Elena
Treagus fitava Jonathan, o pai de Leonard, sem acreditar, mas ainda esperava
sua resposta. Nunca poderia ter imaginado que ele seria algum tipo de
super-herói com poderes. Os dois, Jonathan e Nathanael, estavam presos em
gaiolas feitas de fogo do Inferno que ela invocara - uma das vantagens com o
pacto com a Voz, como chamou a voz que fala em sua cabeça, é que ela sabia
todas as palavras que podiam fazer mágica em qualquer língua falada por homem,
fosse morta ou não.
-
Eu vou com você. - Ele finalmente respondeu.
-
Isso é impossível! Você não tem coração. Não pode trair ao Conselho! -
Nathanael disse.
-
Muitas coisas mudaram desde aquela batalha contra Lúcifer, Caído. Desde que sua
escória foi mandada de volta ao Paraíso e apenas eu sobrei de minha raça,
muitas coisas que eu julgava impossível aconteceram. Uma delas é que ganhei um
coração e, com ele, a habilidade de manipular os cinco elementos.
-
Está me dizendo que o ar não é o único que você consegue manipular?
Ele
posicionou-se como se fosse combater e movimentou-se, dando socos no ar, ou
melhor, na gaiola que o prendia, mas sem tocá-la. Aos poucos duas grades foram
se afastando, como se as tivesse puxado. Depois de um tempo, elas estavam
afastadas o bastante para que ele estivesse livre.
-
Isso é impossível. - Nathanael gaguejou incrédulo.
-
O fogo do Inferno é um tanto difícil de manipular, mas não é impossível. Nesses
três anos eu lutei bastante com demônios. E, como eles basicamente usam o fogo
para combater, eu treinei manipulá-lo. Não o faço com perfeição e sou um tanto
demorado, todavia consigo. - Explicou. - Vamos indo, Elena.
Ela
montou em Anúbis, que mandou que segurasse. Ele ia misturar a realidade com o
Duat novamente para manipular o espaço e viajarem mais rápido. Antes de
partirem ela se virou para Jonathan.
-
Nos encontramos no Vale?
-
Sim. - Ele respondeu.
Os
dois, então, correram. Jonathan saltou e, usando o vento, voou.
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O
anjo Nathanael simplesmente não conseguia acreditar que Jonathan, o último Heartless vivo, havia conseguido um
coração. Como? Quem dera um coração para ele? Por quê? Como? E isso conseguira corrompê-lo e fê-lo trair ao Conselho de
Prata. As coisas realmente estavam mudando. O Paraíso, a perfeita utopia,
estava em guerra. Os deuses - pelo menos um dos que sobreviveram - estavam se
libertando e voltando para a Terra. Algo muito ruim estava por vir. Será que
era aquilo que Miguel contara enquanto voavam para Nova Jerusalém? Seria mesmo
possível que a Batalha das Eras iria mesmo começar?
Você ainda não tinha
sido criado na época e eu - Miguel contou no dia em
que os Filhos do Abismo despertaram - era
um jovem querubim quando a Primeira Guerra Celestial aconteceu. Nós fomos
obrigados a nos tornar guerreiros, pois o Senhor lutava contra a Morte e o Mal
em pessoa e os Filhos do Abismo poderiam conquistar com facilidade a Cidade de
Prata. Nós lutamos, vencemos e a paz foi restaurada. Contudo, os dois inimigos
ainda estavam livres, apesar do Mal estar enfraquecido. Deus não podia matar
nenhum dos dois devido ao Equilíbrio e as Leis. Enfim, não tenho tempo para
explicar todos os detalhes. O Mal, depois que o Senhor criou o Paraíso e a nós,
criou criaturas imortais, de aparência humana e com poderes sobrenaturais e as
colocou no lugar que chamou de Duat. Quando ele estava forte de novo - e isso
aconteceu quando os homens já estavam sobre a Terra - ele espalhou suas
criaturas pela Terra para tirar o foco dos homens de Deus. Eles chamaram esses
seres espetaculares de deuses.
O Criador decidiu fazer
algo e criou uma prisão para o Mal e fez as chaves dessa prisão usando alguns
deuses. Os escolhidos para chaves ou que tinham um propósito no futuro e seus
Panteões - como é chamada uma comunidade de deuses - foram expulsos da Terra.
Eram o Panteão Grego, o Nórdico e o Egípcio. O Conselho disse que há de chegar
o dia em que o Mal retornará. É o que chamou de a Batalha das Eras. Uma guerra
que envolverá os sete mundos. “Aquilo que está por vir” é como chamamos.
Será que isso é mesmo
possível? Será que a Segunda Guerra Celestial que está acontecendo nesse
momento tem a ver com tudo isso? Batalha das Eras... Será que realmente uma
batalha assim está por vir?, Nathanael estava tão
imerso em seus pensamentos que se esquecera de que estava dentro de uma gaiola.
Pensou em alguma forma de sair da gaiola; sabia que não conseguiria abri-la,
então ele teria que sair de lá.
-
Anouvot. - Ele disse a palavra na
Língua de Prata.
Algo
como um buraco negro surgiu dentro do olho dele, sugando-o. E, do lado de fora
da gaiola, outro surgiu e expeliu-o. Ele ficou imediatamente cansado após o
feitiço celestial. O próximo passo era contatar o Conselho, apesar de ele não
ter energia nem para voar, o que dirá para mandar uma mensagem ao Paraíso. Ele
sentiu-se cansado, mas havia algo errado. Estava mais cansado do que o de
costume ao usar a Magia Celestial. Parecia que havia alguém sugando sua
energia. Ele só conhecia alguém capaz de fazer isso.
A
consciência dele foi aos poucos indo embora, mas antes que sua visão se tornasse
totalmente escura, ele pode jurar que um homem de imensos cabelos brancos vindo
em sua direção.
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Poucos
minutos de cavalgada haviam passado quando Anúbis parou. Jonathan pousou ao
lado deles. Diante dos dois estava uma pequena vila cercada por uma floresta
fechada, que por sua vez estava circundada por uma montanha de pico enevoado.
Aquela vila não parecia habitada há pelo menos cinco séculos, como Elena
deduziu devido à rusticidade das casas e as eras e musgo que cresciam pelas
paredes.
-
Chegamos. - O deus anunciou depois que Elena desmontou e ele voltou à forma
humana.
-
Este lugar é... - Jonathan começou.
-
Sim. - Anúbis respondeu. - Está é a Floresta da Infinita Escuridão, uma das
portas para o Inferno e o lar de Abakur.
-
Vocês têm mesmo coragem de vir até aqui. Mas como pretendem chegar até lá?
-
Lá onde? - A garota perguntou.
-
No Reino dos Sonhos.
-
Onde? - Anúbis perguntou.
-
Não tem como explicar de forma simples. Então, vamos lá. - Ele não parecia
feliz tendo que explicar. - Das sete portas para o Inferno, seis delas são
feitas em três partes. Tomando a que está na nossa frente como exemplo, a
Floresta está aqui, na Terra, a segunda parte, onde está o dragão, está entre a
Terra e o Inferno, ou seja, no Reino dos Sonhos. E a terceira, é óbvio, está no
Inferno. Para que vocês cheguem até o dragão, vocês tem que atravessar o terço
da Floresta que está na Terra. Como vocês pretendem fazer isso?
-
Andando, oras. - Anúbis zombou.
-
Se você não se perder. - Jonathan retrucou. - Por que acha que este lugar está
abandonado? Milhões se perderam nesta Floresta e foram mortos pelas três Feras.
Ninguém sobreviveu para contar onde é à entrada do Reino dos Sonhos. Nem mesmo
Dante Alighieri sabe onde é, sabe apenas que de alguma forma chegou lá.
-
Então alguém atravessou e sobreviveu a Floresta. - Ela retrucou.
-
Sim, apenas por ter a ajuda de uma alma que já estava do outro lado.
-
E como, então, vamos chegar lá? - Ela perguntou.
- Igual ao Dante Alighieri: você irá dormir. -
Jonathan respondeu.
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