguiram o rapaz-bode ele mostrou-lhes o refeitório ao ar livre com grandes mesas compridas, a casa grande, onde o diretor do acampamento dormia, o lago e finalmente os chalés
- Existem vários deuses. - Explicou Fred. - Zeus, o rei dos deuses e os seus dois irmãos: Poseidon, deus dos mares e Hades, deus dos mortos, estes são os grandes deuses, mas não os irritem! Bem continuando, existe também Démeter, Dionísio, Athena, Ares, Hefesto, Apollo, Artémis, sua irmã, Afrodite e Hermes, estes são os doze deuses do Olimpo, incluindo Hera, mas ela não tem filhos semideuses, pois é a deusa do casamento e é casada com Zeus, deus dos céus. Mas também existem outros como Hestia, Nemesis, Hecate, Hipno, Íris, e muitos mais.
- Oi Fred. - Disse uma rapariga muito bonita, ela tinha saído do chalé cheio de cores.
- Oi Nina, tudo bem? - Perguntou surpreendido Fred.
- Tudo e contigo? Vejo que encontras-te duas novas recrutas! Uma delas está a brilhar.
E ela tinha razão. Jessy estava a brilhar, tinha uma áurea alaranjada e com uma coruja na cabeça.
- Uma filha de Athena, fantástico! - Disse Nina.
- Filha de Athena? - Perguntou Jessy. - Quem é Athena?
- Athena é a deusa da sabedoria. - Jenny sorriu, sua amiga era uma filha de Athena!
- Sim e também da estratégia. Ótimo, uma já está, agora falta a outra descobrir a sua mãe. - Disse olhando para Jenny. - Bem, boa sorte Fred, adeus.
- Agora vou levar-te ao chalé de Athena.
Eles voltaram para trás e entraram no chalé.
- Oi Christina. Viste a Annabeth?
- Não, ela ainda não voltou, por isso sou a Conselheira-chefe. Precisas de alguma coisa?
- Sim, esta é a Jessy, ela é...
- Uma filha de Athena. - Concluiu. - Claro. Entra Jessy, vou-lhe arranjar uma cama para passares a dormir aqui. Vem, eu mostro-te o chalé.
Jennifer e Fred saíram e foram dar uma volta aos chalés.
- Fred... - Começou a dizer. - Quando é que eu vou saber quem é minha mãe?
- Logo à noite, junto à fogueira, a menos que sejas reclamada antes.
- Reclamada?
- Sim.
- Dá uma volta ao acampamento, mas tem cuidado com o chalé de Ares, eles são...
- Violentos? Eu sei, li sobre isso. Não te preocupes, eu sei cuidar de mim.
- Está bem, eu vou à casa grande contar como correu a missão e depois encontramos ao jantar, combinado?
- Sim, quem é o diretor?
- É o Quirón, é um centauro. Até logo.
Jenny andava pelo acampamento ao pé dos chalés para ver se sua mãe a reclamava, mas nada. De repente, ela ouviu um barulho de discussão entre dois chalés, quando se aproximou viu que era o chalé de Ares e de Apollo que estavam a discutir, ela chegou lá ao pé e disse:
- Parem! Porque estão a discutir? Ei!
Jennifer gritou “Ei!” porque um dos filhos de Apollo lhe tinha lançado um feitiço de rima, quer dizer que tudo que ela diga vai rimar.
- Quem foi o desgraçado, que vai ficar despedaço? - Gritou tão furiosa que pararam a discussão e olharam para ela com os olhos arregalados. Os olhos roxos de Jennifer brilhavam como joias de raiva. - Quem é que me atirou o feitiço? Vai se arrepender, quando eu lhe bater!
- Foram eles. - Apontou uma rapariga, era alta, tinha cabelos castanhos e olhos furiosos. - Eu sou a Clara, sou filha de Ares e a Conselheira-chefe do chalé.
- Eu sou o Cristiano. - Disse um rapaz alto, com olhos azuis e cabelo loiro. - Sou o conselheiro-chefe do chalé de Apollo.
- Muito prazer! Eu vou vos bater, se não quebrarem o feitiço! Chalé metediço! - Rimou com raiva.
- Eu gosto dela! - Disse a Clara.
- Nós não podemos quebrar o feitiço, ele desaparece sozinho. - Disse o Cristiano
- Quanto tempo vou ter de rimar? Isto está-me a irritar!
- Não sei. - Respondeu. - Pode durar um dia, ou talvez uma semana, ou até um mês.
- Ótimo! Rimar durante uma semana! E nem sei qual é a minha cabana!
- És nova? Boa! Quem te encontrou? - Perguntou a Clara
- Foi um sátiro, Fred é o seu nome, mas não sei o seu sobrenome.
- Ah o Fred! - Exclamou. - Ele costuma trazer mais do que um semideus por missão.
- Ele trouxe a Jessy e eu, a Jenny.
- Nomes muito parecidos, e onde está ela?
- Chalé de Athena, deusa da sabedoria, está com a maioria.
- Com a Christina?
Acenou sim com a cabeça.
- Agora voltamos à discussão. - Disse virando para o Cristiano.
- Porque discutir? Porque não desistir? - Perguntou Jenny.
- Eles roubaram as nossas pipas! - Resmungou Clara.
- Não roubamos nada! Vocês roubaram primeiro e nós só fomos buscar o que era nosso! - Respondeu o Cristiano.
Soou um toque esquisito, Jenny nunca o tinha ouvido:
- Que toque é este? Já está de noite? Era do comer da noite?
- Sim, hora de jantar. - Disse o Cristiano.
Ela seguiu-os até ao refeitório. Ela viu que cada chalé tinha uma mesa, mas ela não sabia o que fazer, não tinha um chalé. Então viu Fred e foi ter com ele:
- Ola, Fred, não sei o que fazer para ter o prazer de comer.
Fred estranhou a forma de falar dela:
- Ola, por acaso foste ter com o chalé de Apollo?
Ela abanou a cabeça em forma de sim.
-Sabes quanto tempo isso dura?
- Talvez horas, talvez dias, talvez semanas não sei fazer parar, talvez deve-se cantar.
- Não te preocupes, vamos arranjar uma solução. Anda vamos nos sentar.
Eles sentaram-se numa mesa com os sátiros e as ninfas.
- Oi Fred, ela não é uma ninfa ou uma naiade. - Disse uma ninfa.
- Não, mas ela não sabe qual é o seu chalé, é só hoje, não se preocupem.
- Ah, uma novata! Como te chamas?
- Ela chama-se Jennifer, tratem-na por Jenny.
- Ok, ela não fala?
- Falo, mas aquele chalé do feitiço, lançou-me um feitiço.
- Chalé do feitiço? Hecate?
- Não, Apollo, aquilo deve parar passado algum tempo.
- Estiveram a discutir com o chalé de Ares, não é? E tu foste lá?
Jennifer disse que sim com a cabeça.
- Ok, bom apetite.
A comida tinha chegado, era arroz com bife e cogumelos, estava uma delícia.
Quando acabaram de comer, todos os semideuses, sátiros, ninfas e naiades estavam sentados à volta da fogueira. Passado um bocado, todos se calaram e apareceu um homem montado num cavalo, pelo menos era o que parecia, quando ele se aproximou da fogueira ela viu que era um centauro, um grande e verdadeiro centauro. Jennifer ficou de boca aberta, nunca tinha visto um, bem onde vivia não existem centauros. Então ele falou com uma voz grave e forte:
- Hoje, temos duas novas recrutas, Jessica Dare...
- Jessy, por favor. - Corrigiu.
- Jessy Dare. - Disse olhando para ela. - Filha de Athena, deusa da sabedoria e estratégia, e Jennifer May...
- Jenny, se não se importar, isto está me a irritar!
- Jenny May, ambas encontradas pelo sátiro Fred. Jenny. - Disse dirigindo-se para ela. - Sabes quem é o teu pai ou a tua mãe do Olimpo?
- Não senhor, mas se parar de rimar era bom de fartar.
- Isso deve passar. Bem, continuando, a tua mãe ou pai irá reclamar-te hoje à noite. Enquanto isso, vamos se o nosso oráculo tem alguma profecia para vós.
O oráculo era nada menos e nada mais que uma rapariga ruiva com sardas e olhos verdes, ela aproximo-se de Jenny e uma áurea verde começou a brilhar a sua volta e disse:
Três semideuses, coruja, tocha e sol, um bode com eles
Irão derrotar anti-hecate, com a sua ajuda
E para o acampamento salvar
Um vai ter de se sacrificar

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