Enquanto Jenny partiu para a sua nova missão, Triston chamara os três que ficaram no castelo.
- Filha de Atena. - Dirigiu-se a Jessy. - Faça uma estratégia de defesa com os grifos.
- Como quer que eu faça uma defesa se não tenho um modelo 3D do castelo? - Ela desafiou, tentando fugir da missão que lhe era dada.
- Não seja por isso.
Uma réplica em miniatura idêntica a do castelo surgiu do chão; nela, pequenos bonecos de grifos flutuantes esperavam para serem posicionados.
- Aqui tens.
- Obrigada. - Ela respondeu, chateada. Acho eu, pensou.
- Filho de Apolo, quando anoitecer, vais matar o monstro e tu - apontou para Fred - Tu vais plantar as árvores, arbustos e flores que o monstro destruiu.
- Só podes estar a brincar! - Resmungou Fred.
- Não, não estou. Agora vamos comer! - Disse com um sorriso malicioso.
Os criados trouxeram uma mesa e três cadeiras, todos se sentaram. Depois trouxeram um belo peru assado no forno, com castanhas e arroz a acompanhar. Estava uma delícia, mas Jessy não tinha muita fome por causa da amiga ter partido em direção a um monstro, mais precisamente uma hidra. Eles acabaram de comer. Triston mandou Cristiano à procura de pistas do monstro, Fred foi com ele, arranjando as plantas que estavam desfeitas pelo caminho. Jessy ficou no castelo a pôr e a tirar os grifos pela maquete, parecia indecisa.
- Se eu pôr este aqui e este aqui... Não, não. E se for aqui? Também, não. - Ia falando sozinha.
Cristiano deu voltas pelo jardim; ele era tão grande que dava para se perder ali dentro, mas ele tinha um bom sentido de orientação. Eles chegaram a passar por uma pequena cascata, algumas árvores de fruto e um caminho de flores, foi aí que encontraram a primeira pista. Pegadas cinco vezes maiores do que o pé de Cristiano, e ele calçava o 40.
- A primeira pista. - Disse sorrindo.
- Isso é mau!
- Por quê?
- Porque estamos perto do monstro!
- Mas era essa a nossa intenção.
- Correção, a tua intenção! Eu só vim para arranjar o jardim.
- Então porque me seguis-te?
- Bem... Para o monstro não me comer.
- Como querias! - Suspirou. - Por aqui.
Eles continuaram a caça do monstro, seguindo as pegadas. Já estava a anoitecer. De repente ouviram um enorme rugido. Fred pulou de susto e ia gritar se Cristiano não lhe colocasse a mão a tapar sua boca. O rapaz levou o bode para trás de uma árvore. Ouviram o monstro aproximar-se.
- É... É um... Ciclope! - Disse Fred.
- Ótimo, um gigante com um só olho!
Eles seguiram o Ciclope, o cabelo dele era roxo e estava entrelaçado, seu único olho era preto e cheio de raiva. Ele começou a destruir o jardim do Triston.
- Temos de matá-lo. - Murmurou Cristiano.
- Temos, não, tu tens.
- Covarde! - Respondeu.
Cristiano perseguiu o Ciclope. Ele estava mais preocupado com destruir o jardim, do que com Cristiano. Aproximou-se por trás do ciclope, com o arco armado que Triston tinha devolvido o seu arco para poder lutar com o monstro. Ele lançou uma seta que acertou no cabelo do ciclope. Mas que má pontaria, pensou o sátiro.
- Cheira-me a semideus! - Disse o ciclope, a sua foz era grossa e rouca.
O ciclope virou-se, viu Cristiano com o arco pronto a disparar.
- Que engraçado! - Disse rindo.
- Quem és tu e porque destróis o jardim de Triston?
- Eu? Simples semideus, sou Gorumeu.
- Gorumeu? Nunca ouvi falar. - Disse desconfiado.
- Claro que não! Zeus não quis espalhar a notícia!
- Que notícia?
- Eu sou o general dos monstros que atacaram aquele castelo. Triston não teria ganhado se não fosse aquela deusa metediça!
- Hecate?
- Só de ouvir esse nome fico zangado. - Arrancou uma árvore pela raiz e partiu-a ao meio. - Podia fazer o mesmo contigo! Mas não o vou fazer isso, filho de Apollo.
- Como sabes quem é o meu pai?
- Tu cheiras a sol e arte e o teu amigo - apontou para trás de uma árvore - cheira a bode.
- Boa, mas ainda não percebi porque destróis o jardim.
- Muito simples! Vingança!
- Então, estás zangado com Hecate e Triston por te terem derrotado na guerra? Só por isso?
- Só?! Só?! Isto é uma vergonha para mim!
- Está bem, podemos passar a parte em que viras pó?
- Estás a desafiar-me? Hahaha! Um simples semideus! Hahahaha!
Ele lançou outra seta que lhe acertou no seu umbigo.
- Ei! Essa doeu! Anda cá! Vou te matar!
Cristiano começou a fugir pelo jardim. Fred, que ainda atrás da árvore, passou a correr atrás do Gorumeu fazendo crescer árvores e plantas que destruía pelo o caminho.
- Podes fugir, mas não podes esconder! - Gritou o ciclope.
Gorumeu virou-se para trás e sorriu. Apanhou Fred pela cintura, Cristiano ouviu o seu amigo a pedir ajuda.
- Solta-o!
- Senão o que?
- Eu disparo!
- Ó, por favor! Isso não me mata!
Só se não acertar no teu ponto fraco, pensou. Ele apontou a flecha para o olho do ciclope. Ele atirou, e acertou mesmo no meio do seu olho. Ele continuava a agarrar Fred, que gritava. O ciclope urrou de dor e tentou cegamente acertar o semideus.
- Ah! Idiota! Vou te esmagar como uma formiga! - Vociferou.
- Tenta! - Disse corajoso.
O gigante de um só olho pisoteava o chão. Os seus pés passavam de raspão por Cristiano, mas nunca lhe tocavam. Como derrotar um gigante com 5m de altura? Ia pensando. Ele passou-lhe entre as pernas.
- Vem cá! Não sejas covarde!
- Isso não se encaixa na minha personalidade. - Retrucou ao monstro.
O Gorumeu continuou a pisotear o chão. Cristiano guiou o cego ciclope com a sua voz, insultando-o:
- Ei! Monomonstro! A tua mãe acha o horrível e desprezível por não ter conseguido derrotar uma deusa e um anjo!
- Não fales de Gaia!
- A tua mãe é Gaia? A própria terra?
- Sim, e o meu pai é Tártaro!
- Fantástico! Pais que te desprezam.
- Uhrrraaaa!!!
Cristiano estava a levá-lo para um precipício. Ele lançou mais uma flecha, só que desta vez acertou na mão que segurava Fred. A dor fê-lo soltar o sátiro.
- Aí! Vou te matar!
- Não se eu te matar primeiro!
- Aaaaaaaaaaaaaa! - Gritava Fred enquanto caía a 5m do chão.
Agora estavam a um passo de gigante do precipício. O Gorumeu ia pisar no rapaz, mas ele desviou-se a tempo e o ciclope caiu no abismo. Cristiano sentou-se ofegante.
- Aí, o meu traseiro!
- Estás bem? - Perguntou Cristiano
- Eu estou ótimo, o meu traseiro é que não.
Eles levantaram-se e foram a caminho do castelo.
-
Blogger Comment
-
Facebook Comment
Assinar:
Postar comentários
(
Atom
)
0 comentários :
Postar um comentário