Filha de Hecate - Capítulo 08: A Nova Missão de Jenny

       Passaram se dez minutos de silêncio, até que Jessy teve uma ideia!
       - Jenny! - Esta assustou-se.
       - Gente! Não me assustes!
       - Desculpa. - Disse. - És filha de Hecate, certo? E Hecate ajudou Triston. Ele está em dívida com ela, certo?
       - Onde queres chegar?
       - Eu quero chegar de tu poderes tirar-nos a todos daqui!
       - Como? - Perguntou curiosa.

       - Diz que precisas de falar com ele, diz que queres fazer um acordo.
       - Que tipo de acordo? - Questionou Cristiano que estava a prestar atenção à conversa.
       - Eu mato o monstro e ele deixa-nos ir em paz e dá-nos a recompensa, que a minha mãe falou. - Disse Jennifer.
       - É boa ideia, tirando a parte de a Jennifer não saber lutar e não saber muitos feitiços de cor. - Disse o sátiro encostado a parede da cela.
       - Pois, mas eu consigo! - Disse, virou-se para o guarda. - Ei! Guarda! Eu quero falar com sua majestade!
       - Tu só falas com ele quando ele mandar. - Respondeu o guarda.
       - Sabes quem eu sou? - Ela fixou os seus olhos roxos brilhantes no guarda.
       - Sim, és uma semideusa.
       - Sim, sou filha de Hecate! A qual sua majestade está em dívida!
       - Pois claro, e eu sou filho de Zeus.
       Um raio atravessou a sala, Zeus tinha o ouvido.
       - Fizeste asneira.
       - Não, não fiz!
       - Outro raio atravessou a sala.
       - Ok, peço desculpa ao deus dos deuses e rei dos céus.
       Apareceu outro guarda que segredou ao ouvido do guarda prisional.
       - Muito bem. - Disse. - Jenny?
       - Sou eu!
       - Sua realeza quer falar contigo.
       Eles destrancaram a cela, não literalmente; fizeram com que o vento que fazia as grades parasse de soprar. Ela voltou a subir as escadas para a sala do trono com o guarda atrás dela, para o caso de ela tentar alguma fuga. Eles chegaram à sala do trono; Triston estava sentado no seu trono de prata.
       - Filha de Hecate, tenho uma proposta para ti.
       - Eu também tenho uma para si. - Respondeu Jenny.
       - Muito bem, e qual é a tua proposta?
       - Eu derroto o monstro que a noite destrói o seu jardim e dá-me a recompensa e deixa-me e os meus amigos partirem.
       - É uma boa proposta, mas tem aí um erro. Tu fazes-me um favor e eu dou-te duas recompensas, não está certo.
       - Então o que queres?
       - Quero que tu me vás buscar o anel de Giges. Ele está num casa abandonada, e é protegido pela hidra.
       - Anel de Giges? Que anel é esse?
       - O anel de Giges, é um anel capaz de te por invisível sempre que desejares. Sabes o que é uma hidra?
       - Sei, um monstro com várias cabeças, mas quando se corta uma cabeça, crescem duas no lugar. Um ser difícil de derrotar.
       - Muito bem! - Sorriu Triston. - Não te preocupes, os guardas levam-te até a entrada da casa, mas depois estarás por tua conta.
       - Como sei que não os vai matar enquanto eu estiver fora.
       - Eu não sou de matar. Prefiro que sejam meus empregados. Já sei o que vou fazer primeiro com a tua amiga filha de Athena e com o teu amigo, filho de Apollo, não sei o que fazer com o sátiro? Talvez o obrigue plantar as árvores e arbustos que o monstro anda a destruir.
       - O que vais fazer com Jessy e Cristiano?
       - O teu amigo, vai matar o monstro que destrói o jardim à noite e a filha de Athena vai-me fazer uma nova estratégia de defesa para os grifos.
       Fantástico, os seus amigos vão ficar com o rei feitos escravos e ela vai lutar com uma hidra que protege um anel estúpido da invisibilidade, pensou Jenny. Ela suspirou:
       - Quando parto?
       - Hoje à tarde. - Disse com um sorriso.
       Ela voltou para as masmorras para o pé dos seus amigos, ela contou o que o anjo tinha dito.
       - Espera? Eu vou lutar com o monstro do jardim?! - Exclamou Cristiano.
       Jenny assentiu.
       - Que bom! Sabes qual é o tipo de monstro? Quando partes?
       - Não e parto hoje à tarde.
       Ninguém mais falou. Estavam todos mal com o fato de terem de fazer favores ao rei. Eu não gosto daquele maldito anjo! Porque é que a minha mãe o ajudou? Não fazia sentido, pensou Jennifer, ele é malvado. Não confio nele.
       Apareceu o guarda que a trouxe para as masmorras, ele falou com o guarda prisional, desligaram o vento que fazia de grades. Levaram-na para cima. Devolveram sua mochila, ela abriu-a; ainda tinha lá tudo que trouxera: um pouco de ambrósia, um mini quite de primeiros socorros, o livro de magia e a lanterna que Diana lhe dera e uns sanduiches de fiambre e queijo. Ela passou pelo rei Triston que lhe desejou boa sorte, com o seu sorriso de criança.
       Ela saiu do castelo com a mochila as costas, dois anjos agarraram nela, um de cada lado. Eles atravessaram a espessa camada de nuvem que os sustenta. Eles voaram durante várias horas, fazendo paragens para os anjos descansarem de vez em quando. Finalmente, eles chegaram a um espaço aberto com uma colina e uma casa no topo. Deve ser aqui, pensou. Os anjos aterraram e disseram:
       - É aqui que se encontra o anel de Giges. - Disse o anjo que agarrara o seu braço direito, ele era alto e forte, olhos castanhos e cabelo liso.
       - Sim, tem cuidado com a hidra. Ela adora semideuses, mal entre ali, ela vai sentir o teu cheiro. Tens de te apressar. - Disse o anjo que agarrara o seu braço esquerdo, era mais baixo magro que o outro, os seus olhos eram como os de uma criança de dois anos, seu cabelo encaracolado. Eles foram-se embora, só ficou a Jenny, a casa abandonada e a hidra que estava escondida.
       Ela entrou no jardim, parecia que ninguém vivia ali há anos; as árvores estavam mortas, assim como as flores do jardim. Se tivesse alguém para cuidar dele, pensou, seria um magnífico jardim. Ela atravessou-o sempre olhando para trás e para os lados, não queria ser apanhada desprevenida pela hidra. Chegou à porta da casa, na qual havia os dizeres: Να ζήσουν, πρέπει να αποκρυπτογραφήσει το παζλ και να σκοτώσουν την Λερναία Ύδρα. Ela conseguiu traduzir: para viveres, tens de decifrar os enigmas e matar a hidra.
       - Oh, que simpatia da pessoa que vivia aqui ter uma hidra como estimação. - Falou consigo mesma.
       Abriu a porta, estava muito escuro, por isso ela abriu a mochila e tirou a lanterna. Ao ligá-la a sala parecia uma sala de banquetes, tinha uma mesa corrida e dois bancos de cada lado também corridos. Era muito sinistra, quadros de pessoas a fazerem um banquete naquela mesma sala. Ela continuou a andar até que enfiou o pé no crânio todo corroído, fez um esforço para não gritar, não queria que a hidra a encontra-se. Era um semideus, pensou, ou então quem vivia aqui.
       - Olá. - Disse uma voz vinda do escuro; era áspera e cheia de rancor, a sua voz fez com que Jenny fica-se com arrepios. - O que fazes aqui?
       Jenny não encontrou coragem para responder.
       - Não precisas de dizer, é pelo anel. Vejo na tua cara. Como leste na porta, esta casa tem enigmas. Cada um é um nível, vamos ver se passas mais do que o teu amigo que acabas-te de pisar. - A voz começou a rir. - Vou me divertir tanto! Hahaha!
       - Quem és tu?
       - Sou mais uma amaldiçoada dos deuses. Uma ótima costureira.
       - És Aracne! A que desafiou Athena e perdeu, e como maldição ela transformou-te numa aranha!
       - Podes não ser uma filha de Athena, mas a tua presença irrita-me!
       - Então acertei! Aparece!
       - Não me parece que estas na situação de fazer exigências.
       Ela tinha razão, ela viu que estava rodeada de aranhas. Se Jessy estivesse aqui já estaria a gritar de medo; os filhos de Athena tem medo de aranhas.
       - Passa a frente! Qual é o enigma, aranha nojenta!
       - Tento na língua! - Rosnou. - Primeiro enigma, qual era? A sim!
       - Quem vivia aqui? - Acrescentou a dica: - Ele amava lutar, foi o seu centro de abrigo. O de três cabeças derrotou e o leão também. - Silenciou-se por segundo e perguntou: - Então qual é a tua resposta?
       Ela desejou que Jessy estivesse aqui, ela saberia de certeza a resposta.
       - Deixa-me pensar!
       - Rápido, dou-te... Três minutos.
       Jenny pensou, o de três cabeças derrotou e o leão também. Quem é que na história lutou com um monstro de três cabeças e um leão? Hércules! Ele lutou com o cérebro, o cão de três cabeças e o leão de nereida.
       - Hércules! - Respondeu.
       - Muito bem, para uma filha de Hecate.
       - Como sabes quem é a minha mãe?
       - Tu cheiras a magia. Agora o próximo, por aqui.
       As luzes da sala ao lado acenderam-se. As aranhas que estavam a sua volta abriram caminho até lá. A sala estava com doze pedestais em forma de U, cada um com um símbolo.
       - Sabes uma coisa?
       - O que?
       - És a primeira filha de Hecate a vir aqui.
       - Isso é bom ou mau?
       - Bom pra mim, mau para ti. Próximo enigma: Sou um olimpiano; mas não gosto de lá estar; prefiro as profundezas da terra; e com eles ficar. - Ela parecia confiante. - Boa sorte para resolver este! Ou e tens de escolher um dos pedestais.
       - Não preciso da tua sorte! - Disse.
       Um olimpiano, recapitulou, um olimpiano... Só pode ser um deus. Mas qual? Não gosta de lá estar, não conheço nenhum deus que não goste de lá estar, prefiro as profundezas da terra, as profundezas da terra? Uhm...
       - O Submundo! - Exclamou.
       Agora, que deuses vivem no Submundo? Hecate, Perséfone e..., pensou.
       - Hades! Deus dos mortos!
       Olhou em volta, ela sabia que Hades era o deus dos mortos. Devia haver alguma coisa relacionada a isso. Ela viu um pedestal preto, com uma romã em cima.
       - Esta! - Disse pegando na romã, então o chão debaixo dos seus pés desapareceu, ela caiu na cave da casa. - Mas que raio?
       Ela viu que a um canto estava uma espécie de aranha gigante muito peluda e com pinças a volta da boca.
       - Como chegaste aqui? - Perguntou surpreendida.
       - Essa é fácil, o chão não aguentou o meu peso.
       - Urrr! Vou te matar!
       - Não me parece! - Disse pegando o livro e lendo um feitiço rapidamente. - Burcon obscorun!
       Um buraco abriu-se mesmo por de baixo das patas de Aracne. Jenny pensou que as aranhas a iam atacar, mas não, ela evaporaram. Esta foi fácil, pensou
       - Tapun teriun. - Disse ela para fechar o buraco, ela não queria voltar a se encontrar com aquela aranha nojenta outra vez.
       Ela subiu umas escadas que davam para a sala de banquetes, agora tinha de encontrar o anel e ir embora antes de ser comida pela hidra. Se eu fosse a pessoa que morou aqui, onde o esconderia? Onde? Onde? Ela continuou perdida nos seus pensamentos, subindo a escada que dava para o primeiro andar da casa. Subitamente, ouviu um rosnar. Era a hidra, ela tinha a encontrado! Tenho que encontrar. Tenho que encontrar o anel! Onde o esconderia? Atrás de um quadro ridículo! Ela desceu as escadas bem depressa, apontou com a lanterna e escolheu o quadro mais ridículo que viu: uma senhora gorda a comer. Ela virou o quadro, mas não estava lá!
       Então, a hidra apareceu! Tinha pelo menos cinco cabeças, e numa delas estava pendurado o anel. Como vou tirar o anel dali sem ser despedaçada? A hidra cuspiu fogo, ela escondeu-se debaixo da mesa. Ela não podia cortar-lhes a cabeça, elas só se multiplicariam. Ela tinha de experimentar o feitiço de levitação. Ela saiu debaixo da mesa e foi para trás de um poste, a hidra não reparara nela.
       - Levitium obium.
       O anel começou a subir pelo pescoço de uma das cabeças, passou pela cabeça; as outras não repararam. Ela desconcentrou-se, pois um rato tinha subido o seu pé; ela chutava, mas o rato não saia. O anel caiu no chão; a hidra virou-se. Viu a Jennifer com o rato no pé.
       - Ora bolas!
       Jenny começou a correr pela sala, precisava de um plano. Ela olhou para cima da hidra, ela tinha um daqueles grandes e antigos candeeiros mesmo por cima dela. Ela pegou no livro enquanto corria.
       - Cordiun!
       Apareceu uma corda magicamente na sua mão, ela correu a volta da hidra até lhe atar as pernas e ela cair no chão.
       - Boliun Explosiun.
       Ela vez explodir a corda que segurava o candeeiro, que caiu mesmo em cima delas. Jenny pegou o anel e saiu da casa abandonada a correr, já estava de noite. Quanto tempo tinha estado naquela casa? Não importa, ela tinha comprido a sua parte do acordo. Agora como voltaria? Olhou para o céu e viu um pégaso branco a vir na sua direção. Quando aterrou, o pégaso tinha um bilhete, estava escrito assim:
       Olá, este é o Bluesky. Ele vai trazer-te de volta ao castelo quando terminares a tua parte do acordo.
       ASS.: Triston
       - Oi Bluesky. Vamos para o castelo?
       O pégaso relinchou. A rapariga montou o pégaso e este levantou voou. Durante a viagem de regresso ao castelo, Jenny estava a pensar nos seus amigos e se eles estariam bem.

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