Passaram-se
15 anos desde a última vez que o João viu Hecate, a filha deles, Jennifer,
estava a sempre a meter-se em sarilhos. O pai dela contratava várias amas, mas
Jennifer irritava-as e elas acabavam por se demitir por não saberem o que fazer
com ela.
Jennifer
adorava livros sobre magia e mitologia; e ela sempre perguntava pela mãe, mas o
pai sempre respondia:
-
Ela viajou, foi procurar uma vida melhor.
Ele
não queria que ela soubesse, queria protegê-la e como não conseguia passar
muito tempo com a filha decidiu colocá-la numa escola pública em Nova York.
No
seu primeiro dia de aulas ela não queria ir, pois até então tivera aulas em
casa e não conhecia ninguém, mas o pai disse-lhe:
-
Lá vais arranjar amigos e terás novos professores.
-
Mas e se eles gozarem comigo? E se me puserem de parte? - Perguntava com os
olhos roxos a brilhar.
-
Ninguém vai gozar contigo e ninguém te vai por de parte, acredita em mim, se
fizerem isso chama-me e eles vão ver como elas mordem!
Jennifer
sorriu.
Ela
chegou à escola meio perdida, pois não sabia onde eram as salas, o refeitório,
nem as casas de banho, ela estava distraída quando foi contra uma rapariga
alta, com olhos malvados e um sorriso superior, ela disse-lhe:
-
Vê para onde vais, caloura! Não sabes quem sou? Sou a Meleni, a mais famosa da
escola!
-
Des.. Des.. Desculpa. - Disse Jennifer olhando para os seus olhos malvados
-
Uma caloura? Como nos vamos divertir! - Disse uma rapariga do grupo que andava
com Meleni.
-
Sim, tens razão Helena.- Disse Meleni com o seu sorriso superior.
-
Deixem-na em paz! - Disse uma voz corajosa feminina.
-
Olhem quem é ela a menina esquisita! - Disse Helena, a rapariga amiga de
Meleni.
-
Não sou esquisita, a tua cara é que é! - Respondeu
Jennifer
olhou para onde vinha à voz e viu uma rapariga com cabelos cor de mel e olhos
como tempestades. Enquanto a Helena se via ao espelho, Meleni respondeu:
-
Língua afiada! Mas eu sou pior que tu!
-
Blá, blá, blá. Vai-te embora e deixa a rapariga em paz, cara artificial!
-
A minha cara não é artificial, é todo natural!
-
Por isso é que tens tanta maquiagem. - Respondeu Jennifer.
-
Tento na língua! - Disse Meleni virando as costas e indo embora com a Helena
atrás.
-
Obrigado, o meu nome é Jennifer, mas trata-me por Jenny e o teu?
-
O meu é Jessica, mas trata-me por Jessy e não tens de que, tiveste azar em ir
contra a Meleni logo no teu primeiro dia.
-
Jessy, Jessy, Jessy!
Elas
se viraram e viram um rapaz com um pólo e umas calças de ganga, ele era moreno
e estava com muletas.
-
Olá, o que se passa? - Jessy perguntou.
-
Socorro!
Logo
atrás dele vinha uma equipe furiosa de futebol americano.
-
Parem! - Ordenou Jennifer.
Todos
os jogadores de futebol obedeceram e o capitão perguntou:
-
Quem és tu?
-
Sou Jennifer, porque o estão a seguir?
-
Ele atirou-nos com bolas na cara.
-
Eu vou fazer picadinho dele. - Disse um dos jogadores
-
Não! - Gritaram Jennifer, Jessy e o rapaz em uníssono.
-
Nunca te vi antes deves ser uma caloura.- Disse o capitão. - Dá-me uma razão
para não lhe bater.
Ela
não sabia o que responder, mas não podia deixar que lhe batam, então Jessy
respondeu:
-
Ele é meu... Quer dizer nosso amigo, não lhe podem bater!
-
Ela tem razão, o que ele vez não foi correto. - Disse Jenny, lançando um olhar
para o rapaz moreno. - Mas se lhe baterem perderão a razão.
-
A rapariga tem razão. - Disse outro rapaz de olhos azuis mar e cabelos
castanhos.
-
Obrigada. - Disse Jenny, olhando para ele com um sorriso.
-
Vamos embora malta. - Disse o capitão. - Mas se ele voltar a fazer alguma coisa
destas outra vez é melhor procurarem-no nos cacifos do ginásio!
O
capitão foi se embora com a equipe a segui-lo. Esta foi por pouco, pensou o rapaz moreno.
-
Obrigada as duas! - Disse muito agradecido.
-
Por que atiras te bolas a cara deles?!?! - Disse Jessy
-
Eles disseram que eu não tinha boa pontaria, que não prestava para nada e que era
deficiente!
-
Era mais fácil ignorar e depois dizer ao professor, não achas?
-
Sim. - Disse ele cabisbaixo. - O meu nome é Fred.
-
Eu sou a Jennifer, mas trata-me por Jenny
-
Fantástico, Jenny e Jessy!
-
É
Sou
o toque para a entrada
-
Já sabes qual é a tua turma?- perguntou Fred
-
É a turma S12 e a vossa?
Jessy
respondeu com um sorriso:
-
És da nossa turma!
-
Ótimo, já não estou sozinha!
Eles
foram caminhando para a sala e encontraram Meleni no caminho.
-
Ignorem. - Murmurou Jessy.
-
Olha os três esquisitoídes! - Disse Meleni começando as gargalhadas com Helena.
Se pudesse já tinha
levado um murro na cara para ver se cala-se,
pensou Jenny
Quando
chegaram à sala, Jenny foi apresentada e foi se sentar ao pé de Jessy e Fred,
estavam a ter aulas de história. Ela ficou tão aborrecida que adormeceu, teve
sonhos muito estranhos, mas muito realistas. Estava numa espécie de
acampamento, com sátiros, ninfas e todos os seres mitológicos que lera em
livros e também viu Jessy e Fred. A cena mudou, simples adolescentes com armas
a lutarem um grande gigante coberto de trevas a gritar o nome de Jenny, que
ficou alarmada que acordou sobressaltada.
-
Jenny! - Disse Jessy
-
Muito bem menina! - Disse a professora. - A dormir durante a minha aula! Muito
bem!
-
Desculpe professora, não era minha intenção
-
Pois não, como castigo vai escrever um resumo sobre esta aula para amanhã.
-
Mas...
-
Mas nada. - Disse a professora
-
Está bem. - Disse Jenny aborrecida
-
Bem meninos, amanhã vamos ter uma visita de estudo ao museu, deem isto aos vossos
pais, se não tiverem o papel assinado não podem vir!
Quando
o pai chegou para a vir buscar viu-a a sair com os seus novos amigos.
-
Oi pai! - Disse Jenny. - Estes são os meus amigos Jessy e Fred!
O
pai olhou para eles com um sorriso:
-
Querem boleia?
-
Tem a certeza que não se importa? - Disse Jessy
-
Claro que não, amigos da minha filha são meus amigos.
-
Desculpe, mas você não é o famoso empresário João?
-
Rapaz esperto! Sim, sou.
-
Que fixe! - Disse Fred
-
Vem ou não, levo-os pra minha casa para lancharem, pode ser?
-
Preciso de avisar o meu pai. - Disse Jessy
-
Sem problemas, e você?
-
Eu? Os meus pais estão fora, mas por mim tudo bem. - disse Fred.
-
Ótimo entrem, avisa o seu pai a caminho de minha casa, qualquer coisa passe-me
o telefone.
Entraram todos no carro, ele não usava o seu BMW
branco, pois fazia com que ele se lembrasse de Hecate, desta vez estava do sua
Mercedes preta. Muito confortável,
pensou Fred.
História de Sara Jesus
Notas de rodapé:
"Eles vão ver como elas mordem ": Expressão de Portugal que significa "terão problemas com o pai"
"Tento na língua": Expressão de Portugal que significa "cuidado com o que fala"
"Boleia": carona
"Que fixe": Expressão de Portugal que significa "que legal"
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