Shiojiri, Japão
Inverno
O
primeiro floco de neve atingiu a janela da biblioteca da casa de Jasmine.
Harry, que por acaso olhara para fora, viu-o atingir o vidro e ali ficar. Olhou
as dezenas de papéis sobre a mesa. Desde o primeiro dia dele ali no meio do
Outono, ele vinha estudando as Runas do Grimório de Deon Youngblood, mas não
conseguia descobrir exatamente como o feitiço de imortalidade funcionava e como
poderia sabotá-lo sem que os inimigos descobrissem o que ele havia feito.
O
feitiço era extremamente complexo. Provavelmente era o feitiço mais completo
que Harry vira na vida. Pelo que ele havia entendido até agora, um bruxo
precisaria de sete Horcrux para que funcionasse, mas todas elas deveriam ser
pessoas do mesmo sexo daquele que conjura. Ou seja, ele precisaria matar outras
sete pessoas. Em seu Grimório Deon chama de “sete sacrifícios” e “sete
receptáculos”.
Uma
vez que as partes da alma estão dentro dos corpos, o bruxo precisa que outros
sete bruxos diferentes conjurem feitiços para que os receptáculos sejam
conservados durante setecentos anos cada. Essa
é a parte fácil, Harry concluiu, basta
congelá-los. A última parte do feitiço, entretanto, era a mais complicada.
Tratava-se
de um feitiço de troca de corpo. Harry nunca tinha ouvido falar de um feitiço
assim, mas era o que Deon havia feito. Era impossível ler o feitiço do
Grimório, pois não apenas estava escrito em Runas, como também estava em uma
espécie de código que ele não conseguia decifrar e, sem o fazer, não tinha como
sabotá-lo e cumprir a missão dada pelo Ministro.
Saiu
da biblioteca e de seu esconderijo. Andou devagar pela rua, sentindo os flocos
de neve tocarem seu rosto. Estava bem agasalhado, e por isso não sentia frio.
Enquanto caminhava, ouviu a bela voz de uma mulher cantando. Era uma música
lenta, um tanto lírica, belíssima de se ouvir. Parou diante de uma casa
exatamente como a que ele estava, da qual ele achava estar vindo a música.
Via
pelas janelas um vulto indo para lá e para cá. Deduziu que era uma mulher
fazendo os deveres domésticos. Era ela quem cantava. A porta de repente se
abriu; uma jovem japonesa estava diante dele. Ela era lindíssima, com longos
cabelos negros, olhos da mesma cor. Ela usava um quimono florido cor de rosa,
amarrado a cintura por um pano preto. A mulher, assim que o viu, fechou a porta
de supetão. Harry a havia assustado.
-
Ei... Moça... Eu não quis te assustar! - Quando notou, já estava encostado à
porta. - Moça? - Chamou com o ouvido colado à porta.
-
Vá embora. - Ela disse em um inglês perfeito, mais perfeito até do que o de
Yuta.
-
Me desculpe, não foi minha intenção de assustar! - Harry disse, mas nenhuma
resposta veio.
Voltou
para o esconderijo, onde Yuta o aguardava na entrada. Ele trazia consigo
comida, mas dessa vez não era nada japonês, e sim um Curry de carne. Harry
nunca ficou tão feliz de ver o amigo oriental.
-
Onde conseguiu isso? - Harry perguntou.
-
Isso, meu amigo, é um segredo. - Ele sorria. - Brincadeira. Eu comprei no
mercado inglês de Tóquio.
-
Incrível! Temos que comer imediatamente! - Eles sentaram-se à mesa, serviram-se
e, enquanto comiam, Harry perguntou: - Qual a melhor forma de se desculpar a
uma japonesa?
-
Como assim? - Yuta estranhou.
-
Agora a pouco eu ouvi uma mulher cantando aqui na rua. Em uma das casas
vizinhas, para falar a verdade. Eu parei diante da casa dela. Ela saiu, mas,
assim que me viu, ela fechou a porta subitamente. Eu devo tê-la assustado. -
Por alguma razão, Yuta riu.
-
Não se preocupe com isso. Você provavelmente nunca mais a verá na vida.
Depois
que Yuta saiu, Harry voltou ao Grimório. Ele avançava devagar, pois ainda não
entendia o código. Nem mesmo Jasmine ou Yuta tiveram alguma ideia de como
decodificá-lo. Ele até mesmo mandou uma solicitação para que o Ministério
mandasse alguém para ajudá-lo, mas até agora a coruja não havia retornado.
Naquela
noite ele sonhou com a japonesa cantora. A voz dela ecoou em seus ouvidos
durante toda a noite. Ele não sabia, nem nunca soube, que ela passou a noite
cantando sozinha em sua casa. Ao despertar pela manhã, ele sentiu uma vontade
imensa de ver a mulher mais uma vez. Ela era belíssima, tinha que vê-la de
novo.
Precisou
atravessar uma tempestade de neve mediana para chegar até a casa da mulher, mas
decepcionou-se ao chegar lá e constatar que tudo estava silencioso e sem movimento
algum. A casa estava vazia. Voltou ao esconderijo e, assim que fechou a porta,
a tempestade agravou-se, deixando quase um metro de neve diante da porta,
impedindo a passagem. Nem mesmo em Hogwarts ele tinha visto tanta neve assim.
Retornou
ao trabalho sobre o Grimório, mas a frustração de não conseguir descobrir o
código e a imagem da mulher em sua cabeça impediram-no de concentrar-se. Por
mais que tentasse, ela continuava surgindo em sua mente, atrapalhando. Ele
ouviu o som agoniante de um caminhão passando na rua; era um daqueles de limpar
a rua da neve. Ele soube que aquela era sua oportunidade para rever a mulher.
Com
uma varinha em mãos, ele abriu a porta. Usou o feitiço Incendio para abrir caminho; a temperatura das chamas que conjurava
era tão alta, que o neve nem chegava a virar água, transformava direto em vapor
subia para o céu. Assim que atingiu a rua, ele viu a mulher caminhando do outro
lado.
Assim
que o viu, ela acelerou o passo em direção a casa dela mesma, mas escorregou.
Harry ajudou-a antes que ela caísse.
-
Fique calma, moça. Não vou te machucar.
-
Se afaste de mim, gaijin. - Ela
disse, desvencilhando-se do braço dele.
-
Gaijin? O que isso significa?
-
Significa “forasteiro”. - Harry não acreditava que o inglês dela podia ser tão
perfeito. - Com licença. - Ela foi entrando em sua casa, mas ele a segurou pelo
braço.
-
O que foi, por que está com tanto medo?
-
Você é um gaijin. Gaijins são maus.
-
Eu não sou. - Ele a soltou e olhou em seus olhos negros. - Sou Harry Potter.
Ela
correu para a porta, mas antes de entrar, virou-se para fitar Harry e disse:
-
Yumiko Susumo. - Ela sorriu e entrou.
Harry
estava indo par seu esconderijo, quando ouviu a voz de Yumiko cantando. Ele não
notou quando o sol se pós, momento em que ela parou de cantar. Andando como um
zumbi, ele voltou para a casa onde estava hospedado. Sentou diante da mesa
sobre a qual estava o Grimório e dormiu em cima dele.
Quem
despertou-o de seu sonho com Yumiko foi Yuta, trazendo o almoço. Harry acabara
dormindo até muito tarde, coisa que não costumava fazer há anos. Ele contou
sobre a garota, o que deixou Yuta um tanto desconfiado, pois sabia que ele era
casado e estava no Japão buscando um meio de trazer a esposa de volta. Harry
não parecia do tipo que traía. Ele perguntou onde Yumiko morava, Harry disse um
tanto hesitante, pois desconfiou que o amigo pudesse querer a mulher.
-
Harry, fique aqui e continue trabalhando no Grimório, ok? Não saía, pois uma
tempestade está vindo.
-
E você?
-
Eu posso aparatar aqui no Japão sem correr o risco de me petrificar em uma
parede. - Ele se levantou. - Com licença.
Harry
sentou diante do livro, mas não se concentrou, pois a música persistia em ecoar
em sua cabeça incansavelmente.
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Yuta
Kobayashi parou diante da casa indicada pelo bruxo inglês. Ele pôde sentir uma
aura estranha emanando da casa, ou talvez até de uma criatura que morava ali. A
descrição que Harry havia feito da mulher que morava ali e como ela lhe chamara
a atenção. Fazia um tempo que ouvia histórias assim naquela região, todas
envolvendo uma mulher belíssima e de cabelos negros. Havia um jeito de
descobrir. Ele apontou a varinha para a casa e disse:
-
Finite Incantatem.
O
feitiço foi barrado em um escudo que circundava a casa. Nesse escudo havia diversos
Kanji e Hiragana, entretanto um Kanji
se repetia mais constantemente que os outros:
雪女
-
Inferno. - Yuta disse para si mesmo.
Ele
sacou um telefone celular de última geração do bolso. Discou um número. O
telefone tocou três vezes antes que uma mulher atendesse em japonês. Yuta falou
uma sequência de números que o faria ser transferido para o setor de emergência
mágica do governo. Assim que outra pessoa do outro lado atendeu, ele disse
apressadamente:
-
Aqui é o agente Kobayashi. Eu encontrei uma Yuki-Onna. Preciso de um time de
contenção e extração imediatamente. - Ele acrescentou o endereço. - Mandem
também uma equipe de desintoxicação, ela encantou um gaijin que está de visita.
-
Sim senhor. Uma equipe está a caminho.
-
Vocês precisam se apressar, pois o gaijin
alvo dela é Harry Potter.
Assim
que desligou e voltou os olhos mais uma vez para casa, Yuta deu de cara com a
mulher descrita por Harry. Yumiko, como ela se apresentara ao bruxo inglês,
estava ali, olhando-o ameaçadoramente.
-
Eu posso sentir magia em você. - Ela disse. - Apesar do gaijin ser muito, muito mais poderoso. - Yuta tentou sacar a
varinha, mas ela, com um simples movimento de mão, lançou-a longe. - Já que fui
descoberta, preciso me apressar.
Ela
acrescentou algumas palavras desconhecidas ao bruxo, que caiu na neve
inconsciente. Yumiko o arrastou para dentro de sua casa. Deixou-o caído no hall
principal, e foi até o esconderijo onde estava seu gaijin.
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Harry
ouviu uma batida na porta. Estranhou, pois não poderia ser nem Yuta ou Jasmine,
pois ambos entravam sem bater. De fato, não poderia ser ninguém além dos dois,
pois a casa estava protegida pelo feitiço Fidelius.
Ele ouviu mais uma vez o canto de Yumiko, mas dessa vez estava logo atrás da
porta.
Em
transe, ele respondeu abriu-a. Yumiko estava do outro lado, trajando apenas um
robe de seda, permitindo a Harry que visse todo seu corpo como se ela estivesse
nua. Ela entrou cantando, fechou a porta atrás de si. Os olhos de Harry estavam
dilatados, ele não via mais nada além da japonesa. Ela parou de cantar e beijou
o bruxo calorosamente.
Ele
estava sob seu encanto perverso, por isso não sentiu que a mulher estava
sugando sua magia.
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A
equipe despertou Yuta com acetona. Acordou assustado, não sabia onde estava,
mas lembrou-se de que havia sido atacado pela Yuki-Onna.
Yuki-Onna,
ou mulheres da neve, conforme o folclore japonês, é um espirito que seduz os
homens através de seu canto para que estes morressem em nevascas congelados. Ou
melhor, essa era a versão que o Governo Mágico Japonês criou para enganar os
trouxas quando as Yuki-Onna saíram de controle durante os século XVIII. A
verdade era que elas seduziam apenas bruxos para assim roubar suas magias.
Como
elas hibernam durante todo o ano, até a chegada do inverno, Yuta falhou em
localizar aquela que estava mais próxima do bruxo mais poderoso do mundo, que
por acidente, caíra em seu encanto. Ele corria um perigo inimaginável.
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Harry
parou de beijar Yumiko contra a vontade da mulher. Era como se alguém no fundo
da sua mente forçasse-o a afastar-se dela. Ouviu uma voz gritando em sua mente;
era a voz de uma mulher; uma voz que ele conhecera há muito tempo, mas que
agora mal se lembrava. Era a voz de uma mulher de outra vida.
Olhou
para o lado por um segundo para ver uma pessoa parada ao lado dos dois. Era uma
ruiva, com olhos verdes lindos. Sabia quem era ela, mas o nome não vinha em sua
mente.
-
O que foi, meu amor? O que está olhando? - Yumiko perguntou.
-
Aquela ruiva ali. Não a vê?
-
Não há ninguém ali. Por favor, me beije.
-
Nem pense em fazer isso, Harry Potter. - A ruiva disse em tom repreendedor; ele
ouvira esse tom muitas vezes nos últimos dezenove anos.
-
Harry. Olhe para mim. - Yumiko disse de forma sedutora.
Ele
o fez, mas quem estava diante dele não era sua adorada japonesa, mas a ruiva.
Bastou apenas olhar fundo naqueles olhos verdes que ele soubesse.
-
Gina. - Ele disse. - Ai meu Deus. - Ele empurrou a mulher que, de repente,
voltara a ser Yumiko.
Nesse
momento Yuta entrou com tudo, sua varinha em mãos apontando para a mulher. Usou
um Carpe Retractum para puxar a
mulher pela porta. Ela caiu sobre a neve na rua, onde um time de quatro homens
prendeu-a em uma gaiola.
Enquanto
os agentes levavam Yumiko, Yuta guiou o confuso Potter até a cadeira mais
próxima. Harry sentia muita dor de cabeça, sua visão estava um pouco turva. Ele
não estava entendendo mais nada.
-
O que aconteceu? Yuta? Como cheguei aqui na sala?
-
Qual a última coisa de que se lembra, Harry?
-
Eu estava estudando. Estava me sentindo meio frustrado por não decifrar o
código. Fui andar pela rua para esclarecer...
-
Ai você ouviu alguém cantando?
-
Sim... Uma mulher.
Yuta
então explicou sobre a Yuki-Onna e como ela o tinha enfeitiçado. Ele não se lembrava
de nada daquilo.
-
Um time está levando-a para Universidade Mahotokoro para que ela fique presa e
não cante para mais ninguém. - Yuta disse. - É melhor você descansar antes de
voltar ao trabalho.
Harry
precisou de um banho depois de tudo aquilo. Deixou que a água quente caísse
sobre si durante vários minutos. Quando saiu, o espelho estava embaçado. Limpou
com uma das mãos e observou seu próprio rosto. A cicatriz de raio ainda estava
em sua testa, tornou-se praticamente invisível com o passar dos anos, mas
estava ali. Fazia dezenove anos que ela não doía. Dezenove anos de paz indo por
água abaixo.
Talvez
ainda estivesse um tanto afetado pelo encantamento da Yuki-Onna, mas achou sua
cicatriz engraçada vista ao contrário no... Espelho!
-
Um espelho! É claro! - Ele gritou de emoção. - Yuta! Yuta!
Ele
saiu correndo do banheiro apenas de toalha. Ficou com vergonha quando viu que
Jasmine estava na cozinha com seu amigo japonês, mas disse mesmo assim:
-
Preciso de um espelho! Na biblioteca! Eu vou colocar uma roupa.
Os
dois estavam esperando por ele quando ele entrou na biblioteca. Ele colorou o
espelho de modo que refletisse a linha de Runas lateralmente. Quando leu
através do espelho, as palavras passaram a fazer sentido e o feitiço finalmente
se revelou para ele. Iniciou imediatamente a tradução, enquanto Yuta segurava o
espelho na posição correta.
Levou
cerca de um dia inteiro para traduzir perfeitamente até o fim do feitiço. Eles
terminaram o serviço e releram o que estava escrito. Harry não pode acreditar
na crueldade que era aquele feitiço.
Tendo
parte de sua alma dentro do receptáculo, o bruxo pode reunificar-se com sua
alma, assim dominando o corpo e a mente dele. Mas para jogar sua alma para
outro corpo é necessário uma série de ingredientes e um ritual sombrio. Esses
ingredientes eram, desde escama de serpente do deserto e veneno de Basilisco, a
um coração de uma mulher virgem. Ou seja, mais sete sacrifícios aconteceriam.
Pelo que Harry entendeu, quando você pulasse para o último receptáculo, sua
alma estaria completa novamente e, portanto, poderia refazer o feitiço. Cada
receptáculo poderia durar mais de cem anos.
-
Esse feitiço é muito mais cruel que as Maldições Imperdoáveis. - Jasmine estava
chocada. - De fato, um Crucio é
cosquinha comparado a isso.
-
Pelo menos eu já sei como sabotar o feitiço sem que os inimigos percebam. -
Harry afirmou. - Vou deixar a parte dos ingredientes de fora. Ele nunca irá
saber que é preciso tais coisas.
-
Mas se entregar o segredo desse feitiço, você estará colocando em risco a vida
de quatorze pessoas, pelo menos. - Yuta disse. - Levá-lo pode ser o maior erro
que você cometerá, Harry.
-
Eu sei, mas é a única forma de salvar minha esposa. Depois de tê-la de volta
vou me preocupar com os sacrifícios do feitiço.
O
barulho de bicos batendo na janela interrompeu a conversa. Eles olharam e Harry
reconheceu imediatamente a coruja Edwiges II. Permitiram que ela entrasse e se
escondesse da nevasca que acontecia do lado de fora. Em sua pata havia uma
carta.
Abriu-a
para descobrir que era de seu filho, Alvo, e sua sobrinha Rose. As palavras
estavam um pouco confusas, pois se misturavam ambas as letras. Entretanto, ele
conseguiu entender praticamente tudo o eles diziam. Basicamente eles colocaram
todas as peças do quebra-cabeças que faltavam. Eles deram o objetivo para a Triskelium; e uma nova pista que ele
precisaria seguir depois de conseguir sua esposa de volta. Ele finalmente soube
para que servia o mapa de Slytherin que eles queriam. Apesar dele ainda não ter
certeza para que eles querem o feitiço de imortalidade, é claro.
Chegara
o momento de Harry Potter voltar para casa.
_____________________________
Ted
Lupin cumprimentou o padrinho com um abraço. Eles estavam no Aeroporto de
Heathrow e Lilian estava com ele. Harry apertou a filha, pois estava morrendo
de saudade. Colocou-a sobre os ombros, o que a deixava sempre feliz. Eles
seguiram em direção ao estacionamento até que reconheceu seu carro estacionado.
-
Eu não me lembro de ter deixado você pegar o meu carro, Edward. - Harry
repreendeu.
-
Você estava fora do país. Como queria que eu te buscasse?
Harry
riu da brincadeira: - Mas quem dirige, sou eu. - Ted lançou a chave para o
padrinho.
Eles
seguiram para o Ministério. Harry deixou Lilian em sua sala, brincando no
computador. Enquanto seguiram pelo corredor em direção à sala do Ministro, Ted
comentou:
-
Você não vai descansar nem um pouquinho, padrinho?
-
Não temos tempo. - Ele olhou nos olhos de Ted. - Temos muito a discutir.
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Matsumoto,
Japão
Yuta
acompanhou pessoalmente o encarceramento da Yuki-Onna que quase sugou a magia
de Harry Potter. Ela tinha um selo mágico em sua boca, para que não cantasse.
Assim que a porta foi trancada por magia, os guardas se retiraram, deixando
Yuta sozinho a observar a cela.
O
som de um bruxo aparatando no corredor chamou-lhe a atenção. Quando se virou,
havia dois homens ali. Eles usavam uma túnica negra e máscaras redondas e lisas
que tinham buraco para apenas um olho. Em volta desse buraco havia um símbolo
que ele não conhecia. Era um triângulo de cujas pontas nasciam rodamoinhos.
-
Vocês não deveriam estar aqui. - Ele disse em japonês, mas como não obteve
resposta, repetiu em inglês.
-
Saia do caminho, bruxo. Ou então seremos obrigados a te tirar nós mesmos.
Yuta
fez menção de sacar a varinha, mas eles foram mais rápidos e lançaram um
feitiço. Yuta bateu contra uma parede e caiu no chão. Um dos invasores tocou
com a varinha na barreira que selava a Yuki-Onna; o selo se desfez como se
nunca tivesse sido conjurado. Outro feitiço arrancou a porta.
-
O que pensam que estão fazendo? A criatura ai dentro é perigosa.
-
Uma Yuki-Onna. Seres capazes de sugar magia. Eu sei o que é. Sei tudo sobre
ela.
-
Vocês não podem levá-la. Ela é apenas um monstro incontrolável!
Um
dos homens se virou para Yuta, que viu pura animalidade no único olho dele a
mostra.
- Não há monstro algum que um Viper não possa
controlar.
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