Dias depois, Vizard observava
os Ryaks que tentavam conquistar o
mesmo poder que ele. Deles, apenas cinco haviam conseguido. Apenas um de cada: Louryak, Heyroryak, Thunroryak, Ganaruryak e
Hasashuryak. Para o que tinha em mente, ele precisava de mais quatro, um de
cada uma das categorias de Ryaks
restantes. Então, deixou os que ainda tentavam sem supervisão e reuniu-se com
cinco.
Estavam em um salão
imenso dentro de um prédio bizarro que tinha naquela praça. Basílica de São
Pedro, de acordo com as memórias de Caleb, era o nome daquela estranha
construção humana. Vizard não quis reparar em nada a sua volta, estava mais
preocupado com o plano que vinha pela frente. Um dos Manáryaks - alguém que Vizard confiava mais do que outros - estava
junto com eles.
- Isole-nos da
memória. - Vizard ordenou.
- O que?
- Faça o que eu
ordenei.
- Não confia nos seus
irmãos?
Vizard simplesmente
olhou para ele com olhos furiosos.
- Tudo bem. -
Concordou o Manáryak.
- Tudo que for dito
aqui não pode escapar para a memória, e essa é sua função, entendeu?
- Sim, senhor.
- Muito bem. - Vizard
reuniu-os em um círculo; todos estavam na forma humana. - Quero que digam os
seus nomes em voz alta e o nome da alma que possuiu.
- Meu nome é Kokuou. -
O Heyroryak começou. - E a alma se
chama Barney.
- Meu nome é Choumei e
a alma é Hugo. - O Louryak disse.
- Nanaki e a alma é
Kalin. - O Ganaruryak respondeu.
- Balai e Arthur. - O Hasashuryak disse.
- Norie e Alex. - O Thunroryak falou.
- Não entendo. - Balai
reclamou. - Para que tudo isso?
- Vocês cinco, mais os
próximos quatro que virão de cada Ryak,
formarão uma divisão especial nas minhas tropas. Vocês serão a Soulryak. - Vizard explicou, com um
sorriso perverso.
- E por que isso? -
Kokuou perguntou.
- Vocês serão a cavalaria,
mas sem cavalos. Serão uma divisão que irá à frente do resto do exército. Sua
função será analisar o inimigo; saber sua posição e me informar, para montar a
melhor estratégia.
- Entendi. - Balai
comentou.
- Senhor. - O Manáryak interrompeu. - Tem alguém
tentando entrar em contato com o senhor.
- E quem seria?
- Abigail, senhor.
- Ela está aqui? Em
Roma? - Vizard estava visivelmente surpreso.
- Sim, senhor. E Kane
também.
- O que os dois
Senhores da Guerra estão fazendo em Roma? - Norie perguntou.
- Um Concílio de
Guerra. - O Manáryak informou.
- Então finalmente a
verdadeira batalha irá começar. - Vizard afirmou. - Informe-os que estou indo.
Vocês cinco devem voltar para junto dos outros Ryaks e os acompanhem na transformação.
Os cinco saíram,
deixando Vizard sozinho com o Manáryak.
Achei
que apenas você era um Senhor de Guerra, Caleb afirmou na mente dos
dois.
Não.
Comigo, somos três. Contudo, ainda sou o mais novo. Eles foram escolhidos
durante a Primeira Guerra Celestial. Nós, os Filhos do Abismo, somos
subalternos dos três Filhos da Morte: Shi, Tod e Kifo, mas apenas os três
juntos. No final da Guerra, poucos de nós sobraram e elegemos Abigail e Kane
para serem dois Senhores e nos guiar numa última tentativa contra os anjos. É
claro que perdemos.
E
por que eles ainda são?
Por
que não podemos quebrar um juramento de lealdade, como aqueles Filhos fizeram a
mim.
Caleb decidiu que
aquilo era informação suficiente; Vizard saiu daquela sala imensa de volta à
praça onde lutou contra o Heartless.
Dois Filhos o esperavam. Um deles, uma mulher belíssima com um vestido bonito e
rodado. O outro, um homem troncudo, de rosto quadrado e feições sérias. Vizard
pensou que eles haviam escolhido aquelas almas a dedo, pois suas verdadeiras
formas eram tão imponentes quando as almas que trajavam.
Os três Senhores da
Guerra estavam reunidos.
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Tonto e confuso,
Nathanael abriu os olhos, sentindo-se totalmente sem forças, como se toda sua
energia tivesse sido sugada. Reparou que estava deitado em uma cama macia,
porém rústica, como se o colchão tivesse sido conjurado com magia sobre uma
antiga cama de madeira da era medieval. Procurou por algo familiar a sua volta,
mas não encontrou nada. A cabana que estava - à vitoriana cor de madeira - era
totalmente desconhecida.
- Olá! Tem alguém ai?
- Chamou em voz alta.
- Para um anjo você
não é muito perceptivo. - Uma conhecida voz vinda de uma cadeira ao lado da sua
cama, a qual apenas agora ele via, disse. - Achei que você estava no Paraíso,
velho amigo.
O anjo virou para ver
um rosto conhecido.
- E estava! Mas por motivo de força maior fui
mandado de volta aqui. Então, o que você tem feito durante esses anos, Phillip
Jones?
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