Elena
deitou sobre a grama. Apenas Jonathan estava com ela, Anúbis tinha ido checar a
vila fantasma para saber se realmente não havia ninguém ali. Por mais que
tentasse relaxar, ela não conseguia. A tensão, a responsabilidade e o fato de
saber que alguma coisa ruim estava acontecendo com Leonard no Paraíso; ele
estava preso; tudo isso não a deixava descansar. Muito menos, dormir.
-
Eu não consigo. Não vou conseguir dormir. - Reclamou.
-
Sim, você vai. Você precisa.
Ela
fechou os olhos e pensou em Leonard; pensou em quando ele ainda estava vivo;
pensou no tempo que passaram juntos; nas promessas.
Leonard
olhava-a de dentro da Floresta. Seus olhos castanhos tão lindos como sempre.
Ele parecia machucado, estava sujo, com o rosto arranhado e as roupas em estado
lastimável; sentiu-se impotente por não poder ajudá-lo de maneira alguma. Sem
pensar duas vezes correu em direção a ele.
Assim
que adentrou na Floresta, ela ouviu passos correndo; e não eram os dela. Eram
passos rápidos, mais do que qualquer humano poderia correr. Ela soube, então,
que as Três Feras que Jonathan havia citado já sabiam de sua presença.
Leonard
guiou-a cada vez mais fundo na Floresta, onde a luz foi ficando escassa.
Conforme foi ficando escuro, ela notou que ele emitia um estranho brilho
esbranquiçado, como um fantasma. Ela tentou gritar seu nome, mas nenhuma voz
saiu de sua boca. Os passos que a perseguiam estavam cada vez mais próximos, e
ela percebeu que não era apenas um.
Saindo
de trás de uma árvore, um lobo imenso saltou diante dela, rosnando e deixando
os dentes afiados a mostra. Ela parou bruscamente e tentou usar magia, em vão.
Sem movimentos bruscos, ela recuou com medo de que ele atacasse. Ouviu algo parando
atrás dela. Virou devagar apenas para ver um leão ainda maior que o lobo. Este
estava parado de forma solene, e fitava-a com um ar superior. Então a sua
esquerda surgiu uma pantera, de pelo negro brilhante e olhos amarelos; ela
estava meio encurvada, como que pronta para dar o bote.
-
Elena.
Seu
coração palpitou. Ouvir seu nome na voz da pessoa que ela mais amava depois de
perdê-lo para a Morte quando achava que nunca mais ouviria, marejaram seus
olhos. Leonard emitia ainda o brilho esbranquiçado e estava à direita, chamando-a.
Ela correu em direção ao amado. As Três Feras foram em seu encalço
imediatamente. Ela não conseguia chegar perto de Leonard, pois este corria mais
rápido que ela. Elas estavam próximas à garota. O lobo e a pantera
acompanhavam-na pela lateral, enquanto o leão se mantinha atrás, correndo tão
solene quanto um rei. Se a situação não fosse de vida ou morte, aquilo seria
até engraçado.
De
repente, Leonard sumiu. Ela se desesperou e acabou tropeçando em uma raiz,
caindo desengonçadamente com um tornozelo machucado. Merda, pensou. Nem mesmo para curar seu pé a magia funcionou. O que
estava acontecendo? Fechou os olhos e esperou que alguma garra destroçasse seu
pescoço, como isso não aconteceu, reabriu-os. Leonard estava diante dela, com
uma mão estendida para ela. Seu coração que já estava acelerado pela corrida
bateu ainda mais rápido. Será que poderia sentir novamente o toque dele?
Estendeu a mão, e o rapaz ajudou-a a levantar. Será mesmo que aquilo era real?
Será que realmente ele estava ali? Será que...?
Ela
tentou abraçá-lo e beijá-lo, porém a figura fantasma dele afastou-a,
sinalizando que não com a cabeça. Decepcionada, fitou os olhos castanhos dele.
Leonard então apontou para uma pequena gruta a alguns metros. Ela conseguiu,
chegou onde queria.
Quando
tornou a olhar, ele havia desparecido. Elena secou as lágrimas e andou até a
gruta que separava a Terra do Reino dos Sonhos.
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Saara, Terra
Abril de 2011
-
O jogo virou, Sephiroth, agora você tem que me dizer
como chegar ao Paraíso sem ser notado. - Melanie gritou; havia um óbvio de sarcasmo
em sua voz.
- Sangue de dragão.
Melanie arregalou os olhos de surpresa. Sephiroth explicou um
pouco como funciona o poder contido no sangue das criaturas. Então, quando
terminou, correu. Ela, junto com os treze lobisomens correram atrás dele, porém
quando o cercaram em uma das salas, ele já havia desaparecido.
Os quatorzes ali presentes saíram da casa, e eles voltaram à forma
humana. Diante de Melanie estavam oito homens e cinco mulheres, todos nus. Um
deles chamado Mason Flynn, que era o líder da matilha, observava-a com um
sorriso confiante no rosto. Com um movimento de braço e algumas palavras na
Língua Proibida, ela conjurou roupas para todos eles.
- Ah! Por que fez isso? Estava maneiro todo ao natural. - Seu
timbre de voz mudou, começando a frase mais agudo do que terminou; Melanie
precisou conter uma risada, pois aquele Mason era capaz de imitar o Jim Carrey
com perfeição.
- O que pensa que está fazendo aqui, Mason?! - Brigou.
- Vim para te salvar, oras. O que mais?
- Como você me encontrou?
- Eu prometi que sempre te acharia. E a promessa de um lobo não
pode ser quebrada.
- E precisava ter trazido a matilha toda?
- Eles prometeram-me acompanhar onde quer que eu fosse. E a
promessa...
-... De um lobo não pode ser quebrada. - Replicou. - Enfim, voltem
para casa. Vocês não podem ir comigo.
- Por que não? - Mason indagou visivelmente chateado.
- Eu estou indo encontrar um dragão. Levá-los seria perigoso...
- Deixe ao menos eu ir com você. - Ele disse sério, em um tom mais
baixo. - Eu te amo.
- Mason, olha, você não pode ir. Por que não te amo.
- Por que não? O que tem de errado comigo?
- Nada. Eu só amo outra pessoa.
- Aaron?
Ela não respondeu, consentindo com o homem lobo.
- Tudo bem. - Ele disse por fim. - Mas eu sempre vou estar lá
quando você precisar de mim.
De coração partido, o lobisomem deu as costas para Melanie, e
sinalizando para a matilha, os treze viraram lobos gigantes e correram de volta
para casa, deixando os restos das roupas recém-conjuradas para trás.
Melanie, após curar suas feridas e restaurar suas roupas com
magia, tirou do bolso uma bússola capaz de encontrar qualquer coisa, porém,
antes que conseguisse ativá-la para encontrar o dragão mais próximo, um portal
oval surgiu diante de si. Aquele portal só podia significar uma coisa: os
Espadas.
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