Os
Potter e Ted Lupin observavam seu patriarca desmaiado no sofá da sala. Ted
achava que Harry estava sendo afetado pela magia da Yuki-Onna que encontrara no
Japão, e por isso estava com problemas para controlar a raiva que vinha das
frustrações que sofrera até aquele momento. Depois de acertá-lo com o feitiço
para encerrar encantamentos, Ted estava esperançoso que Harry voltaria ao
normal; as crianças esperavam que ele acordasse antes que o trem de Hogwarts
partisse no dia seguinte.
Já
era crepúsculo quando Harry despertou. Apenas Ted e Gina estavam presentes no
momento. Ele sentou-se devagar, Ted auxiliou-o. Gina saiu para pegar um chá que
tinha acabado de fazer.
-
O que... Aconteceu? - Harry gaguejou.
-
Você estava sob o efeito do encantamento da Yuki-Onna, se lembra? Ela estava
chamando-o.
-
Eu não me lembro direito... Como se eu estivesse lembrando um sonho antigo. Eu
machuquei alguém?
-
Não. Você discutiu bastante comigo e com o Ministro, mas machucar, não. Não
machucou ninguém.
-
Ufa. - Ele realmente parecia aliviado.
Gina
entrou com o chá, que entregou ao marido. Ele tomou em pequenos goles, soprou
algumas vezes, pois estava muito, muito quente. Gina pediu a Ted que passasse a
noite ali. Estava um tanto amedrontada, já que Harry não estava bem para cuidar
da família caso alguém resolvesse atacar. Ted já dormira tantas vezes na casa
dos Potter, que tinha um quarto próprio.
O
café da manhã no dia seguinte foi barulhento. A casa estava cheia, não apenas
os cinco Potter estavam ali, mas Ted e Rose também. Todos falavam ao mesmo
tempo, principalmente Tiago, Rose e Alvo, que estavam ansiosos para voltar para
Hogwarts. Eles estavam preparando o café quando a campainha tocou, era Arthur,
Molly e Hugo, que logo foram entrando. Molly ajudou Gina na cozinha, enquanto o
elfo doméstico Monstro limpava e arrumava a mesa para receber ainda mais gente.
Eles tinham acabado de se sentar para comer, e a campainha tocou mais uma vez.
Ted recebeu Victoire com um beijo rápido. Eles se juntaram em volta da mesa,
sorrindo e felizes.
Harry,
porém, era o único que estava calado, mas não estava triste, pelo contrário,
nunca estivera tão feliz em sua vida. Passara toda sua vida sozinho, e agora,
tinha uma família extraordinariamente grande. Tudo bem, ele não tinha relação
de sangue com todos eles, mas tinha relação de amizade, companheirismo e
confiança; é isso que faz uma família. E
ainda falta gente, ele pensou. Ainda tinha George e sua família, os pais de
Victoire, Percy e sua família, mas principalmente, um casal que fora sua
família por muito mais tempo que os outros: Rony e Hermione. Eles estavam
viajando a trabalho desde setembro. Harry sentia muita falta deles.
Todos
foram juntos para Estação King Cross de carro. Alguns no carro de Arthur,
outros no Cooper de Harry. Falando alto, como se fossem loucos, eles cruzaram a
parede para a plataforma 9¾ sem hesitar. Pela segunda vez naquele ano, eles se
despediram. Alvo, assim que viu uma garota anormalmente pequena, correu para
ela. Ela vestia as roupas da Slytherin, ou seja, seu filho tinha feito amigos
durante sua estada indesejada na casa.
Harry
observou outra menina vindo falar com ele. Ela trajava roupas da Ravenclaw. Ela
era da mesma altura de Alvo, tinha longos cabelos castanho-escuros. Elas
entraram no trem, enquanto Alvo voltava na direção do pai. Por alguma razão,
Harry percebeu um pequeno triângulo amoroso ali que, no futuro, traria muita
dor de cabeça a Alvo.
-
Estou indo, pai. - Ele disse, abraçando Harry. - Até a volta.
-
Até filhão.
-
Sabe pai. - Ele se virou para olhar o Potter nos olhos. - Você mentiu pra mim.
O chapéu não se importou com minha opinião. Pelo contrário, levou-a como um
insulto e me jogou na Slytherin. Mas não é ruim; se ele não tivesse feito isso,
não teria conhecido a Yanka. - Harry soube que ele falava da pequena. - Eu não
iria gostar de não a ter conhecido.
Harry
apenas sorriu de volta, pois nada mais era necessário dizer. Alvo embarcou e o
trem seguiu viagem para seu segundo semestre em Hogwarts.
-
Gina, vá com seus pais, Ted e eu temos uma casa para visitar. - Harry disse,
quando eles estavam do lado de fora.
-
Estamos indo para casa de Hepzibah Smith?
-
Eu acho que não pertence mais a ela. - Harry zombou. - Mas sim.
Eles
entraram no Cooper e seguiram por quase uma hora pelas ruas de Londres. Assim
que pararam diante da casa, Harry sentiu uma magia poderosa vindo dela. A casa
era grande e ainda tinha traços de pertencer a uma família rica, como cortinas
caras e porta com maçaneta dourada - talvez até de ouro. Eles tentaram entrar,
mas deram de cara com um muro invisível que cercava todo o terreno.
Harry
não entendeu exatamente a natureza daquele escudo. Não conhecia um bruxo capaz
de conjurar aquilo. De fato, em todos seus anos como Auror, nunca tinha ouvido
falar de um feitiço protetor capaz de manter apenas bruxos fora. Se conhecesse
tal feitiço antes da Batalha de Hogwarts, sem dúvida muitas vidas teriam sido
poupadas.
-
Acha que podemos quebrar essa barreira? - Ted perguntou.
-
Eu duvido. Se o Ministério foi obrigado a esperar o retorno do dono...
A
porta da frente escancarou-se. Um homem pequeno; ele devia ser uma cabeça mais
alto que Yanka apenas, amiga de Alvo, de pernas e braços gorduchos e uma cabeça
desproporcional saiu por ela. Ele tinha uma espingarda calibre doze nas mãos.
Ele desceu os degraus com habilidade, apesar da estrutura desajeitada de seu
corpo. Ele estava vermelho de raiva.
-
O que diabos vocês bruxos querem comigo?! - Ele gritava enquanto vinha na
direção deles; parou ainda dentro de seu escudo e apontou a arma para eles. -
Desembuchem!
-
Você é o dono desta casa? - Harry perguntou de forma simples, tentando mostrar
através da voz que não queria confusão.
-
Eu mesmo. E quem é você? - Ele pareceu se acalmar um pouco.
-
Eu sou Harry Potter e esse é Edward Lupin. Nós somos Aurores e queríamos
conversar com o senhor.
-
Estão conversando. - Ele retrucou. - O que querem?
Harry
enfiou a mão no bolso. O homem engatilhou a arma, fazendo menção de atirar. O
Auror imediatamente levantou os dois braços, em sinal de rendição.
-
Vou apenas pegar uma foto no bolso, senhor...? - Harry percebeu que não sabia o
nome dele. - Qual o seu nome? - Perguntou enquanto, lentamente, pegava a foto
no bolso interno.
-
Bívör Vindalf. - Ele respondeu.
Ted
então soube o que era aquele homem, e também entendeu a complexidade do feitiço
que protegia casa. Durante o inverno, após sua conversa com o centauro, ele
pesquisou sobre as criaturas mágicas que existem ou existiram no mundo. Durante
muito tempo, antes da guerra Homodryadalica milhares de anos antes de Cristo, o
mundo era dividido entre essas criaturas, incluindo os bruxos. Até que os
homens mortais, atualmente conhecidos como trouxas, declararam guerra aos
seres, que foram obrigados a se esconder. Os bruxos ficaram do lado dos
trouxas. Alguns deles foram caçados até a quase extinção, e por isso muito
pouco se é falado sobre eles. Vindalf era um nome recorrente no livro que lera,
pois era o nome de um dos reis que liderou um dos lados da guerra.
Se
Ted lembrava-se direito, Thorin Vindalf foi o Rei dos Anões durante a guerra
Homodryadalica.
-
Você é um anão. - Ted disse.
-
Não me diga! - A raiva dele aumentou um pouco mais.
Harry
repreendeu Ted com um olhar. Aquele tipo de comentário era considerado ofensivo
pelos anões, e o Auror sabia disso. Ted também deveria saber.
-
Estamos procurando por esse caderno. - Harry apontou para o caderno com o
símbolo da Triskelium na capa que
estava na mão de Tom Riddle na foto.
-
Nunca vi esse livro na minha vida. - Bívör retrucou. - Podem ir embora agora.
-
Eu vi! - Gritou um menino da janela, que desceu e veio à direção eles.
-
Durin! - O anão com a arma chamou a atenção do menino. - Que diabos está
fazendo aqui fora?
-
Eu vi pelo telescópio do meu quarto. A foto do carinha segurando um livro. Eu
vi esse livro, pai, logo quando a gente se mudou.
-
Durin, você não podia se intrometer! Eu mandei ficar no quarto. - Bívör parecia
decepcionado. - Agora teremos que ajudar os malditos bruxos.
-
Eu gosto de bruxos. - O menino sorria abobalhadamente.
-
Apenas por que você conheceu uma bruxa criança na sua escola, que nem para
Hogwarts tinha ido ainda e que é boazinha, não significa que todos são. E ela é
apenas uma criança, não sabe os horrores que eles fazem com a gente.
-
Senhor Vindalf. - Harry disse. - Dizer que todos os bruxos são ruins apenas por
causa de uma guerra que aconteceu a milhares de anos é algo meio extremo. Nós
aprendemos nossa lição, e agora lutamos pelo bem.
-
Diga isso a Voldemort. - Ele retrucou.
-
Voldemort fora um bruxo das trevas.
Como você mesmo disse, não julgue todos pela ação de um.
-
Diga a eles onde você viu esse caderno, Durin. - Bívör não abaixou a arma em
nenhum momento.
-
Eu o encontrei em meu quarto logo quando nos mudamos. - O menino-anão começou a
contar. - Ele estava escondido sob um assoalho solto, aquele que você consertou
papai, lembra-se? - Ele não esperou resposta, e continuou a contar. - Como meu
pai disse, eu conheci uma bruxinha na escola. Ela era doida por livros e tal.
Ai, ano passado, no aniversário dela, eu dei esse caderno para ela, para que
ela escrevesse suas próprias histórias.
-
E qual o nome da garota?
-
É melhor eu anotar para vocês. - Durin voltou para dentro de casa.
Alguns
momentos constrangedores entre os dois Aurores e Bívör depois, o menino voltou
com um pedaço de papel de jornal na mão. Desculpou-se; era o único que tinha
encontrado rapidamente na cozinha.
-
Muito obrigado, senhores. - Harry fez uma leve referência com a cabeça. - E
desculpe o incomodo.
Bívör
apenas abaixou a arma quando os dois entraram no carro e partiram, com Ted
dirigindo. Harry não conseguia parar de pensar por que o anão odiava tanto os
bruxos. Com certeza não era por causa de uma guerra que quase mais ninguém se
lembrava. Forçou o pensamento para fora de sua cabeça, não precisava se
preocupar com isso. Não tinha nada que poderia fazer, e não ficaria incomodando
o pobre anão.
-
Então, vamos ver quem é nossa misteriosa bruxinha. - Disse mais para si mesmo
do que para Ted.
Ele
desdobrou o papel de jornal, que provavelmente era da página de esporte, pois
ele leu algo sobre o Manchester United ter goleado o Queens Park Rangers.
-
Nina Evans Dobrev Lewis Jackson Webb. - Harry leu todo o nome. - Agora eu
entendi por que o menino preferiu anotar ao invés de dizer. Que nome longo!
Enquanto
Harry falava no telefone com Draco Malfoy e pedia um endereço, Ted parou em um
restaurante para almoçarem. Draco passou o endereço, que era um tanto longe de
onde estavam, mas não tinham outra escolha. Pediram costela de porco assada e
arroz para acompanhar, além de uma salada simples de tomate e alface, e suco.
Seguiram
pela autoestrada até a cidade vizinha de Brixton, onde morava a família
Evans-Dobrev-Lewis-Jackson-Webb. Harry decidiu chamá-los de apenas “Webb”, o
último nome. Apenas graças ao GPS que não se perderam.
Eles
moravam num enorme casarão, com paredes de mármore cinza claro, pilastras para
sustentar a cobertura da porta dupla, que, feita de carvalho, devia ter mais de
dois metros de altura por quatro de comprimento.
Um
mordomo os atendeu. Ele vestia-se com um terno preto e gravata azul com listras
prateadas. As cores da Ravenclaw,
Harry pensou, eles deviam ter muito
orgulho da casa que fizeram parte.
-
Posso ajudá-los? - Ele disse, com sotaque americano.
-
Sim. - Harry disse. - Sou Harry Potter, somos Aurores, e estamos procurando
pelos responsáveis de Nina Webb.
-
Entrem, por favor. Sigam-me.
Ele
guiou os dois até uma sala imensa, extremamente alta e com uma lareira. Sobre a
lareira havia um quadro de um lorde inglês, com roupas de época, peruca e tudo
o mais. Demorou alguns minutos para que um homem, de cabelo castanhos, olhos
verdes e barba bem feita, entrasse. Ele usava um terno cinza italiano, de corte
perfeito, mas estava sem gravata, como se os Aurores o tivessem pegado no
momento em que trocava de roupa.
-
Não acredito! É mesmo Harry Potter! - Ele disse. - Muito prazer, meu nome é
Igor Dobrev Lewis Jackson Webb. Posso ver sua cicatriz?
Harry
deduziu, então, que o nome Evans era o nome da mãe da menina. Ele levantou o
cabelo revelando sua famosa cicatriz em forma de raio.
-
Incrível! - Ele disse. - Eu não estava no país durante a guerra, sabe. Também
não estudei em Hogwarts, como meus filhos e minha esposa. Indiferente, em que
posso ajudar?
-
Eu acredito que sua filha, Nina, tem esse caderno. - Ele mostrou a foto de Tom
Riddle. - E nós precisamos dele. Faz parte de uma investigação muito
importante.
-
Minha filha está em Hogwarts, mas posso pedir para Carlisle procurar nas coisas
dela. - Ele se referia ao mordomo. - Enquanto ele procura, querem compartilhar
uma xícara de café?
-
Sim. - Harry respondeu.
Ele
chamou o mordomo, disse para que pedisse a empregada que trouxesse café, e que
ele fosse procurar pelo caderno solicitado. Enquanto esperavam, eles
conversaram sobre política, sobre a Rainha Elizabeth e sobre os costumes
ingleses. Esse assunto levou a falarem sobre a cultura do mundo, e Igor falou
apaixonadamente da cultura do país de onde veio: Hungria.
Pelo
que Harry entendera, a família dele havia partido para Hungria quando Voldemort
ameaçara pela primeira vez o mundo. Ele crescera lá, longe de todos os perigos,
assim como seu pai. Eles haviam decidido voltar para Inglaterra há três anos,
quando seu filho mais velho, Jefferson, tinha idade suficiente para ingressar
em Hogwarts.
Cerca
de quarenta minutos depois, Carlisle surgiu na porta. Ele não tinha um rosto
muito feliz.
-
Senhor, não encontrei o caderno que pediu. Ele não está entre as coisas da
senhorita Nina.
-
Obrigado, Carlisle. - Igor disse, e depois se voltou aos visitantes. - Como
perceberam, o caderno não está aqui. Só pode estar então com minha filha.
-
Desculpe-nos os transtornos, senhor Webb. Não vamos mais tomar seu tempo.
Os
dois Aurores saíram da casa. Entraram no Cooper e foram embora. Pelo
retrovisor, eles viram Igor entrar e fechar a porta. Pararam o carro. Trocaram
olhares, havia algo errado, eles estavam escondendo algo.
-
Tem a sensação de que eles estavam mentindo? - Ted perguntou.
-
Sim. - Harry respondeu. - Eu queria ter minha Capa da Invisibilidade agora.
-
Eu não tenho capa, mas posso fazer isso. - Num piscar de olhos, Ted
transformou-se me uma mosca e voou pela janela.
-
Vou tirar o carro daqui! - Ele disse, torcendo para que o afilhado tivesse
ouvido.
Harry
assumiu o volante e afastou o carro da casa, caso alguém de lá saísse para
fazer uma caminhada. Encontrou um posto de gasolina diversos quarteirões à
frente e esperou o retorno de Ted.
_____________________________
A
mosca voou janela adentro, antes que o mordomo Carlisle a fechasse. Ele não a
notou, pois se escondera num segundo atrás de uma poltrona. Ela esperou ficar
sozinha para se transformar novamente em Ted.
Deduziu
pelos objetos presentes que aquele era o quarto de uma garota e, se Igor não
tivesse mais filhas, era o quarto de Nina. Vasculhou por todos os cantos,
procurando o caderno da Triskelium, mas nada encontrou. Talvez eles
realmente tivessem falado a verdade, ou talvez tivessem levado dali antes que
os Aurores chegassem.
Transformou-se
em uma barata. Saiu por debaixo da porta. Estava em uma imensa sala de TV, cujo
aparelho era maior do que Ted em forma de homem. A TV estava à direita dele,
alinhada a uma parede que tinha uma janela; encostado nessa parede havia o
primeiro sofá, que fazia um L com outros dois. Eles pareciam extremamente
macios.
Ouviu
barulhos de passos e viu o mordomo vindo em sua direção. Correu para debaixo da
raque da TV e ali ficou até que mais nada ouviu. Saiu, conferiu se o cômodo
estava vazio, e seguiu para debaixo do sofá.
Igor
subia a escada, entrou uma das portas e trancou-a atrás de si. Ted contou
vários minutos, e homem ainda estava ali dentro. Decidiu entrar. Precisou
atravessar todo o cômodo, mas preferiu tomar a forma de um camundongo, que era
muito mais ligeiro. Felizmente, ninguém o viu. Passou por debaixo da porta com
um pouco de dificuldade, pois o espaço era menor. Uma vez dentro, notou que
estava em um escritório.
Em
todas as paredes havia estantes do chão ao teto. Havia milhares de livros e
outras relíquias. Assemelhava-se a loja de Gold, a Falklands-Malditas. Havia
uma mesa bem no meio, com uma cadeira imensa do outro lado. Ted deu a volta,
escalou uma das estantes e se posicionou de forma que conseguisse observá-lo
com clareza e manter-se oculto.
Ele
tinha um caderno sobre a mesa, diante de si. Estava aberto no meio, mas as
páginas estavam em branco. Ele pegou sua varinha, estava com raiva, como se
tivesse repetindo aquele processo várias e várias vezes.
-
Incantatem Revelio.
Contudo,
nada aconteceu. Num surto de frustração, Igor fechou o livro com tudo,
permitindo que Ted visse a capa do livro. O símbolo da Triskelium estava
ali, dourado e belo. Igor saiu da sala e trancou-a por fora. Ted saltou da
estante e se transformou em homem durante o voo. Chegou ao chão praticamente
sem fazer barulho. Mandou uma mensagem de texto para seu padrinho.
Ele
está com o caderno. Como proceder?
Pegue-o.
Tem
certeza? Não é melhor termos um mandado?
Tenho.
Se não aproveitar essa oportunidade, ele pode sumir com o caderno. Pegue-o. Eu
vou retornar com o carro para frente da casa, assim que me vir, aparate.
Entendido.
Ted
pegou o caderno e o colocou no bolso de dentro do casaco. Esperou alguns
minutos, mas Harry não apareceu na rua. Ouviu a porta sendo destrancada.
Aparatou, surgindo na rua. Viu o Cooper vindo em sua direção. Correu até ele.
Harry parou alguns metros antes da casa, de onde ninguém podia vê-lo. O Auror
deu meia volta no carro e seguiram para Londres.
Apesar
do roubo, a missão foi um sucesso. Eles detinham mais uma pista sobre a
misteriosa organização Triskelium.
_____________________________
Luna
andava pelo vilarejo que Rolf Scamander lhe mostrara alguns meses antes. E era
com ele que ela estava naquele momento. Estavam em um pub mal arrumado
no centro da cidade, mas acredite, era o melhor lugar da cidade para se comer.
Foi ali também que tiveram seu primeiro encontro, no dia seguinte ao seu
inesperado encontro na floresta. Infelizmente, ela não podia levá-lo a cabana
de Harry, mas isso não significava que ela não podia passar algumas noites
fora. Assim ela o fez.
Desde
então, eles se viam todo dia. A vontade crescia como tinha de ser. Luna e Rolf
eram muito parecidos, ele era um pouco mais velho, mas eles acreditavam nas
mesmas criaturas místicas que ninguém mais via. Sem a menor sombra de dúvida,
Luna estava perdidamente apaixonada por ele.
Ainda
bem que Rolf sentia-se exatamente da mesma forma.
Depois
do jantar naquela noite, ele tirou uma caixa de veludo do bolso. Antes mesmo de
ele começar a falar, ela já estava chorando:
-
Eu sei que eu estou indo um pouco rápido demais, que te conheço apenas há seis
meses, mas desde aquele dia na floresta nós nos encontramos todos os dias. Eu
não sei mais como seria meu dia sem você, eu a amo, senhorita Lovegood. - Ele
abriu a caixinha para revelar o maior diamante que ela já vira na vida. - E
quero passar todos os dias do resto da minha vida com você. Você quer...
-
Sim! - Ela respondeu rápido demais.
-
Você nem deixou-me terminar a pergunta.
-
Desculpe. - Ela sorria e chorava ao mesmo tempo.
-
Luna Lovegood, você aceita casar-se comigo?
Ela
hesitou, fazendo charme.
-
Aceito.
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