Afterlife - Capítulo 54: Três Senhores

Dias depois, Vizard observava os Ryaks que tentavam conquistar o mesmo poder que ele. Deles, apenas cinco haviam conseguido. Apenas um de cada: Louryak, Heyroryak, Thunroryak, Ganaruryak e Hasashuryak. Para o que tinha em mente, ele precisava de mais quatro, um de cada uma das categorias de Ryaks restantes. Então, deixou os que ainda tentavam sem supervisão e reuniu-se com cinco.

Estavam em um salão imenso dentro de um prédio bizarro que tinha naquela praça. Basílica de São Pedro, de acordo com as memórias de Caleb, era o nome daquela estranha construção humana. Vizard não quis reparar em nada a sua volta, estava mais preocupado com o plano que vinha pela frente. Um dos Manáryaks - alguém que Vizard confiava mais do que outros - estava junto com eles.
- Isole-nos da memória. - Vizard ordenou.
- O que?
- Faça o que eu ordenei.
- Não confia nos seus irmãos?
Vizard simplesmente olhou para ele com olhos furiosos.
- Tudo bem. - Concordou o Manáryak.
- Tudo que for dito aqui não pode escapar para a memória, e essa é sua função, entendeu?
- Sim, senhor.
- Muito bem. - Vizard reuniu-os em um círculo; todos estavam na forma humana. - Quero que digam os seus nomes em voz alta e o nome da alma que possuiu.
- Meu nome é Kokuou. - O Heyroryak começou. - E a alma se chama Barney.
- Meu nome é Choumei e a alma é Hugo. - O Louryak disse.
- Nanaki e a alma é Kalin. - O Ganaruryak respondeu.
- Balai e Arthur. - O Hasashuryak disse.
- Norie e Alex. - O Thunroryak falou.
- Não entendo. - Balai reclamou. - Para que tudo isso?
- Vocês cinco, mais os próximos quatro que virão de cada Ryak, formarão uma divisão especial nas minhas tropas. Vocês serão a Soulryak. - Vizard explicou, com um sorriso perverso.
- E por que isso? - Kokuou perguntou.
- Vocês serão a cavalaria, mas sem cavalos. Serão uma divisão que irá à frente do resto do exército. Sua função será analisar o inimigo; saber sua posição e me informar, para montar a melhor estratégia.
- Entendi. - Balai comentou.
- Senhor. - O Manáryak interrompeu. - Tem alguém tentando entrar em contato com o senhor.
- E quem seria?
- Abigail, senhor.
- Ela está aqui? Em Roma? - Vizard estava visivelmente surpreso.
- Sim, senhor. E Kane também.
- O que os dois Senhores da Guerra estão fazendo em Roma? - Norie perguntou.
- Um Concílio de Guerra. - O Manáryak informou.
- Então finalmente a verdadeira batalha irá começar. - Vizard afirmou. - Informe-os que estou indo. Vocês cinco devem voltar para junto dos outros Ryaks e os acompanhem na transformação.
Os cinco saíram, deixando Vizard sozinho com o Manáryak.
Achei que apenas você era um Senhor de Guerra, Caleb afirmou na mente dos dois.
Não. Comigo, somos três. Contudo, ainda sou o mais novo. Eles foram escolhidos durante a Primeira Guerra Celestial. Nós, os Filhos do Abismo, somos subalternos dos três Filhos da Morte: Shi, Tod e Kifo, mas apenas os três juntos. No final da Guerra, poucos de nós sobraram e elegemos Abigail e Kane para serem dois Senhores e nos guiar numa última tentativa contra os anjos. É claro que perdemos.
E por que eles ainda são?
Por que não podemos quebrar um juramento de lealdade, como aqueles Filhos fizeram a mim.
Caleb decidiu que aquilo era informação suficiente; Vizard saiu daquela sala imensa de volta à praça onde lutou contra o Heartless. Dois Filhos o esperavam. Um deles, uma mulher belíssima com um vestido bonito e rodado. O outro, um homem troncudo, de rosto quadrado e feições sérias. Vizard pensou que eles haviam escolhido aquelas almas a dedo, pois suas verdadeiras formas eram tão imponentes quando as almas que trajavam.
Os três Senhores da Guerra estavam reunidos.
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Tonto e confuso, Nathanael abriu os olhos, sentindo-se totalmente sem forças, como se toda sua energia tivesse sido sugada. Reparou que estava deitado em uma cama macia, porém rústica, como se o colchão tivesse sido conjurado com magia sobre uma antiga cama de madeira da era medieval. Procurou por algo familiar a sua volta, mas não encontrou nada. A cabana que estava - à vitoriana cor de madeira - era totalmente desconhecida.
- Olá! Tem alguém ai? - Chamou em voz alta.
- Para um anjo você não é muito perceptivo. - Uma conhecida voz vinda de uma cadeira ao lado da sua cama, a qual apenas agora ele via, disse. - Achei que você estava no Paraíso, velho amigo.
O anjo virou para ver um rosto conhecido.
- E estava! Mas por motivo de força maior fui mandado de volta aqui. Então, o que você tem feito durante esses anos, Phillip Jones?

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