O
Expresso Hogwarts chegou a estação de Hogsmeade quando já era noite,
consequentemente, Alvo e Rose nada mais fizeram além de comer e dormir. Na
manhã seguinte, porém, foram direto ter com a Diretora Minerva. Estava mais que
na hora dela contar exatamente quem fora Coraline Von Ulf.
Pararam
diante da porta guardada por um grifo. Rose disse a senha:
-
Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore.
A
escada começou a girar e subir; eles saltaram para o primeiro degrau,
aproveitando o movimento da escada, como se ela fosse uma escada rolante. Eles
pararam diante da porta de madeira imensa, hesitando. A professora se recusara
a contar a história para eles uma vez. Por que contaria agora?
-
Já que já estamos aqui. - Rose disse, conformada com a missão diante deles.
Eles
entraram. Encontram-na brigando com o notebook, tentando desvendar os mistérios
da internet. Assim que os viu, Minerva guardou-o na gaveta.
-
Em que posso ajudar vocês dois? - Perguntou.
-
Senhora, precisamos que nos conte sobre Coraline Von Ulf. - Alvo foi direto ao
assunto.
-
Como disse a sua prima, Alvo, alguns segredos são melhores se mantidos
guardados.
-
Mas diretora, alguém está tentando abrir aquela porta! - Rose disse um tanto
indignada. - E eles estão bem perto de conseguir!
-
Minerva - o quadro do antigo diretor, Dumbledore, falou -, conte as crianças o
que elas querem saber.
-
Mas Dumbledore! - Ela retrucou. - Você sabe o que aconteceu a ela. Se essas
crianças tentarem abrir a porta, morrerão. Eu não quero ser responsável por
isso.
-
Elas não tentarão, Minerva. Elas apenas querem saber, não é?
O
quadro olhou para os dois. Alvo achava estranho eles conversarem com uma
pintura como se a pessoa ainda estivesse ali, ao invés de morta há vinte anos.
De qualquer forma, Rose e ele fizeram que sim, apesar de planejarem fazer
alguma coisa a respeito depois de saírem dali.
-
Pois bem. - Minerva conformou-se. - Vou contar, mas preciso começar com o que
aconteceu um pouco antes:
Belsant
Von Ulf foi uma mulher que, durante muito tempo, foi amiga de minha mãe. As duas
se casaram no mesmo ano, tendo minha mãe casada com meu pai, e Belsant com
Deon. Minha mãe sempre me disse que ele era um tanto estranho, reservado, cheio
de segredos. Eu nunca me importei, é claro, até que recentemente descobri umas
coisas sobre ele. Indiferente, eles foram os pais de Coraline Von Ulf.
Ela
nasceu em 1935, no mesmo ano que eu. Por conseguinte, cursamos Hogwarts nos
mesmos anos, de 1946 a 1953. Nós éramos melhores amigas; conversamos sempre
sobre qualquer coisa. Uma vez chegamos a gostar de um mesmo menino, mas
descobrimos que ele dava em cima de nós duas. (Rose riu nesta hora). Durante
nosso segundo ano, encontramos uma entrada secreta, algo que nunca tínhamos
visto antes; que ninguém tinha visto antes.
-
O que é essa entrada? - Perguntei para Coraline; estávamos diante de uma porta
imensa, de ferro e com o escudo da Slytherin muito bem desenhado no metal.
-
Não tenho ideia. - Ela me respondeu.
Coraline
era dona de uma beleza rara. Ela não tinha simplesmente uma aparência bonita,
com olhos azuis de tempestade e cabelos da cor de trigo, mas tinha alma bela.
Ela era carinhosa e atenciosa; sempre que um aluno pedia-lhe ajuda com uma
matéria que não entendera direito, ela tinha paciência de ensinar sem
zangar-se. Eu não sou capaz de me lembrar de uma única vez que ela gritou com
alguém.
-
Como abrimos? - Eu fui logo dizendo. (Neste ponto, Alvo surpreendeu-se. Não sabia que a
diretora fora o tipo de aluna aventureira que quebravas as regras).
-
Não sei. - Coraline me respondeu. - Mas talvez haja algum fantasma por aqui que
possa saber.
Eu
sabia o que de que fantasma ela falava: - Barão Sangrento.
-
Sim. Ele é o fantasma da Slytherin. Deve saber de algo. - Coraline confirmou. -
Vamos.
Enquanto
descíamos pelas escadas, discutimos as estratégias de como o faríamos falar.
Nós duas pertencíamos a Gryffindor. A possibilidade de ele nos contar era
mínima. Encontramos o Barão em um dos corredores.
-
Senhor Barão! - Coraline cumprimentou-o com um sorriso tão brilhante quanto o
sol. - Que bom que te encontramos aqui. Estava realmente querendo falar com o
senhor.
-
Senhorita Von Ulf! É sempre uma honra falar com a senhorita.
Notei
que ele sorria. Ele realmente gostava de Coraline, sem dúvida iria nos ajudar.
-
Eu encontrei recentemente uma porta um tanto estranha no quinto andar, sabe? No
corredor dos quadros. - O sorriso do Barão desapareceu.
-
Sei que porta está falando. E não, não faço ideia de como abri-la.
-
Por favor, senhor Barão. - Ela colocou todo o charme que conseguia na voz. - Eu
preciso saber, ou morro de curiosidade!
-
Se você abrir aquela porta, irá realmente morrer. - Ela fitou-o com um brilho
nos olhos; ele não resistiu: - Um simples Alorromora irá funcionar. Mas por
favor, Coraline, não entre naquela porta. Não quero ser responsável pela morte
de mais ninguém.
-
Não se preocupe! - Ela disse.
Nós
voltamos ao quinto andar. Paramos diante da porta e a abrimos. Ela dava no topo
de uma escada em espiral de pedra, que descia pela escuridão até um ponto que
não éramos capazes de ver. Nós retrancamos a porta, pois ainda tínhamos algumas
aulas naquele dia.
Porém
à noite voltamos até lá; e nunca me arrependi tanto.
De
mãos dadas, descemos as escadas sendo iluminados apenas pela luz de nossas
varinhas. Descemos apenas alguns metros e, ao olhar para cima, não mais víamos
a luz que entrava pela porta. Continuamos descendo pelo que pareceu uma
eternidade. A escada terminava em um corredor imenso, cuja outra ponta estava
invisível para gente.
-
Tem certeza que quer continuar? - Coraline me perguntou; ela estava com muito
medo.
-
Sim. - Eu estava muito animada com a aventura. - Vamos!
O
corredor seguia em linha reta, virava para direita e esquerda; podíamos sentir
que às vezes ele subia e outras, descia. Caminhamos naquele lugar por quase uma
hora. Estávamos em uma gruta com desenhos rupestres nas paredes.
-
Há magia aqui. - Coraline disse. - Posso sentir. - Ela tinha esse dom especial
de conseguir sentir que havia magia em um lugar ou não; Dumbledore possuía esse
dom também, pergunte a Harry, se não acredita. - Alguém mudou esse lugar. Esse
não era o estado natural dessa caverna.
Foi
então que encontramos a porta. Era feita de ferro, três vezes mais alta que nós
duas. Havia doze vãos, onde uma pessoa poderia colocar doze varinhas.
-
Incrível! - Eu disse.
-
Sim. Eu sinto algo muito poderoso atrás dessa porta. - Coraline me informou. -
Temos que abri-la.
-
Mas como? Não temos pista de como o fazer. - Eu concordei, mas precisaríamos
descobrir mais sobre ela.
Os
anos foram passando rápido, com o passar do tempo eu fui esquecendo-me da porta
e seus mistérios, mas não Coraline. Ela pesquisou em todos os livros da
biblioteca da escola; pediu para sua mãe livros da Casa do Conhecimento, da
qual ela era bibliotecária. Conversou com diversas pessoas, mas ninguém sabia
nada sobre a porta. Nem mesmo seu pai. (Hoje em dia, Alvo e Rose, eu sei que ele mentiu).
Estávamos
no sexto ano quando ela descobriu um objeto mágico muito poderoso capaz de
abrir qualquer porta conhecido como a Chave do Reino. Tal objeto foi forjado
junto com a Inglaterra, e foi dado a Athelstane, o Primeiro Rei da Inglaterra.
Tal chave é capaz de abrir qualquer porta dentro do Reino Inglês, e, qualquer
território que seja anexado ao nosso, também seria afetado pela magia da Chave.
Coraline,
que já estava obcecada em abrir a porta, invadiu o Palácio Buckingham, roubou a
Chave do Reino. Ela desceu pela escada e pelo corredor. Assim que eu soube o
que ela tinha feito, sabia onde ela tinha ido.
Um
time de Aurores foi comigo até a gruta onde estava a porta. Nós encontramos
Coraline ali. Ela já estava morta e, como não foi possível descobrir a causa da
morte, nós todos concluímos que ela tentou usar a Chave na porta, mas a porta
revidou, matando-a com uma Maldição, ou que alguém a matou, mas nunca
encontraram prova alguma de que havia outra pessoa com ela naquela gruta.
Um
ano depois de sua morte, Belsant suicidou-se, pois vinha lutando contra
depressão e não mais aguentou. Deon morreu anos depois de uma doença da qual
não procurou cura.
Ela
concluiu: - Desde então, eu procurei esquecer a culpa, e prometi que nunca mais
alguém iria chegar àquela caverna. Por isso eu mesma selei com um feitiço
inquebrável. - Minerva olhou para os dois, tentando ver se eles iriam ou não
procurar pela porta; mas é claro que eles
vão, ela pensou. - Eu vou pedir mais uma vez a vocês: não procurem a porta.
Deixe esse segredo enterrado, como Coraline e a família Von Ulf.
-
Sim, senhora. - Eles responderam juntos, mas de cabeça baixa, estavam um pouco
envergonhados pelos segredos que desenterraram.
-
Eu acho que o fantasma de Coraline está tentando nos mostrar à entrada. - Rose
disse, assim que eles entraram na sala de aula.
-
Eu também. - Alvo concordou. - Depois da aula, vamos fazer uma visita ao
corredor dos quadros.
Um
dia nunca passou tão devagar. As aulas foram maçantes, os seus colegas não
conseguiam lhe distrair. Nem mesmo a faladeira resolveu seu problema. Foi
apenas quando a última aula se encerrou e a Nova Ordem da Fênix estava reunida
na Sala Precisa que Alvo sentiu-se bem.
Uma
vez reunidos na sala precisa, Rose narrou o que Minerva havia dito.
-
Ela não chegou a mencionar o sobrenome de Deon, não? - Rick disse.
-
Agora que você mencionou, Rick, não. Ela não disse. - Alvo respondeu.
-
Isso porque o sobrenome é Youngblood. - Ele assumiu sua cara misteriosa.
-
O QUE?! - Todos perguntaram de uma única vez.
-
Eu encontrei isso entre as coisas de meu pai. - Ele tirou com cuidado do bolso
um papel muito velho e amarelado. - É a última página do diário de Deon
Youngblood. Querem que eu leia?
-
Mas é claro! - Respondeu antes de todos.
Ele
começou:
... prover
a uma alma imortalidade. É um feitiço extremamente complexo que requereria mais
de um bruxo, mas acredito que posso eu mesmo conjurá-lo.
O
primeiro passo é criar sete Horcrux humanas; escolhi sete bons receptáculos,
todos com doze anos. Para se criar uma Horcrux é necessário assassinar pelo
menos sete pessoas, para que sua alma seja partida, portanto, eu precisaria de
sete sacrifícios. Fui então atrás de meus inimigos, um a um, e os prendi na
masmorra do castelo que herdei de Salazar.
Depois
de preparar uma sala com todos os ingredientes, além também de marcações
mágicas, me deparei com um novo conflito: meu filho. Ele tentou me impedir,
entretanto eu não podia. Precisava daquilo, precisava viver para sempre.
Então
fiz o feitiço e congelei os sete corpos, assim como o castelo, sob milhares de
toneladas de neve mágica, que jamais derretia. Estava tudo pronto, no momento
de minha morte, a parte principal da minha alma se uniria ao primeiro
receptáculo e assim por diante, até que ela estivesse completa de novo, e eu
poderia refazer o feitiço.
-
Ele se tornou imortal? - Yanka perguntou estupefata. - Demais!
-
Sim, tirando a parte que ele matou quatorze pessoas no processo. - Rose
retrucou. - O que mais está escrito?
-
A próxima anotação está escrita de esferográfica azul. - Rick disse. - E é
datada de 1961. - Ele leu:
Meus momentos finais se aproximam. Posso sentir a
Morte logo atrás de mim, esperando para ceifar minha alma. Ela é paciente,
esperou mais de mil anos para finalmente levar-me. E vou de bom grado. Eu não
mais tenho desejo de viver. A imortalidade trouxe-me o amor verdadeiro nos
braços de Belsant, mas já faz oito anos que ela se foi. E nove que nossa filha,
a amada Coraline, partiu para a outra vida.
Olhei para trás uma última vez, apenas para ver a
foice do senhor da Morte cortando minha alma, e a levando para junto das
pessoas que amo.
-
Uau. - Todos disseram.
-
Ele era bem dramático, não? - Rick comentou. - Deon deve ter mudado de nome a
cada corpo que tomava, até que revelou-se para a esposa, Belsant. Ele foi
enterrado como Deon Youngblood no cemitério de Godric’s Hollow. Meu pai me
levou lá durante as férias de inverno.
-
O máximo onde meu pai me levou nas férias foi para Londres, onde moro. - Yanka
comentou, meio cabisbaixa.
-
Certo... - Rick ironizou, o que deixou Alvo um tanto irritado.
-
Não estamos discutindo nossas férias. - Alvo repreendeu Rick. - Enfim, agora
mesmo estamos indo para o corredor dos quadros.
-
Uma aventura! - Yanka soou animada.
-
Sim, mas apenas eu e Rose iremos. - Ele olhou para amiga, mesmo sabendo que a
deixaria triste se não a levasse. - É muito perigoso.
-
E é por isso que eu vou. - Rick disse. - Dentre nós, sou o melhor bruxo.
Conheço mais feitiços e sou capaz de nos defender.
-
Pois bem, Rose, Rick e eu vamos. - Alvo disse. - Os outros ficarão de guarda.
Chegando
ao corredor, onde muitos meses antes, o fantasma de Coraline mostrou a Rose o
quadro pintado por ela e Minerva. Era impossível ver a parede por trás.
-
Só pode ser o feitiço da Diretora para esconder a porta. - Rose deduziu. - A
porta está aí atrás.
-
Como abrimos? - Alvo perguntou.
Rose
sacou sua varinha e disse: - Alorromora Duo.
Nada
aconteceu. Frustrados, eles saíram de lá, e cada um seguiu para seu quarto. Na
escada, eles se separaram. Alvo e Yanka seguiram para as masmorras e os outros
para a torre da Gryffindor.
Enquanto
caminhavam, Rose perguntou a Scorpius o que ele tinha feito durante as férias
de inverno, enquanto Rick caminhava alguns passos atrás, entretido no celular.
O menino respondeu vagamente, dizendo que viajou com o pai. Ela conhecia-o há
algum tempo para saber que ele não era muito de falar e, por isso, era
necessário forçar as palavras dele.
Scorpius
contou que seu pai o levara para visitar o avô, Lucius. Ele disse que Harry
Potter havia telefonado para o pai dele no primeiro domingo (Rose se lembrava
do tio fazendo essa ligação da Austrália) e contou onde era a cabana em que
Lucius estava. Disse, entretanto, que apenas o faria se Draco e seu filho tivessem
suas mentes apagadas da localização. Feitiço que seria executado por Luna
Lovegood. Eles concordaram.
O
velho Malfoy nunca ficara tão feliz. Ver seu neto crescido, já estudando em
Hogwarts. Lucius disse que sua alegria estava completa e que poderia encontrar-se
com Narcisa feliz. Ele só não estava satisfeito com o emprego dado a Draco, mas
era melhor do que ser jogado em Azkaban.
Rose
viu uma lágrima escorrendo pelo rosto de Scorpius, que se recusou a contar o
que o incomodava. Ela segurou em seu braço, esperou que Rick passasse por eles.
-
O que há de errado, Scorpius?
-
Não é nada, Rose. Não se preocupe.
-
Eu sou sua amiga, não? - Ela retrucou. - Você sabe que pode me contar qualquer
coisa, não sabe?
-
É minha família. Ela está aos poucos se destruindo. - Ele começou a soluçar; a
menina teve um pouco de dificuldades para entendê-lo. - Ninguém mais respeita o
nome Malfoy, não que eu me importe com isso, mas meu pai sim. Ele fica cada vez
mais tempo no serviço e, quando chega cedo, está bêbado. Felizmente, minha mãe
é durona e coloca-o pra dormir num segundo, mas aos poucos eles estão se
separando. Eu queria que houvesse algo que eu pudesse fazer.
Rose
abraçou-o, o que quebrou um tabu de gerações. Weasley e Malfoy são como água e
óleo, não se misturam. Contudo, ali estavam eles, numa clara representação de
amizade.
-
Scorpius, eu também não posso te dizer o que você pode fazer. - Ela suspirou. -
Mas de uma coisa eu sei: você irá limpar o nome Malfoy. Você já começou,
afinal, nós somos amigos.
Ele
sorriu para ela; seu sorriso aumentou ainda mais quando ela meteu-lhe um beijo
na bochecha. Ele ficou estupefato, fitando uma parede sem entender, mas feliz.
Rose foi para o quarto e deixou-o para trás; apenas depois de alguns minutos
foi que ele realmente se mexeu para ir dormir.
_____________________________
A
vez seguinte que o fantasma de Coraline Von Ulf apareceu na Escola foi para
Yanka, que descia fora do horário para as masmorras, pois esquecera-se de um
livro que usaria na aula. O fantasma estava diante do quadro da serpente
gigante. Ela olhou para a pequena e veio em sua direção. Por instinto, Yanka
desviou, apesar de Coraline não ser corpórea. A pequena sabia também que
precisava segui-la.
Como
imaginou, o fantasma foi até o corredor dos quadros, e parou diante daquele que
ela e a Diretora haviam pintado. Ela enfiou a mão no quadro, Yanka gritou,
pensando que ele rasgaria, mais uma vez esquecendo-se de que fantasmas não são
sólidos. Coraline sorriu, e desapareceu.
A
pequena foi até o quadro. Fitou-o por um instante no local em que Coraline
enfiara a mão. Havia algo de estranho quando a luz tocava aquela região do
quadro. Ela pegou sua própria varinha e aproximou a ponta do quadro. Usou o
feitiço lumus para iluminar. Notou que, ao contrário do resto do quarto,
a luz não estava sendo refletida no centro, mas sim atravessando-o.
Parte
do quadro era uma ilusão!
Sem
hesitar, ela enfiou a mão. Felizmente, o quadro não lutou contra. Ela sentia
como se estivesse com a mão dentro de uma caixa. Tateou até encontrar a ponta
de uma varinha. Tirou-a de seu esconderijo.
O objeto em sua mão era um tanto diferente, mas era uma varinha. Na
ponta grossa dela havia uma proteção circular, que dava a volta na mão dela; na
ponta fina havia uma espécie de dente. Era uma chave, ou melhor, ela pensou: “É
a Chave do Reino!”
Ela
se afastou do quadro, apontou a Chave para porta e disse:
-
Alorromora.
O quadro desapareceu como uma miragem. A porta
estava diante dela e, a melhor parte, aberta. Correu dali encontrar seus
amigos. Ela descobriu o túnel secreto de Minerva e Coraline.
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