Filha de Hecate - Capítulo 12: O Resgate do Famoso Empresário

Eles sentaram-se na carruagem.
- Os humanos não veem os pégasos? - Perguntou Jessy indignada;
- Não, eles devem ver um carro, ou algo desse gênero, por causa do manto mágico da minha mãe, a Névoa. A Diana disse que eu a conseguia controlar quando descobrisse o que isto significa: os imortais vêm o que querem, assim como os mortais.
- Que estranho.
Jenny sentou-se ao lado de Cristiano, ela voltou a encostar a sua cabeça no seu ombro. Cris não se importou, afinal, ele gostava dela. Tal como disse Jessy, pensou.

Eles levantaram voo. Era de madrugada, não tinham dormido nada. Jenny adormeceu facilmente tal como Jessy.
Jennifer estava a ter outro sonho. Ela estava de volta à gruta estranha.
- O mortal está vivo? - Perguntou uma voz das trevas.
- Sim, mas fraco. Não deve durar mais do que um dia. - Disse o médico a quem Jenny entregara o pai.
- Mantém-no vivo! Dá-lhe água e comida! Não quero que morra antes da sua querida filha chegar. - Falou ironicamente Clítios
- Seus idiotas! - Gritou por sua vez Jenny. - Devolvam-me o meu pai!
Mas eles não a ouviam, ela chorou descontroladamente. O sonho mudou, agora ela estava no acampamento, que estava destruído, mais precisamente no mesmo sítio que era o chalé de Hecate.
Olá, disse uma voz aterradora vinda do nada. Olhou em volta, mas não viu ninguém. É assim que o acampamento vai ficar! Ahahahahaha!
- Eu vou impedir que isso aconteça!
Quem? Tu? Uma semideusa que nem sabe os feitiços da sua mãe? Ahahahahaha! Desculpa! Ahahahahaha! Não consigo parar. A sua risada era malvada, como aquelas que se ouvem nos filmes, quando a personagem está a ser gozada por uma voz vinda do escuro.
- Qual é a piada? Eu vou aprender tudo o que é preciso! E vou te derrotar se necessário! - Gritou sem medos.
Continua. Estou a gostar da tua coragem!
- Quem és tu? O que queres de mim?
De ti não quero nada, mas do teu namorado, sim! E tu sabes quem eu sou, o teu pior pesadelo! Ahahahahaha!
- Ele não é meu namorado. - Queria soar corajosa, era verdade que não era o seu namorado, mas era muito bonito e gostava muito dele.
Mas querias que fosse! Ah, querida não me enganas!
- Anda! Aparece! Não sejas covarde!
Eu, covarde? Querida entendeu-me mal, muito mal! Se fosse a ti estaria de boca calada!, disse a voz mal humorada.
- Quero te ver!
Não, não queres! Agora, ACORDA!, esta última palavra soava como a voz de Jessy.
Então, ela acordou sobressaltada.
- Jenny estás bem?
- Estou, foi só...
- Um sonho? - Concluiu Cris. - Mais um pesadelo.
Ela assentiu.
- Já chegamos?
- Chegamos onde? Tu estavas a contorceste toda, parece que estavas a ser atacada. - Disse Fred.
Jennifer contou-lhes do seu sonho, menos a parte em que a voz disse que precisava do Cristiano.
- O acampamento destruído? Impossível! Quirón nunca deixaria isso acontecer! Pois não? - Disse o sátiro.
- Claro que não, ele vai fazer de tudo para impedir que isso aconteça. - Disse Jenny.
Ninguém falou. Estava um vento fresco que ponha os cabelos pretos de Jennifer para trás, mostrando todas as suas feições: olhos roxos como joias, boca rosa clara e o nariz encaixava perfeitamente no seu rosto, pensou Cristiano. Estava cada vez mais apaixonado por ela. Ela estava com frio e tinha deixado o casaco no castelo de Triston.
- Tens frio? - Perguntou.
Ela fez que sim com a cabeça.
- Posso?
Ela continuou a dizer que sim com a cabeça. Cris pôs lhe o seu casaco por cima dos ombros e abraçou-a. Pareciam um casal muito feliz, pensou Jessy enquanto olhava para eles. Ela virou a cabeça e viu a triste figura de Fred, estava com as pernas abertas, todo babado e com outro copo de néctar na mão esquerda. Ela bateu-lhe no braço. Ele acordou.
- Ahm? O que? Já chegamos?
Todos se começaram a rir
- Ouhm! Que casalzinho mais fofo.
Cris tirou os braços à volta de Jenny.
- Idiota! Deixe-os em paz! - Jessy lançou lhe um olhar horrível com os olhos cor de tempestade que fazia qualquer pessoa se sentir mal. - Para onde vamos?
- Para uma gruta. - Respondeu Jenny.
- Grutas? Odeio grutas! São maléficas! - Baliu Fred.
- Mas qual? Existem muitas no planeta.
- Uma gruta de monstros!
- Fantástico! Estou numa carroça com pégasos a guiá-las para uma gruta maléfica com monstros, com um casal e uma filha de Athena que me lança olhares aterrorizadores! Vamos a isso.
Eles viajaram mais ao menos umas três horas, eram dez da manhã. Estavam todos com fome.
- Triston deu-me umas sandes, tomem. - Jenny deu uma a cada um. - Bom apetite.
Todos comeram as suas sandes em silêncio. Finalmente aterraram.
- Aí o meu traseiro de bode! Não me doía tanto desde que cai das mãos do ciclope!
- Cala-te! Podem nos ouvir! - Disse Cris.
- Obrigada, - ela voltou a abraçar os pescoços quentes dos pégasos. - Podem ir embora.
Os pégasos levantaram voou e voltaram para o castelo de Triston.
Eles seguiram sempre em frente. De repente, Jessy caiu num buraco.
- Aaaaaaaaaah!
- Jessy! - Jenny agarrou no seu braço mesmo a tempo. - Estás bem?
- Estaria melhor se não estivesse quase a cair de um buraco que nem sei se tem fundo e se tem, prefiro que não seja muito longe.
O solo debaixo de Jennifer cedeu, ela ia também cair se Cris não a tivesse agarrado.
- Obrigada. - Jenny sorriu.
Logo depois o chão cedeu e caíram os três no abismo.
- Aaaaaaaaaaaaaaaah! - Gritaram enquanto caiam.
Poooooow!
Eles tinha chegado ao chão, Cris estava em cima de Jenny que por sua vez estava por cima de Jessy.
- Aaaaaaaaaaaah! - Fred tinha se atirado no abismo. Caiu mesmo em cima dos três.
- Auuuu! Estas doido? - Disse Jessy, ela era que levava todo o peso em cima. - Podem sair de cima de mim? POR FAVOR!
Saíram de cima dela.
- Por que atiras-te? Podias ter nos passado uma corda ou qualquer coisa de lá de cima, para podermos subir! - Zangou-se Cristiano.
- Desculpa, mas vocês caíram do abismo. Não queria ficar longe de vocês.
- Olha que de mim vais querer ficar! - Rugiu Jessy.
- Já chega, temos de arranjar uma saída.
- Não podes voar? - Disse Fred.
- Não, eu não consigo levitar-me a mim própria. Apesar de ter levantado aquela gente toda no acampamento.
- Algum feitiço que nos possa ajudar? - Sugeriu Jessy.
- Não dá, o meu livro está na mochila que está lá em cima.
- Cristiano, alguma sugestão?
- Sou um filho de Apollo, a única coisa que consigo fazer é acertar um alvo e fazer um mini sol.
- Isso, precisamos de luz! - Jessy sorriu. - Faz um mini sol.
Cristiano concentrou-se e apareceu uma bola pequena, amarela e quente, mas servia para iluminar a gruta. Apareceram quatro caminhos, todos em direções diferentes.
- Aqui está o mini sol. E por onde agora?
- Encontramos a gruta, agora falta o meu pai e o bafo de lagarto.
Eles deram voltas nas entradas de cada túnel.
- Aqui! - Disse Jessy, ela tinha encontrado um celular. - Isto é do teu pai? Se não for, não sei porque está aqui.
- É. - Confirmou.
- Pessoal, aqui existem marcas de luta. - Disse Cris, apontando para o túnel ao lado.
- Luta? - Jenny e Jessy observaram as marcas.
- É isso! - Gritou Jessy,
- É isso o que? Queres me matar de sustou outra vez?
- Desculpa, mas ser filha de Atena tem suas vantagens...
- Como provocar um ataque cardíaco em alguém? - Gozou Jenny.
- Não, a sabedoria. O teu pai deixou o celular cair de propósito, só que quer que tenha pego seu pai, o apanhou. Ele lutou, e daí as marcas de luta. E para nos enganarem, puseram o celular em outro túnel.
- Faz sentido. Vamos por este.
Seguiram caminho, sempre pela direita. Jenny ia a frente; havia um desnível a frente. Ela parou, porém Fred estava andando distraído, por isso bateu em Jessy, que bateu em Cristiano, que bateu nela. Ela escorreu abaixo.
- Fred! - Gritou Cristiano e Jessy em uníssono.
- Vamos, saltem! - Disse Cristiano. Ele atirou-se, escorregando atrás dela. Os outros o seguiram.
Quando chegaram ao fim, Cristiano escorregou mais do que devia, parando em outro desnível, mas este subia.
- Estas bem?
- Sim e tu?
- Nada partido.
Apareceu Jessy, que conseguiu parar a tempo; Fred chocou-se contra ela.
- Auu! Tem mais cuidado! - Zangou-se com Fred.
- Desculpa.
- Shiiiuuuu! - Cris fez sinal para calarem a boca.
Apareceu o médico que atendera Jenny.
- Traiçoeiro! Vai ver quando lhe por as mãos em cima! - Murmurou Jennifer.
Ele falou; sua voz estava rouca.
- Mestre, o mortal está ficando cada vez mais fraco e não quer comer.
- Deixa-o, ele que morra! Vou atacar o acampamento, toma conta dele. - Disse Clítios com a maior naturalidade do mundo.
- Sim, mestre!
- Agora, sai-me da frente, criatura repognante!
- Si... Sim, mestre. - Tremeu.
Clítios, o gigante coberto de trevas, saiu.
- Vamos atacar! - Disse Jenny.
- É muito tentador, mas precisamos de um plano. Tu nem sequer tens uma arma. - Disse Jessy.
- Então, que sugeres filha da deusa da estratégia? - Jenny respondeu torto.
- Primeiro, não precisas falar assim comigo. Segundo, não me trates por filha da deusa da estratégia. Não tem nada de mal, mas não gosto. E terceiro, tu vais soltar o teu pai das cordas. Toma essa adaga. Christina deu-a para mim. E nós vamos distrair o falso médico.
- Desculpa. - Disse voltando a si. - E está bem. Boa sorte.
Ela esgueirou-se para um dos cantos sem ser vista pelo médico e entrou no túnel que tinha saído o Houston.
- No três. - Disse Jessy. - Três. Atacar!
Os três investiram contra o falso médico. Este transformou-se em um manticore, tal como a cozinheira Matilde.
- Vocês mataram a minha mulher! Vão pagar por isso! - O Houston dirigiu-se a eles.
- Nós não matamos a sua mulher! - Disse o Cristiano com a espada em punho.
- Por acaso... Sim...  - Baliu Fred baixinho.
Os três atacavam o médico sem descanso. Cris dava golpes com a espada no seu lado fireito; Fred tocava a sua flauta para fazer crescer heras para o prender; e Jessy atacava seu lado esquerdo enquanto pensava, toda gente tem um ponto fraco. Qual é o dele?
- Ele tem um ponto fraco? - Perguntou Fred.
- Acho que sim, mas não sei qual é. Não me lembro. - Respondeu Cristiano ofegante de todos os ataques que dera.
Jenny esgueirava-se pelo túnel; as paredes eram pretas com pequenas luzes por todo o caminho. Ela continuou a caminhar, até ter chegado ao fim.
- Pai! - Gritou eufórica. - Pai! Estás bem?
Ele estava dentro de uma cela, com grades de ferro e a prender a porta um cadeado.
- Filha...
- Estás bem?
- S... Si... Sim. - Disse trêmulo.
- Vou tirar-te daqui!
Ela voltou-se para o cadeado e pôs a adaga dentro da fechadura, tentando arrombar o cadeado. Ela rodou e rodou a adaga de um lado para o outro até conseguir abrir a fechadura do cadeado.
- Vamos embora, pai. - Ela agarrou-lhe pela cintura e pôs o braço do pai á volta do seu pescoço.
Saíram do túnel e os seus amigos ainda estavam a combater o marido da Matilde.
- Pai, fica aqui. - Pousou-o num canto escondido. - Eu já volto.
Ela correu para o manticore, para ajudar os amigos.
- Malta, ele tem algum ponto fraco?
- Uhm... SIM! - Disse Cris. - A cauda! Cortem a cauda!
Jessy estava atrás do manticore de mansinho para ele não ouvir. Escutava a conversa de Jenny e Cris. De súbito o manticore virou-se e viu-a. Tentou espetar-lhe com a cauda várias vezes, até ela perder o equilíbrio e cair no chão.
- Jessy! - Gritaram em uníssono Jenny, Cris e Fred.
- Cris, empresta-me a tua espada.
Ele deu-lhe a espada. Jenny correu para o manticore e consegui-o corta lhe a cauda. O monstro com cauda de escorpião transformou-se em pedra e desfez-se. A luta tinha acabado.
- Temos de sair daqui. - Jenny entregou a espada a Cris. - O gigante vai atacar o acampamento.
- Como vamos sair daqui rapidamente? Não temos transporte e os pégasos foram-se embora. - Disse Fred. - Como tiveste tanta facilidade em derrotar o manticore, Jenny?
- Não sei. - Foi buscar o seu pai no sítio onde o tinha deixado e agarrando-o pela cintura e passado o braço para trás do seu pescoço. Cris ajudou. - Apenas apeteceu-me matá-lo.
- Apeteceu-te?!
- Sim.
- Podemos ir embora daqui? - Disse baixinho o pai de Jenny.
- Claro pai. Mas por aonde vamos? - Olhou a sua volta. - Há muitos túneis, podemos ficar perdidos por muito tempo. O tempo que demora a destruir o acampamento.
- A tua mãe pode-nos mostrar o caminho? - Perguntou Jessy.
- Não sei, tal como vez no caminho para o acampamento? Não sei, podia pedir...
Jenny rezou para a sua mãe de olhos fechados. Mãe, só te quero pedir uma coisa. Ajuda-me a sair daqui, ajuda o meu pai a sair daqui. Por favor. Quando abriu os olhos, não havia nada de diferente.
- Não resultou...
- Resultou, sim. - Apareceu Hecate.
- Mãe? Ouviste-me?
- Claro. Eu ouço sempre. Mas ás vezes não posso interferir no teu destino.
- Podes tirar-nos daqui? Por favor?
- Com certeza.
A deusa lançou uma espécie de pó negro para cima de toda a gente. Os companheiros começaram a tossir. No momento em que abriram os olhos estavam na casa do famoso empresário.
-Oh! Que demais! - Disse Jessy. - Mas nós temos de ir para o acampamento.
- Por aqui. - Disse a deusa.
Eles entraram na casa e viram que a casa estava arranjada, não estava nada partido e cada coisa estava no lugar certo.
- Como...
- Eu estive aqui antes de ir ter contigo. Agora tu e... - Olhou para Cristiano. - Os teus amigos tem de ir para o acampamento para derrotar o Clítio.
Jenny assentiu.
- Toma, coloquem isto no chão e faz um círculo com os teus amigos e pensem no lugar que querem ir. Boa sorte.
- Não vens?
- Lamento, mas o teu pai precisa de ajuda.
- Sim. - Ela voltou-se para os amigos. - Deem as mãos e pensem no acampamento.
Assim o fizeram. Eles tinham regressado ao acampamento, estavam na zona do refeitório.
- Finalmente voltaram. - Era a voz de Diana, calma e serena. - O acampamento está a ser atacado.
- Diana! - Disse Jennifer. - Porque não usam feitiços para o derrotar?
- Ele absorve a magia e torna-se mais forte.
- Certo. Dionísio, Hecate e Hércules derrotaram-no partindo sua armadura, segurando-o e queimando. - Disse Jenny.
- Nós estamos a tentar perfurar a armadura, mas ele tornou-a mais resistente. Agora, venham ajudar.
Diana guio-os até a entrada do acampamento e lá estava o gigante a destruí-la. Todos os semideuses estavam a lutar, menos os filhos de Afrodite que tentavam encantá-lo com a sua voz e os filhos de Hipnos que lhe lançavam feitiços de sono, mas nada estava a resultar.

About Leandro Zapata

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