De
manhã bem cedo, Jenny foi acordada por Diana.
-
Acorda, tens de partir.
-
Uhm? Ah! Sim, vou só me vestir.
Ela
vestiu uma camiseta com as mangas descaídas e uma camiseta regata por baixo, calças
jeans e botas pretas muito confortáveis.
Fred,
Jessy e Cristiano já estavam à espera dela no elevador que só sobe. Fred tinha
deixado os seus cascos a mostra, só levando a parte de cima de uma armadura;
Jessy levava calças jeans, tênis e camiseta básica laranja, o Cristiano levava calças
de ganga, camiseta com o nome de uma equipa de hóquei. Estavam todos prontos,
todos tinham mochilas às costas.
Eles
entraram no elevador que só sobe, o elevador tinha quatro bancos, cada um com néctar,
uma bebida doce que os semideuses gostam, e era todo em bronze celestial, um
metal raro que Hefesto deitava para fora da sua oficina no Olimpo. Laura
dava-lhes instruções de como utilizar o elevador.
-
O botão vermelho é para parar, o verde para andar/subir e este botão aqui é a
velocidade a que vão, não ultrapassem dos 130km\h, senão vocês ficarão mal
dispostos com a pressão e a temperatura.
-
Está bem, o chalé de Hefesto é impressionante! Como construíram isto num só
dia?
-
Trabalho de equipe. - Respondeu Laura. - Bem adeus, está na hora de partirem.
-
Jennifer, toma. - Diana entregou-lhe o livro que tiveram a estudar. - Vais
precisar dele.
-
Obrigada. - Ela sorriu e arrumou o livro na mochila.
O
elevador começou a subir, subir e subir, até o acampamento parecer apenas uma
simples formiguinha muito pequena. Jessy sentou se ao lado de Fred atrás e
Jenny à frente com Cristiano.
-
Então, como veio parar ao acampamento? - Perguntou Jenny.
-
Um sátiro como Fred encontrou-me e trouxe-me para cá, aqui aprendi a atirar
flechas, apesar de ser filho de Apollo, não tinha muito boa pontaria. E tu?
Foste perseguida por um monstro antes de chegar aqui?
-Sim,
um manicure.
-
Manticore. - Corrigiu Fred que estava a beber o seu néctar.
-
Isso. Nunca sei dizer bem o nome daquela coisa.
O
resto da viagem foi silenciosa, ninguém falava e só se ouvia um bando de
pássaros que passavam de vez em quando. Subitamente, eles foram atacados, o
elevador abanou tanto que Fred cairia se Jessy não o tivesse segurado.
-
O que foi isto?
-
Não sei. - Disse o Cristiano armando o seu arco.
O
arco de Cristiano fora-lhe oferecido pelo próprio Apollo; ele aparecia e
desaparecia sempre que o semideus queria.
A
"coisa" atacou outra vez. Eles viram um animal, se aquilo se pudesse
chamar de animal, ele tinha asas e cabeça de águia e corpo de leão. Um grifo, pensou Jennifer, eles serviam
para proteger as coisas que os deuses ordenavam, devemos estar perto do
castelo.
-
São grifos! Eles protegem as coisas que os deuses ou os seus donos mandam,
devemos estar perto! - Gritou sua descoberta para os outros.
-
Tens razão. - Concordou Jessy. - Eles são protetores, o castelo não deve estar
longe! Temos de andar mais rápido a menos que queiram ser comida de pássaro!
-
Vou aumentar a velocidade! - Disse o Cristiano.
Ele
rodou o botão para 100 km/h, eles começaram a subir mais depressa, mas o grifo
continuava a atacar. Mais a cima, cerca de 10 metros, eles viram uma espessa
camada de nuvens, não que não tenham visto nuvens grandes, mas esta era maior e
mais grossa.
-
Deve ser aqui! - Disse Jessy apontando para cima.
Eles
atravessaram aquela camada espessa de nuvens como se não fosse nada.
-
Temos de saltar! - Gritou a Jenny.
-
Só podes estar a gozar! - Baliu o Fred.
-
Aos três! Um... Dois... Três! Saltem!
Todos
saltaram mesmo a tempo antes do elevador ter sido espetado pelo bico do grifo e
ter explodido. Fred ficou pendurado numa espécie de árvore-nuvem pela armadura,
Jessy caiu dentro de um lago, e Jenny e Cristiano caíram num arbusto. Quando se
levantou, viu que estavam num jardim muito bonito, cheio de árvores com frutas
coloridas, arbustos por todo o lado e um lago com água cálida.
-
Estão todos bem?
-
Depende do que consideras bem. - Resmungou Fred. - Se estar preso numa árvore
pela armadura é estar bem, então eu estou ótimo!
-
Eu estou bem, não me aconteceu nada além de me molhar. - Disse Jessy a sair do
lago.
-
Eu estaria melhor se não tivesses em cima de mim. - Disse o Cristiano.
-
Oh, desculpa!
-
Não faz mal.
-
Tirem-me daqui! - Gritou Fred.
-
Não grites! Ou o grifo volta!
A
próxima tarefa era tirar o Fred da árvore, mas como? Tentaram tirá-lo com um
pau grande, mas não resultou. Jennifer tentou usar um dos feitiços, mas também
não funcionou porque ela não estava concentrada o suficiente, aquele lugar
podia ser calmo, mas não lhe dava confiança.
O
ramo tinha se partido e o Fred estava no chão, ajudaram-no a levantar-se.
-
Estas bem? Nada quebrado? - Questionou o filho de Apollo.
-
Estou ótimo para quem caiu da árvore. - Satirizou o sátiro.
-
Próxima tarefa, encontrar o castelo. - Falou Jessy.
-
Já o encontrei. - Respondeu Jennifer.
Todos
olharam para oeste, o sol vinha de trás e por isso via-se bem o castelo, tinha
cerca de cinco a seis torres um grande portão. Mais grifos faziam a vigia. Fantástico! Quase não sobrevivemos a um
quanto mais a dezenas de grifos, Jenny pensou.
Eles
caminharam em direção ao castelo, os grifos repararam neles; subitamente eles
rodearam-nos tão rapidamente que os semideuses só tiveram tempo para juntar
costas com costas.
-
Eles são demasiados! - Advertiu Fred.
-
Não se preocupem. - Disse uma voz angelical. - Eles só vos matam se eu mandar.
Eles
viram um anjo a aproximar-se, ele era alto, magro e musculoso, tinha cabelos
dourados e encaracolados, e olhos tão angelicais como os de uma criança.
-
Tu és Triston? - Perguntou Jennifer.
-
Sim, sou eu. - Disse mostrando o seu sorriso de criança. - E vocês quem são? E
porque estão aqui?
-
Eu sou Jennifer. - Começou. - Sou filha de Hecate e estes são os meus amigos,
Jessy, Fred e Cristiano.
-
Uma filha de Hecate? A muito que não vejo uma. Tal como sátiros. Entrem vamos
tomar o café da manhã.
Os
grifos deixaram de tomar atenção neles e foram para os seus postos de guarda.
Eles seguiram o Triston até a sala do trono.
-
Por favor, tragam um belo café da manhã para os nossos convidados. - Disse
dirigindo-se para um dos empregados. - Agora, porque vieram cá?
-
Hecate mandou-nos aqui, disse que estava com problemas, viemos ajudar. - Respondeu-lhe
Jennifer.
-
Hecate? Estou em dívida com ela por me ter ajudado.
-
Sim, mas a vossa majestade não tem problemas?
-
Problemas, cheio de problemas estou eu!
-
Alguma coisa em que possamos ajudar?
-
Bem, se conseguires derrotar o monstro que a noite aparece e destrói o meu
jardim, seria bom.
-
Por mim tudo bem.
-
Nos só queremos a recompensa. - Murmurou Fred.
-
O que disses-te? - Rugiu o anjo.
-
Nada, eu não disse nada. - Balbuciou o sátiro.
-
Só querem a recompensa? Então muito bem! Guardas! Predam-nos!
Apareceram
os anjos guardas, todos tinham uma espada presa a cintura, armaduras brancas
brilhantes e olhares ferozes. Os quatro amigos baixaram as armas, não tinham
hipótese de vencer contra os guardas. Eles levaram-nos para as masmorras,
desceram vários degraus até lá chegarem. As masmorras eram frias e as grades
das celas não eram de ferro, mas sim de correntes de ar muito fortes capazes de
arrancar as mãos se lá às puserem. Os guardas tiraram-lhes as mochilas e as
armas. Puseram um em cada cela. Depois só ficou lá o guarda prisional que
estava à entrada das masmorras.
-
Bom trabalho! - Reclamou Jessy para o sátiro.
-
Desculpa, não era a minha intenção. - Respondeu cabisbaixo.
-
Pois, também não é minha intenção bater-te quando sairmos daqui!
-
Já pedi desculpa!
-
Isso muda alguma coisa?
-
Já chega! Parem os dois! - Disse Jenny. - Temos de sair daqui!
-
Sim, mas como? - Perguntou Cristiano.
Todos
olharam para Jessy.
-
O que foi?
-
Tu és a filha da deusa da sabedoria e da estratégia. - Disse Jenny.
-
Sim, claro. Deixem-me pensar em algo.
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