Filha de Hecate - Capítulo 08: A Chegada ao Castelo de Triston

De manhã bem cedo, Jenny foi acordada por Diana.
- Acorda, tens de partir.
- Uhm? Ah! Sim, vou só me vestir.
Ela vestiu uma camiseta com as mangas descaídas e uma camiseta regata por baixo, calças jeans e botas pretas muito confortáveis.
Fred, Jessy e Cristiano já estavam à espera dela no elevador que só sobe. Fred tinha deixado os seus cascos a mostra, só levando a parte de cima de uma armadura; Jessy levava calças jeans, tênis e camiseta básica laranja, o Cristiano levava calças de ganga, camiseta com o nome de uma equipa de hóquei. Estavam todos prontos, todos tinham mochilas às costas.

Eles entraram no elevador que só sobe, o elevador tinha quatro bancos, cada um com néctar, uma bebida doce que os semideuses gostam, e era todo em bronze celestial, um metal raro que Hefesto deitava para fora da sua oficina no Olimpo. Laura dava-lhes instruções de como utilizar o elevador.
- O botão vermelho é para parar, o verde para andar/subir e este botão aqui é a velocidade a que vão, não ultrapassem dos 130km\h, senão vocês ficarão mal dispostos com a pressão e a temperatura.
- Está bem, o chalé de Hefesto é impressionante! Como construíram isto num só dia?
- Trabalho de equipe. - Respondeu Laura. - Bem adeus, está na hora de partirem.
- Jennifer, toma. - Diana entregou-lhe o livro que tiveram a estudar. - Vais precisar dele.
- Obrigada. - Ela sorriu e arrumou o livro na mochila.
O elevador começou a subir, subir e subir, até o acampamento parecer apenas uma simples formiguinha muito pequena. Jessy sentou se ao lado de Fred atrás e Jenny à frente com Cristiano.
- Então, como veio parar ao acampamento? - Perguntou Jenny.
- Um sátiro como Fred encontrou-me e trouxe-me para cá, aqui aprendi a atirar flechas, apesar de ser filho de Apollo, não tinha muito boa pontaria. E tu? Foste perseguida por um monstro antes de chegar aqui?
-Sim, um manicure.
- Manticore. - Corrigiu Fred que estava a beber o seu néctar.
- Isso. Nunca sei dizer bem o nome daquela coisa.
O resto da viagem foi silenciosa, ninguém falava e só se ouvia um bando de pássaros que passavam de vez em quando. Subitamente, eles foram atacados, o elevador abanou tanto que Fred cairia se Jessy não o tivesse segurado.
- O que foi isto?
- Não sei. - Disse o Cristiano armando o seu arco.
O arco de Cristiano fora-lhe oferecido pelo próprio Apollo; ele aparecia e desaparecia sempre que o semideus queria.
A "coisa" atacou outra vez. Eles viram um animal, se aquilo se pudesse chamar de animal, ele tinha asas e cabeça de águia e corpo de leão. Um grifo, pensou Jennifer, eles serviam para proteger as coisas que os deuses ordenavam, devemos estar perto do castelo.
- São grifos! Eles protegem as coisas que os deuses ou os seus donos mandam, devemos estar perto! - Gritou sua descoberta para os outros.
- Tens razão. - Concordou Jessy. - Eles são protetores, o castelo não deve estar longe! Temos de andar mais rápido a menos que queiram ser comida de pássaro!
- Vou aumentar a velocidade! - Disse o Cristiano.
Ele rodou o botão para 100 km/h, eles começaram a subir mais depressa, mas o grifo continuava a atacar. Mais a cima, cerca de 10 metros, eles viram uma espessa camada de nuvens, não que não tenham visto nuvens grandes, mas esta era maior e mais grossa.
- Deve ser aqui! - Disse Jessy apontando para cima.
Eles atravessaram aquela camada espessa de nuvens como se não fosse nada.
- Temos de saltar! - Gritou a Jenny.
- Só podes estar a gozar! - Baliu o Fred.
- Aos três! Um... Dois... Três! Saltem!
Todos saltaram mesmo a tempo antes do elevador ter sido espetado pelo bico do grifo e ter explodido. Fred ficou pendurado numa espécie de árvore-nuvem pela armadura, Jessy caiu dentro de um lago, e Jenny e Cristiano caíram num arbusto. Quando se levantou, viu que estavam num jardim muito bonito, cheio de árvores com frutas coloridas, arbustos por todo o lado e um lago com água cálida.
- Estão todos bem?
- Depende do que consideras bem. - Resmungou Fred. - Se estar preso numa árvore pela armadura é estar bem, então eu estou ótimo!
- Eu estou bem, não me aconteceu nada além de me molhar. - Disse Jessy a sair do lago.
- Eu estaria melhor se não tivesses em cima de mim. - Disse o Cristiano.
- Oh, desculpa!
- Não faz mal.
- Tirem-me daqui! - Gritou Fred.
- Não grites! Ou o grifo volta!
A próxima tarefa era tirar o Fred da árvore, mas como? Tentaram tirá-lo com um pau grande, mas não resultou. Jennifer tentou usar um dos feitiços, mas também não funcionou porque ela não estava concentrada o suficiente, aquele lugar podia ser calmo, mas não lhe dava confiança.
O ramo tinha se partido e o Fred estava no chão, ajudaram-no a levantar-se.
- Estas bem? Nada quebrado? - Questionou o filho de Apollo.
- Estou ótimo para quem caiu da árvore. - Satirizou o sátiro.
- Próxima tarefa, encontrar o castelo. - Falou Jessy.
- Já o encontrei. - Respondeu Jennifer.
Todos olharam para oeste, o sol vinha de trás e por isso via-se bem o castelo, tinha cerca de cinco a seis torres um grande portão. Mais grifos faziam a vigia. Fantástico! Quase não sobrevivemos a um quanto mais a dezenas de grifos, Jenny pensou.
Eles caminharam em direção ao castelo, os grifos repararam neles; subitamente eles rodearam-nos tão rapidamente que os semideuses só tiveram tempo para juntar costas com costas.
- Eles são demasiados! - Advertiu Fred.
- Não se preocupem. - Disse uma voz angelical. - Eles só vos matam se eu mandar.
Eles viram um anjo a aproximar-se, ele era alto, magro e musculoso, tinha cabelos dourados e encaracolados, e olhos tão angelicais como os de uma criança.
- Tu és Triston? - Perguntou Jennifer.
- Sim, sou eu. - Disse mostrando o seu sorriso de criança. - E vocês quem são? E porque estão aqui?
- Eu sou Jennifer. - Começou. - Sou filha de Hecate e estes são os meus amigos, Jessy, Fred e Cristiano.
- Uma filha de Hecate? A muito que não vejo uma. Tal como sátiros. Entrem vamos tomar o café da manhã.
Os grifos deixaram de tomar atenção neles e foram para os seus postos de guarda. Eles seguiram o Triston até a sala do trono.
- Por favor, tragam um belo café da manhã para os nossos convidados. - Disse dirigindo-se para um dos empregados. - Agora, porque vieram cá?
- Hecate mandou-nos aqui, disse que estava com problemas, viemos ajudar. - Respondeu-lhe Jennifer.
- Hecate? Estou em dívida com ela por me ter ajudado.
- Sim, mas a vossa majestade não tem problemas?
- Problemas, cheio de problemas estou eu!
- Alguma coisa em que possamos ajudar?
- Bem, se conseguires derrotar o monstro que a noite aparece e destrói o meu jardim, seria bom.
- Por mim tudo bem.
- Nos só queremos a recompensa. - Murmurou Fred.
- O que disses-te? - Rugiu o anjo.
- Nada, eu não disse nada. - Balbuciou o sátiro.
- Só querem a recompensa? Então muito bem! Guardas! Predam-nos!
Apareceram os anjos guardas, todos tinham uma espada presa a cintura, armaduras brancas brilhantes e olhares ferozes. Os quatro amigos baixaram as armas, não tinham hipótese de vencer contra os guardas. Eles levaram-nos para as masmorras, desceram vários degraus até lá chegarem. As masmorras eram frias e as grades das celas não eram de ferro, mas sim de correntes de ar muito fortes capazes de arrancar as mãos se lá às puserem. Os guardas tiraram-lhes as mochilas e as armas. Puseram um em cada cela. Depois só ficou lá o guarda prisional que estava à entrada das masmorras.
- Bom trabalho! - Reclamou Jessy para o sátiro.
- Desculpa, não era a minha intenção. - Respondeu cabisbaixo.
- Pois, também não é minha intenção bater-te quando sairmos daqui!
- Já pedi desculpa!
- Isso muda alguma coisa?
- Já chega! Parem os dois! - Disse Jenny. - Temos de sair daqui!
- Sim, mas como? - Perguntou Cristiano.
Todos olharam para Jessy.
- O que foi?
- Tu és a filha da deusa da sabedoria e da estratégia. - Disse Jenny.

- Sim, claro. Deixem-me pensar em algo.

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